
A Data Magna de Pernambuco é uma homenagem em alusão à Revolução Pernambucana de 1817.
O feriado estadual da Data Magna foi instituído por lei em 2017, quando a Revolução Pernambucana completou 200 anos. Pernambuco foi palco de uma república à parte, livre da Coroa Portuguesa, durante um pouco mais de 70 dias.
No século XIX, a maçonaria uniu forças com clero católico esclarecido. Ambos lutavam pela liberdade de pensamento, pelos direitos de cidadania e por uma imprensa livre. São figuras importantes também do período Domingos Teotônio Jorge e Domingos Martins Jorge.
A Revolução Pernambucana de 1817 constituiu um governo republicano e liberatório forjado por uma Constituição Provisória.
Instituído em 2017 pela Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe), o feriado estadual da Data Magna, celebrado em 6 de março, relembra o estopim da Revolução Pernambucana de 1817, movimento que tornou o Estado uma nação independente durante 75 dias. A República, apesar de breve, deixou um legado inestimável e inspira o povo até os dias atuais. Este ano, pela terceira vez, a data será feriado.
Em 6 de março de 1817, chegou aos ouvidos do então governador, Caetano Pinto, denúncia de que uma rebelião estava prestes a eclodir. Reunido com o Conselho Militar da Capitania, formado por oficiais portugueses graduados, foi dada a ordem para prender os líderes revolucionários. Os primeiros detidos foram os comerciantes Domingos Martins e Antônio da Cruz Cabugá, além do padre João Ribeiro Montenegro.
Entretanto, quando chegou a vez dos militares o quadro mudou. A faísca que faltava para acender a revolução surgiu no Forte das Cinco Pontas. Ao dar ordem de prisão aos rebeldes, o brigadeiro português Manoel Barbosa foi morto pelo capitão José de Barros Lima, o Leão Coroado, que em seguida - após os oficiais portugueses fugirem do local - uniu a tropa e libertou os aprisionados.
O extremismo do ato fez o movimento restrito a espaços secretos ganhar as ruas. O governador Caetano Pinto acabou fugindo do Palácio e se abrigou no Forte do Brum, de onde foi expulso. Começava então os 75 dias em que quatro estados nordestinos (Alagoas, Paraíba, Pernambuco e Rio Grande do Norte), se juntaram em uma única nação chamada Pernambuco, 70 anos mais jovem que a brasileira.
De acordo com a Alepe, a Lei nº 16.059, de 8 de junho de 2017 estabelece que o Poder Público realize, em todo dia 6 de março, hasteamento solene da bandeira de Pernambuco no Palácio do Governo e colocação de flores no Monumento aos Revolucionários, que fica na praça da República, no bairro de Santo Antônio, na área central do Recife. A data ainda prevê a realização anual de Reunião Solene na Assembleia para entrega da Medalha do Mérito Democrático e Popular Frei Caneca.
Entre os nomes que se destacaram, encontram-se:
Barros Lima, Cruz Cabugá, Gervásio Pires, Padre Roma e outras personalidades da História são nomes bastante conhecidos dos pernambucanos mas, na maioria das vezes por se tratar de nomes de ruas, praças, avenidas etc. poucos sabem o que eles representaram e representam na História de Pernambuco, e como estão ligados ao feriado estadual desta sexta-feira (6), a Data Magna, que celebra o período em que o Estado foi uma república independente do resto do Brasil colonial.
Barros Lima
Barros Lima, o Leão Coroado, é o militar que causou o estopim da Revolução de 1817. O apelido, Leão Coroado, veio da valentia do então capitão e também do fato de ser careca no topo da cabeça, mas ter longos cabelos nos lados.
“Quando recebeu voz de prisão, ele saca a espada e mata na hora o rapaz que veio prendê-lo. Esse gesto do Leão Coroado é que faz com que os soldados iniciassem o processo antecipadamente. Não estava marcado para o dia 6, Padre Roma ainda ia negociar apoio”, contou Vicente.
Cruz Cabugá
Antônio Gonçalves da Cruz, o Cruz Cabugá, foi o responsável por levar para o exterior a voz pernambucana. Enviado como embaixador para os Estados Unidos, conseguiu a nomeação de Charles Ray para a função de cônsul-geral no Recife, o que mostrou o reconhecimento à república pernambucana recém-criada.
Além da função política, coube a Cabugá a missão de conseguir armas e tentar navios e instrutores para formar o exército pernambucano. Entretanto, a revolução foi abafada pelas tropas da Coroa antes de o reforço chegar. Ele, então, ficou nos Estados Unidos, tornando-se cônsul-geral brasileiro naquele país, após a Independência, em 1822.
Antes de embarcar para o país norte-americano, Cabugá foi uma espécie de ministro da Fazenda da recém-criada república. Quando partiu para a América do Norte, entregou a missão a um dos conselheiros da república: Gervásio Pires.
Gervásio Pires
Gervásio foi preso por participar da Revolução de 1817, teve os bens sequestrados, mas não foi condenado à morte e participou ainda da Convenção de Beberibe, em 1821, que culminou com a expulsão dos exércitos portugueses de Pernambuco.
“Ele foi o primeiro governador de Pernambuco completamente livre e independente. Ele foi julgado como traidor, porque a Convenção de Beberibe diminui o poder do príncipe regente”, relatou o professor da UFPE.
Padre Roma
Mesmo abandonando a batina, continuou conhecido pelo apelido da juventude e foi preso na Bahia por participar da revolução.
Uma placa azulejada na Rua Padre Roma, em Parnamirim, na Zona Norte, traz parte da história: o tal “Padre Roma” fez parte da Revolução Pernambucana de 1817 e era o pai do general Abreu e Lima – aquele mesmo que, ao lado de Simon Bolívar, participou do movimento de independência de países da América Latina.
Como a Igreja Católica não permitia, à época, que padres fossem pais, José Ignácio Ribeiro de Abreu e Lima deixou a batina para casar, mas continuou com o "título" de padre pelo resto da vida. Ele era de uma família aristocrática e foi enviado para Roma. Quando voltou, mesmo sem ser mais padre, continuou conhecido por esse nome.
Coube a José Ignácio, o Padre Roma, a missão de ir a Salvador deflagrar a revolução. “A Bahia já tinha declarado apoio ao Rio de Janeiro e ele foi preso imediatamente. Estava acompanhado do filho, o General Abreu e Lima”, explicou o professor do Deptº de História da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Severino Vicente, em reportagem ao G1.
Foi com a vida que ele pagou a “ousadia” de se rebelar. “Mandaram fuzilá-lo na frente do filho. O momento da morte de Padre Roma é também um momento de glória. Quando vão colocar a venda nos olhos dele, ele recusa e põe no peito, dizendo que não tem medo da morte”, contou o professor.Destaques, ainda para, entre outros:
Frei Miguelinho
A Revolução de 1817 é também chamada de Revolução dos Padres por causa da participação de membros da Igreja Católica. Entre eles, estava justamente Miguel Joaquim de Almeida Castro.
"Era uma pessoa muito querida na cidade e muito preocupada com o destino dos mais pobres. Quando a revolução estava perdida, ele voltou para regatar documentos que não podiam cair nas mãos do governo. Passou a noite queimando os documentos. Ele foi preso para evitar que outras pessoas fossem presas", explicou o professor.
O historiador contou que, por ser uma pessoa muito querida, Miguelinho teve quem quisesse ajudá-lo a ser inocentado da participação na revolução — porém, o religioso se recusou a mentir. "Ele podia ser inocentado, mas assumiu o que aconteceu. Mostra a dedicação e o envolvimento dele nesse projeto", declarou o professor.
Frei Caneca
Frei Miguelinho foi secretário do governo provisório e teve auxílio de Frei Caneca, que ficou mais conhecido por sua participação na Confederação do Equador, anos depois, que resultou no fuzilamento de Caneca no Forte das Cinco Pontas, no Recife.
"Frei Caneca já estava nessa revolução [de 1817]. Estava condenado à morte. Ele e vários outros que estavam na Bahia, apenas esperando, quando obteve o perdão real", explicou o historiador.