

Há 30 anos, neste mesmo horário (16h17), o deputado João Ferreira Lima, presidente da Assembleia Estadual Constituinte, anunciou, com estas palavras, o início de uma nova página na história recente da redemocratização do país, após mais de duas décadas de regime militar (1964/1985): “Declaro promulgada a Constituição do Estado de Pernambuco”.
Foi exatamente um ano depois de promulgação da Constituição Federal.
Uma das curiosidades daquela data é que um dos constituintes se negou a assinar o documento. Foi o deputado João Coelho, do PDT, que havia sido o mais votado nas eleições de 1986. O motivo da recusa foi que, para ele, seria impossível o Estado de Pernambuco cumprir o que estava previsto na Carta Magna. “Vou comemorar quando a Constituição for praticada na íntegra”, falou Coelho à imprensa, na ocasião.

"Os deputados dos mais diversos partidos souberam convergir para servir de forma superior ao povo pernambucano." A frase é de Miguel Arraes, que estava no penúltimo ano de sua segunda gestão como governador de Pernambuco.
Joaquim Francisco, o primeiro governador a administrar o Estado após a promulgação da Constituição, já que sucedeu a Miguel Arraes, ao ser eleito em 1990, constituinte federal, em 1988, relatou as dificuldades enfrentadas pelo seu Governo ao se deparar, segundo ele, com o confronto do sonho com a realidade.

"Os governos de 1991 assumiram com o compromisso de colocar a Constituição Cidadã em prática. Mas havia um choque entre o que estava escrito e as condições para a sua real aplicação, porque muita coisa dependia de legislações complementares. É tanto que, até hoje, não se conseguiu aplicar todo o texto. Em Pernambuco não poderia ser diferente", afirmou.
Entretanto, ponderou Joaquim Francisco, "a Constituição estadual colocou na pauta da sociedade discussões que não existiam. Ela foi o despertar, o grito dos excluídos, que diziam: nós existimos e vocês, administradores, terão que fazer um esforço por nós".
Para rememorar e comemorar esta data tão importante para o nosso Estado, a Assembleia Legislativa irá realizar uma vasta programação, até o dia 16/10, em homenagens aos constituintes - vivos e in memoriam -, além de entidades e servidores da Alepe que participaram do processo de elaboração da Constituição.
O deputado estadual Manuel Ferreira (PSC) é o único parlamentar pernambucano que participou da constituinte que, atualmente, exerce um mandato na Alepe.
“A nossa Carta aumentou a grandeza ao nosso Estado. Assim como a Constituição Cidadã, articulada e aprovada um ano antes no Congresso Nacional, a nossa Carta Magna definiu novos parâmetros. Um desses, de grande relevância, é que buscamos o respeito e a valorização do nosso povo, bem como criamos a base para a igualdade entre os cidadãos e o incremento da cidadania aos pernambucanos. Coma a nova Constituição, promulgada há 30 anos atrás, garantimos a democracia plena para promover uma sociedade justa, livre e solidária”, ressaltou o deputado que será homenageado e receberá uma das medalhas alusivas à data.
Programação:
· 09/10 – A partir das 9h, nas dependências da Alepe, realizar-se-á um Mutirão Constitucional, com a oferta de vários serviços gratuitos para a população, tais como, emissão de RG; CPF; certidões de nascimento, casamento e óbito; orientação jurídica da Defensoria Pública da Alepe sobre várias questões, como investigação de paternidade; serviços do Procon, Celpe, Detran, Compesa, SDS e TJPE.
· 16/10 – Realização do simpósio Experiências e Perspectivas do Constitucionalismo Estadual, no Auditório Senador Sérgio Guerra, com duas mesas de debate:
Ø 8h30 - Análise histórica, contexto social e inovações da Constituinte pernambucana
Ø 10h45 - O tema será Perspectivas para a Constituição de Pernambuco e fortalecimento constitucionalismo subnacional.

Foto histórica dos parlamentares da Casa de Joaquim Nabuco responsáveis pela elaboração da Constituição de 1989 (Acervo Alepe)
Homenageados:
João Ferreira Lima Filho – Presidente (In Memoriam)
Felipe Coelho – 1º Vice-Presidente (In Memoriam)
Carlos Adilson Pinto Lapa - 2º Vice-Presidente
José Humberto Lacerda Barradas – 1º Secretário (In Memoriam)
José Geraldo da Mota Barbosa – 2º Secretário
Gilvan Coriolano da Silva – 3º Secretário
Manoel Ferreira da Silva – 4º Secretário
Marcus Antônio Soares da Cunha – Relator
Ademir Barbosa da Cunha
Adolfo José da Silva
Álvaro Silva Ribeiro
Antonio Mariano de Brito
Argemiro Pereira de Menezes
Arthur Correia de Oliveira (In Memoriam)
Carlos Porto de Barros
Carlos Roberto Guerra Fontes
Clodoaldo da Silva Torres
Eduardo Gomes de Araújo
Fausto Valença de Freitas
Fernando Antonio Carvalho Ribeiro Pessoa
Francisco Cintra Galvão
Garibaldi Bezerra Gurgel
Geraldo de Souza Coelho
Geraldo Pinho Alves Filho
Henrique José Queiroz Costa
Inaldo Ivo Lima
Ivo Tinô do Amaral
João Lyra Filho (In Memoriam)
João Ramos Coelho
Joel de Holanda Cordeiro
José Aglailson Querálvares
José Antonio Liberato (In Memoriam)
José Áureo Rodrigues Bradley
José Cardoso da Silva (In Memoriam)
José Ferreira de Amorim
José Humberto de Moura Cavalcanti Filho
José Mendonça Bezerra Filho
Luiz Epaminondas Filho (In Memoriam)
Manoel Alves de Souza
Manoel Ramos de Almeida
Manoel Tenório Luna (In Memoriam)
Marcantonio Dourado
Maria Lúcia Heráclio de Souza Lima
Maviael Francisco de Morais Cavalcanti
Murilo Carneiro Leão Paraíso (In Memoriam)
Newton d’Emery Carneiro
Osvaldo Rabelo (In Memoriam)
Paulo Pessoa Guerra Filho
Pedro Eurico de Barros e Silva
Ranilson Brandão Ramos
Roldão Joaquim dos Santos
Severino Almeida Filho
Severino José Cavalcanti Ferreira
Severino Sérgio Estelita Guerra
Valdemar Clementino Ramos
Vanildo de Oliveira Ayres (In Memoriam)
Vital Cavalcanti Novaes
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Deixaram de assinar, por se encontrarem licenciados, os deputados:
Pedro Eurico de Barros e Silva
Severino Almeida Filho
Fernando Antônio Carvalho Ribeiro Pessoa
Severino Sérgio Estelita Guerra
Manoel Ramos de Almeida
Participantes (*):
Ademir Barbosa da Cunha
Francisco Cintra Galvão
Ivo Tinô do Amaral
(*) Em linguagem de processo legislativo participante é quem participa sem ser deputado