Hoje, o tema da nossa conversa será a Dor Crônica na Terceira Idade.
O envelhecimento é um fenômeno de amplitude mundial que, portanto, está também presente na sociedade brasileira.
Essa transformação vem acompanhada do aumento na incidência de doenças incapacitantes, crônicas e degenerativas.
Dentre as condições crônicas, a dor é uma das mais comuns e está associada, na maioria das vezes, a disfunções musculoesqueléticas e à lesão tecidual, interferindo negativamente na saúde do idoso, sendo a principal queixa e causa de limitações funcionais, afetando de maneira importante a sua independência na realização das tarefas do cotidiano.
As dores crônicas são caracterizadas como eventos persistentes com duração mínima de três meses, de natureza biopsicossocial, que se configuram como um importante problema de saúde pública, cujo enfrentamento exige uma abordagem multidisciplinar.
No dia a dia do consultório, observo que a presença da dor na vida do idoso lentifica, consome, enfraquece o que ele tem de mais precioso: a vida.
Portanto, urge ser diagnosticada, mensurada, avaliada e devidamente tratada pelos profissionais de saúde, uma vez que são esses os agentes capazes de, através de intervenções, minimizar seus efeitos e melhorar a qualidade de vida dessa população.
Quando falamos em dor crônica, dois fatores importantes são necessários destacar: sedentarismo e automedicação.
Em diversos estudos, o sedentarismo tem sido associado com o aumento das doenças crônicas. A prática de atividades físicas leve, moderada ou intensa têm sido associadas positivamente com a percepção positiva de saúde de pessoas idosas.
De modo geral, a população idosa brasileira tem se preocupado em manter uma vida mais saudável, ativa e independente. O incentivo à prática de atividades e/ou exercícios físicos tem sido elencado como objetivo de diferentes políticas públicas e programas na área da saúde, com potencial para promover uma vida saudável e com qualidade, principalmente se elas forem realizadas de maneira sistemática.
O segundo ponto que merece toda nossa atenção é o combate à automedicação. Não obstante todas as informações disponíveis na internet e orientações sistemáticas que são feitas pelos médicos, os brasileiros ainda praticam bastante a automedicação, principalmente em casos de dor. Essa é uma prática que deve ser sempre condenada e contraindicada.
Todas as medicações podem apresentar algum efeito colateral, que pode ser leve ou até mesmo fatal. É importante que qualquer tratamento seja sempre feito sob orientação médica e de maneira individualizada, levando em consideração as características de cada paciente.
Muitas queixas do idoso relacionadas à dor são atribuídas à idade e consideradas próprias ao processo de envelhecimento; deixam, assim, de ser tratadas, o que influencia negativamente a qualidade de vida na velhice.
Através dos novos estudos e avanços da Medicina moderna, uma boa notícia é que já é possível conviver com dores crônicas e/ou agudas, pois hoje existem diversas opções de tratamento que melhoram muito a qualidade de vida desses pacientes.
Cai, portanto, por terra aquela velha orientação dada por muitos profissionais da saúde aos seus pacientes “você tem que aprender a conviver com essa dor”.
Envelhecer não é um obstáculo à vida. O obstáculo é o envelhecimento sem saúde e sem qualidade de vida.
(*) Dr. Sandro Ramos é Fisioterapeuta (CREFITO 25365 F) – Sócio Diretor da Central Quadril
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