
Conclusão de nova etapa da
Transposição do São
Francisco repercute no Plenário
Realidade – “Dez anos após o lançamento do projeto, a água vai chegar, beneficiando cerca de 16 milhões de pessoas”, frisou Clarissa Tércio.
A deputada Clarissa Tércio (PSC) e o deputado Alberto Feitosa (PSC) festejaram, em discursos na Reunião Plenária desta quarta (9), a inauguração de um trecho da obra de Transposição do Rio São Francisco em Salgueiro (Sertão Central). A entrega do Núcleo de Controle Operacional – que vai gerenciar o bombeamento da água para o Ceará, a Paraíba e o Rio Grande do Norte – foi realizada pelo presidente Jair Bolsonaro na terça (8/2).
Clarissa Tércio expressou gratidão ao governante por “tornar realidade mais uma etapa da Transposição”. “Dez anos após o lançamento do projeto, a água vai chegar à população, beneficiando cerca de 16 milhões de pessoas”, frisou. A parlamentar afirmou que o povo sabe que as gestões anteriores deveriam ter concluído a obra. “Mas, dado o grau de corrupção das administrações petistas, só um Governo equilibrado como o atual poderia dar andamento e concluir a iniciativa.”
Ainda de acordo com a deputada, a atitude demonstra o compromisso do presidente com o Nordeste. “Finalmente os moradores da região vão poder se livrar dos carros-pipa. Agora, cabe a governadores e prefeitos executar a parte que lhes compete para que água chegue às torneiras. O Governo Federal tem feito o que é da alçada da União, falta o governador Paulo Câmara acompanhar”, assinalou.
Na sequência, Alberto Feitosa enalteceu a Transposição do Rio São Francisco como “a maior obra hídrica do planeta”. “Ontem foi um dia muito importante para os nordestinos, que deixarão de depender de carros-pipa. A cada segundo, as bombas transportarão o equivalente a dois caminhões de água no canal. Isso trará dignidade à população.”
Comparação – Segundo Alberto Feitosa, “com dinheiro desviado pelo PT, seria possível construir 50 obras como essa”.
Segundo ele, a iniciativa custou R$ 14 bilhões aos cofres públicos, enquanto os recursos desviados durante as gestões do PT chegariam a R$ 2 trilhões. “Com tal valor, seria possível construir 50 obras como essa”, ressaltou, repetindo o que disse Jair Bolsonaro no discurso de inauguração. O deputado ainda repercutiu a fala de agradecimento do presidente aos trabalhadores da Transposição.
“No início da gestão, apenas 15% do projeto tinham sido executados, mas Bolsonaro cumpriu o que prometeu e, em locais onde o racionamento era permanente, a água já começa a chegar. O Governo Federal entregou a estrutura, mas o Governo do Estado tem de construir as adutoras”, cobrou.
Contraponto
Em apartes, parlamentares destacaram a importância das gestões dos ex-presidentes Lula e Dilma Rousseff para viabilizar a Transposição. “A iniciativa era estudada desde o Brasil Império, mas só em 2007 saiu do papel. Em 2017, Lula e Dilma inauguraram a obra em Monteiro, na Paraíba. Caberia mesmo aos próximos governantes dar seguimento a ela”, observou Teresa Leitão (PT).
Segundo João Paulo (PCdoB), o vice-prefeito de Salgueiro, Edilton Carvalho, reclamou que o município está há 18 dias sem água e que a verba para barragens prometida pelo ministro do Turismo, Gilson Machado, não chegou. “O milagre da Transposição foi feito por Lula, o maior presidente de todos os tempos, e Paulo Câmara está fazendo a parte que lhe cabe”, pontuou.
Em resposta ao comunista, Feitosa classificou o vice-prefeito de “ingrato”. “O milagre do PT foi desviar recursos e paralisar obras. Lula foi só o operador de um grande sistema de corrupção, por isso foi condenado e preso.”
O líder do Governo na Alepe, deputado Isaltino Nascimento (PSB), pediu cuidado nas referências ao governador Paulo Câmara. “Alberto Feitosa já foi secretário estadual e municipal em gestões do PSB. Agora fez a opção por ser bolsonarista, mas é preciso deixar claro que este Governo Federal persegue os gestores de oposição”, apontou.
Por fim, José Queiroz (PDT) reforçou a defesa das administrações petistas. “Lula fez acontecer essa obra grandiosa, que não daria pra ser construída em uma ou duas gestões. Ele viabilizou e alcançou etapas importantíssimas.”
Saneamento para todos
Novas leis buscam facilitar expansão do serviço, alcançando localidades mais pobres e zonas rurais
Por: Edson Alves Jr.
Sete a cada dez pessoas em Pernambuco carecem de acesso a um serviço básico: a coleta de esgoto. Eram quase sete milhões de cidadãos e cidadãs em 2019, segundo dados mais recentes do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (Snis). E a dificuldade de expansão é ainda maior onde ele se faz mais necessário – nos municípios com menos recursos e nas comunidades vulneráveis.
Um levantamento realizado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) em 2020 identificou 961 cidades brasileiras consideradas alvos prioritários para investimentos em abastecimento de água e saneamento básico. O critério levou em conta o baixo acesso aos serviços e os altos índices de vulnerabilidade social. A maioria desses locais, nos quais vivem cerca de 35 milhões de pessoas, está nas regiões Norte e Nordeste.
Pernambuco tem 42 desses municípios, sendo 39 deles classificados como “prioridade máxima”. Outras 54 localidades experimentam uma situação um pouco melhor, mas ainda precisam aprimorar o esgotamento sanitário (ver mapa).
“São lugares pobres, que não dão lucro às empresas de saneamento, sejam estatais ou privadas. Por isso, é importante incentivar esses investimentos, integrando soluções comunitárias para áreas rurais”, defendeu Gesmar Rosa dos Santos, pesquisador do Ipea e um dos autores do estudo.
Segundo a secretária estadual de Infraestrutura e Recursos Hídricos, Fernandha Batista, Pernambuco intensificou os investimentos em saneamento nos últimos dez anos, mas ainda enfrenta “desafios exorbitantes”. “Em muitas cidades, os espaços cresceram e a infraestrutura não acompanhou o ritmo. Com a urbanização nos anos 1960 e 70, zonas rurais ficaram para trás”, explicou à Alepe em junho.
Vice-líder do Governo na Assembleia, o deputado Tony Gel (MDB) destacou outra dificuldade: a escassez hídrica. “Para fazer tratamento de água, é necessário antes ter esse recurso”, pontuou. “Isso pode melhorar com a Adutora do Agreste, que vai trazer água do Rio São Francisco. Mas precisamos discutir como será custeada a manutenção dessa estrutura”, complementou o parlamentar.
Um novo marco legal
Apesar de urgente, fazer o saneamento básico chegar a todos e todas é complexo para a gestão pública: exige recursos, planejamento e coordenação entre as esferas federal, estadual e municipal. Além disso, o setor demorou a ser prioridade no Brasil. Apenas no final dos anos 1960, começou a ser estruturado um sistema nacional, utilizando recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS).
Em 2007, foi sancionada a Lei do Saneamento, com a meta de universalizar os serviços até 2033. O novo arcabouço jurídico dobrou a média anual de investimentos na área, passando de R$ 4 bilhões anuais, entre 1998 e 2007, para R$ 9 bilhões entre 2007 e 2014. Os números são de um estudo feito em 2016 pela Fundação Getúlio Vargas (FGV). O valor, porém, ainda estava muito aquém do necessário para o objetivo da norma, estimado em R$ 15 bilhões por ano.
A tentativa mais recente de acelerar a expansão do saneamento em nível nacional foi com a aprovação do Novo Marco Regulatório, em 2019. A iniciativa estimula os municípios a formar blocos regionais e cria condições para o capital privado obter mais espaço na prestação dos serviços.
Os consórcios municipais solucionariam uma das principais barreiras encontradas pelas cidades menores: obter verbas para as obras de grande porte exigidas. Um dos financiadores desses contratos é o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que vem cobrando protagonismo dos entes federativos no sentido de regionalizar esses serviços.
“Como a água é um bem essencial, com pagamento certo, há um grande interesse de empresas privadas em entrar no setor, com recursos do mercado financeiro, inclusive. Pode ser muito lucrativo”, observou Gesmar Santos. Entretanto, o pesquisador do Ipea faz uma ressalva: “É preciso também pensar no custeio via tarifas, as quais não devem subir, principalmente para a população mais pobre”.
Regulação nos Estados
Conforme a legislação em vigor, os Estados tinham até julho de 2021 para criar os blocos de municípios. Caso contrário, o próprio Governo Federal faria essa definição. Em Pernambuco, uma primeira proposta nesse sentido foi aprovada pela Alepe em 2020, prevendo 11 grupos.
Essa divisão, no entanto, foi refeita no primeiro semestre deste ano, por meio da Lei Complementar nº 455/2021, que estabeleceu apenas duas regiões. “Com esse modelo, tentamos garantir o subsídio cruzado, para que cidades mais ricas financiem as mais pobres”, explicou a secretária Fernandha Batista.
Para o líder da Oposição na Alepe, deputado Antonio Coelho (DEM), as adaptações “representam o contra-ataque das corporações estatais às novidades do Marco Legal”. Segundo ele, a regionalização teria o objetivo de “impedir um programa de parceria público-privada (PPP) em Petrolina”. “Deu-se mais poder ao Estado que aos municípios, o que vai contra o espírito da lei federal. Vamos ingressar entrar com ações judiciais para manter a autonomia municipal na questão”, avisou.
O parlamentar sugeriu uma alternativa ao subsídio cruzado: privatizar a Compesa e exigir que parte do valor pago nos leilões seja usada para custear as tarifas da população mais pobre. “As estatais já não investem nessas áreas. Se não é viável para a Compesa, pode ser para empresas privadas, com a forma correta”, considerou. “Já ficou claro que as companhias estaduais de saneamento não têm capacidade de investimento para atender aos anseios da população desassistida.”
A gestão estadual informou que a redução da quantidade de regiões de saneamento contempla as mudanças feitas pelo Governo Federal ao regulamentar o Marco. “Em 2020, levamos em conta apenas o compartilhamento da infraestrutura hídrica. Mas decretos posteriores incluíram a necessidade de viabilidade técnica e econômica dos blocos”, justificou Fernandha Batista. Ela ainda declarou que o Estado buscará parcerias com a iniciativa privada para atender às normas.
Tony Gel, por sua vez, defendeu “o trabalho competente da Compesa”. “Precisamos da segurança de ter uma empresa com a expertise da nossa estatal”, acredita. “O Governo preocupou-se em usar essa experiência para que os municípios mais vulneráveis e deficitários não fiquem para trás. Essa questão deve ser bem balanceada, até porque o capital privado não faz filantropia, visa ao lucro.”
Participação
Gesmar Rosa dos Santos crê que os parlamentos estaduais devem assumir um papel de maior destaque na discussão. Uma medida importante, segundo ele, é o estabelecimento de tarifas sociais de água. “O Poder Legislativo deve definir as regras por meio de lei, assim como orientar outros aspectos da regulamentação, com controle social e participação cidadã”, argumentou.
A Constituição de Pernambuco prevê, no Artigo 149, que se determine em lei estadual uma “tarifa mínima para os serviços de energia elétrica, água e saneamento” para residências de baixa renda. Contudo, o modelo vigente foi instituído por resolução da Compesa em 2003.
O pesquisador do Ipea aponta o Estado do Ceará como referência em gestão no setor: “Lá, há reuniões e eventos anuais de diálogo com a sociedade a fim de se indicar a prioridade de usos, conforme a disponibilidade hídrica existente”.
Santos ainda salientou a importância de iniciativas comunitárias, principalmente nas zonas rurais, com tecnologias e alternativas locais. “Por exemplo, pequenos sistemas de saneamento com painéis solares nas residências, que captam água e a disponibilizam com menor custo. Isso pode ser feito em parceria com universidades e institutos de pesquisa”, sugeriu. “O custo da energia elétrica é um dos problemas.”
António Coelho quer que a Alepe vá além. Para o democrata, o Legislativo deveria ter o poder de autorizar todo e qualquer reajuste de tarifas por parte da Compesa. “Hoje essa competência é da Agência Reguladora de Pernambuco (Arpe). Considero excessivo que apenas uma canetada de burocratas permita um aumento com tanto impacto para a população”, assinalou.
Por outro lado, Tony Gel pede cautela para “não engessar a Compesa”. “Não há como o Parlamento verificar as planilhas de custos da empresa. Devemos fiscalizar e buscar garantir tarifas sociais para as pessoas de baixo poder aquisitivo, mas também que não sejam exorbitantes para quem pode pagar”, frisou. “Essa questão deve ser bem regulada, até para o caso de o cenário mudar, ou até mesmo, a Compesa ser privatizada.”
Comissão de Saúde: projeto
amplia diretrizes de combate
à violência contra mulheres
A Comissão de Saúde deu aval, nesta quarta (9), a mudanças na Lei nº 13.302/2007, que regula as políticas públicas de enfrentamento à violência contra a mulher em Pernambuco. Apresentado pela deputada Delegada Gleide Ângelo (PSB), o Projeto de Lei (PL) nº 2624/2021 cria novas diretrizes, como promoção de estudos sobre o tema, atendimento local especializado e ampliação do abrigamento de mulheres vulneráveis.
Acatado nos termos de um substitutivo da Comissão de Justiça, o texto também prevê uma abordagem universal do problema, que deve receber a atenção não só de órgãos de segurança pública, mas também das áreas de saúde, educação, trabalho, renda, justiça e assistência psicossocial.
Ao relatar a matéria no colegiado de Saúde, a deputada Laura Gomes (PSB) manifestou apoio a iniciativas que fortaleçam o combate à violência contra a mulher. Ela também saudou o anúncio, pelo Governo do Estado, de uma seleção simplificada para a contratação de profissionais de serviço social, o que considera “essencial para garantir a continuidade e a qualificação na prestação de serviços à população”.
Outros temas
A presidente do grupo parlamentar, deputada Roberta Arraes (PP), sugeriu a realização de uma audiência pública, no dia 10 de março (quinta), para debater a interiorização dos serviços de saúde em Pernambuco. A solicitação foi aprovada por unanimidade pelos demais membros.
No encerramento da reunião, o deputado João Paulo (PCdoB) lamentou a interrupção da transmissão dos trabalhos legislativos pela TV Alepe e solicitou que a Comissão de Saúde peça esclarecimentos à Mesa Diretora.
Tony Gel comemora requalificação da PE-145
O deputado Tony Gel (MDB) comemorou, na Reunião Plenária desta quarta (9), o anúncio de que a requalificação da PE-145, entre Caruaru e Brejo da Madre de Deus, no Agreste Central, deve começar ainda neste mês. Segundo ele, após a licitação desse trecho, que passa por Fazenda Nova, será contratada a empresa responsável por conduzir a obra até a divisa com a Paraíba, passando por Jataúba.
A informação partiu da secretária de Infraestrutura e Recursos Hídricos do Estado, Fernandha Batista. O parlamentar sublinhou a importância dessa rodovia para o Polo de Confecções do Agreste. “Milhares de pessoas dirigem-se, diariamente, a Caruaru, Santa Cruz do Capibaribe e Toritama para fazer negócios. Aquela região hoje produz moda, e não apenas confecção popular”, ressaltou.
Tony Gel expressou reconhecimento ao governador Paulo Câmara e sua equipe. “A recuperação da PE-145 é uma reivindicação antiga. Nós, que representamos o Agreste Central e fazemos política naquela região, somos muito gratos”, disse.
No discurso, o emedebista também comentou a apresentação feita ontem pelo secretário da Fazenda, Décio Padilha, à Comissão de Finanças. “O gestor disse que as obras estão sendo iniciadas porque o dinheiro está garantido. Pernambuco nunca esteve em uma situação tão confortável em termos de recursos em caixa”, afirmou.
Todas as demais fotos que aparecem sem crédito são de (Foto: Nando Chiappetta)