
Nesta madrugada deixou-nos o maestro Guedes Peixoto.
Seu sepultamento ocorrerá na tarde de hoje no Cemitério de Santo Amaro, onde está ocorrendo o velório na capela central.
Ao escrever o livro Carnaval do Recife (2019), o historiador Leonardo Dantas Silva incluiu a sua microbiografia, que aqui transcrevo:
Mário Peixoto Guedes Alcoforado, nasceu em Goiana (PE), em 25 de janeiro de 1933.
Iniciou-se na carreira musical tocando trombone na banda Saboeira de Goiana, e continuou os seus estudos no Conservatório Pernambucano de Música com os professores Severino Revoredo e João Cícero. Foi também regente da Orquestra Sinfônica do Recife, quando o Dr. Roberto Pereira era o presidente da Fundação de Cultura Cidade do Recife.
Estudou com Valdemar de Almeida e, dentre outros, recebeu aulas particulares com o Padre Jaime Diniz. Em São Paulo, estudou com Cesar Guerra Peixe e Hans Joachim Kollreuter (responsável pela formação da, maioria dos músicos brasileiros), e com Carlos Alberto Pinto Fonseca (estudou regência coral), além de um curso de especialização em trompa com Karl Ritcher, também cravista e organista alemão, fundador do Quiteto de Sopros e do Coral Bach, ambos de Munique – Alemanha.
Em temporada na cidade de São Paulo, exerceu função de Diretor musical da TV Tupi e, em seguida, no Recife, assumiu a direção musical da TV Jornal do Commercio – Canal 2. Foi, durante muito tempo, diretor musical do Teatro de Ópera de Pernambuco, apresentando as óperas “La Traviatta” , “Rigoletto” e “Tosca” de Verdi e “La Boheme” de Puccini.
Conduziu por muitos anos uma orquestra de frevos, que muito abrilhantou os salões do Recife e de capitais do Nordeste.
Guedes Peixoto é também autor de música erudita, sendo autor de peças como Maracatu para Piano, ciranda para orquestra, conduzido por Mario Tavares no Teatro de Santa Isabel em 1990, e Polifonia Nordestina, em quatro movimentos.
Em 1975, a convite de Ariano Suassuna, então Secretário Municipal de Cultura, assumiu a Orquestra Sinfônica do Recife, permanecendo até 1982, quando veio a ser substituído por Eleazar de Carvalho, ficando ele na função de regente–assistente.
Independentemente de suas atribuições musicais, tornou-se bacharel em Direito pela Universidade Católica de Pernambuco, em 1977. Nesse período, exerceu, por muitos anos, na Ordem dos Músicos do Brasil – Secção de Pernambuco, as funções de conselheiro e presidente.
Algumas de suas obras:
O homem do guarda-chuva , Farrapo, Carnaval no Português, Reforma Agrária, e frevo de rua, 1964; Frevo da Saudade”, Trumbicando e Suzy, 1970; Frevioca, 1980; e Não Perca Tempo, frevo canção, 1990.
Uma perda irreparável. Hoje, Pernambuco Cultural e o Brasil Musical estão mais pobres!