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Dia da Saúde Mental: Brasil lidera rankings de depressão e ansiedade

Nas Américas, país é o segundo com maior prevalência de indivíduos deprimidos; psiquiatra afirma que preconceito dificulta busca por tratamento

Marcos Lima
Por: Marcos Lima
10/10/2019 às 09h54
Dia da Saúde Mental: Brasil lidera rankings de depressão e ansiedade
O Brasil lidera rankings de depressão e ansiedade

Fernando Mellis, do R7

 

O Brasil tem números alarmantes de indivíduos com depressão e transtornos de ansiedade, o que, nesta quinta-feira (10), Dia Mundial da Saúde Mental, acende um alerta, principalmente se for considerado que os casos de suicídio têm subido no país.

Dados da OMS (Organização Mundial da Saúde) mostram que 5,8% dos brasileiros (cerca de 12 milhões de pessoas) sofrem de depressão. É a maior taxa da América Latina e a segunda maior das Américas, atrás apenas dos Estados Unidos.

Estima-se que entre 20% e 25% da população teve, tem ou terá depressão, sendo essa a doença psiquiátrica com maior prevalência no Brasil.

Em seguida, aparece a ansiedade, que afeta 9,3% dos brasileiros (cerca de 19,4 milhões), e faz com que o Brasil ocupe o primeiro lugar da lista de países mais ansiosos do mundo.

Os transtornos ansiosos incluem fobia, transtorno obsessivo-compulsivo, estresse pós-traumático e ataque de pânico.

O suicídio é a terceira principal causa externa de mortes no Brasil (atrás de acidentes e agressões), com 12,5 mil casos em 2017, segundo o Ministério da Saúde. Em relação ao ano anterior, o aumento foi de 16,8%.

Menosprezar doenças psiquiátricas e, consequentemente, o tratamento contribui para o aumento de casos de suicídio, observa o médico psiquiatra Antônio Geraldo da Silva, presidente da Apal (Associação Psiquiátrica da América Latina) e diretor da Associação Brasileira de Psiquiatria.

"Depressão é uma doença como qualquer outra, como diabetes, hipertensão, pneumonia... portanto, pode acometer qualquer pessoa em qualquer idade."

Silva afirma que, apesar dos avanços da medicina e das terapias para tratar doenças psiquiátricas, "ainda existe muito preconceito".

"Ninguém fala para uma pessoa com câncer deixar a doença de lado, mas há quem fale isso para quem sofre de depressão, o que é um erro", completa.

O psiquiatra explica existem componentes genéticos ligados ao desenvolvimento de doenças psiquiátricas, mas que também os fatores estressantes estão mais presentes na sociedade de hoje.

"Está se diagnosticando mais, e nós temos mais fatores que estão desencadeando mais quadros psiquiátricos naqueles que têm tendência genética."

Por outro lado, acrescenta, os tratamentos evoluíram consideravelmente nas últimas décadas.

"Hoje, a gente tem não só medicamentos, mas psicoterapias que têm uma melhor resposta do que há 50 anos atrás. [...] Quando faz uma intervenção precoce, há chance de tratar e nunca mais ter [a doença] na vida", conclui Silva.

Você cuida da sua saúde mental? Conheça os principais transtornos:

Depressão: Os sintomas são desmotivação, tristeza sem motivo, desinteresse pela vida, alteração no apetite e sono, irritação e cansaço. A psiquiatra Carolina Hanna, do Hospital Sírio-Libanês, explica que a depressão tem mais de uma causa que envolve fatores comportamentais com o desequilíbrio de neurotransmissores, como a serotonina, que regula o humor, e a dopamina, responsável pela sensação de bem-estar. O diagnóstico é feito pelo psiquiatra e o tratamento engloba terapia e medicamentos, podendo ser utilizados de maneira conjunta ou não

Esquizofrenia: A esquizofrenia é um transtorno psiquiátrico que ocorre por uma predisposição genética. A psiquiatra afirma que existem estudos que mostram que se trata de uma dificuldade na comunicação entre os lados direito e esquerdo do cérebro. Geralmente se manifesta a partir dos 20 anos por meio de alucinações e delírios. Segundo a psiquiatra, a manifestação mais comum é a de ouvir vozes. O diagnóstico é feito pelo psiquiatra e o tratamento consiste em uso obrigatório de medicamentos, que bloqueiam as alucinações, associado à terapia com psicólogo, terapia familiar, para ajudar a aceitação do tratamento, e terapias ocupacionais

Transtorno bipolar: É um transtorno mental crônico caracterizado por oscilações de humor, que podem ir de episódios depressivos e episódios de mania ou hipomania, com aumento de energia, aceleração do pensamento, humor exaltado ou irritado. Os episódios podem durar de uma semana até anos. O diagnóstico é feito de maneira clínica por um psiquiatra. O tratamento inclui medicamentos estabilizadores de humor e terapia. A psiquiatra explica que não há mudança de humor repentina, como "estar triste e depois de cinco minutos estar feliz". Esse tipo de oscilação de humor pode se tratar de personalidade imatura, um sintoma de outra doença, o transtorno de personalidade

Transtorno de personalidade: É um transtorno que se manifesta no início da vida adulta em decorrência de um conjunto de fatores: genética, aspectos psicológicos e o meio em que a pessoa vive. A pessoa com este transtorno apresenta um padrão de resposta emocional inflexível e fora do padrão, com grande dificuldade em se relacionar com as pessoas. O diagnóstico é feito pelo psiquiatra e o tratamento envolve terapia e medicamentos. Tem três classificações: transtornos excêntricos ou estranhos, como o transtorno paranoide; transtornos dramáticos, como o Borderline; e transtornos ansiosos ou receosos, como o transtorno de personalidade dependente

Transtorno de personalidade borderline: Também chamado de transtorno de personalidade emocionalmente instável, se caracteriza por intolerância a frustrações, sensação crônica de vazio, oscilação de humor intensa e grande vulnerabilidade com a autoimagem. Alguns casos também apresentam pensamentos recorrentes de suicídio. De acordo com a Associação Brasileira de Psicologia (ABP), pessoas com Borderline associado à depressão apresentam maior número de episódios depressivos e início de sintomas mais precocemente

Transtorno de ansiedade: Caracteriza-se pelo grau exagerado em relação à ansiedade natural.  Entre os sintomas estão coração acelerado, falta de ar, tremor, suor excessivo, irritação e extrema preocupação. Os transtornos de ansiedade podem se apresentar como síndrome do pânico, transtorno de ansiedade generalizada (TAG), transtorno obsessivo-compulsivo (TOC) e transtorno de estresse pós-traumático. As causas combinam fatores genéticos a ambientais. O tratamento é feito por meio de terapia e medicamentos, de acordo com a orientação de um psiquiatra

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