
Caruaru, a “Capital do Agreste” já é possuidora de um grande protagonismo em vários segmentos, sobretudo nas artes, na cultura e na política.
Afinal, a maioria dos seus políticos, há várias décadas, têm um histórico de muita relevância para Pernambuco, tendo nos últimos 25 anos cedido dois desses para a vice-governadoria do Estado:
• Jorge Gomes (1995/1998), no governo de Miguel Arraes que, embora tenha nascido em Limoeiro sua história política sempre foi forte em Caruaru, inclusive tendo sido vice-prefeito por duas vezes, e
• João Lyra Neto (2007 a 2014), inclusive assumindo o governo por 9 meses quando Eduardo Campos teve que renunciar para concorrer à
Presidência da República. Ele também foi prefeito de Caruaru por duas vezes (1989 a 1992 e 1997 a 2000), assim como seu pai, João Lyra Soares Filho, o foi também por duas vezes (1959 a 1963 e 1973 a 1976).
Agora, pelo que se desenha, é a vez de Raquel Lyra.
Afinal, na sua família, seu avô e seu pai foram prefeitos de Caruaru por 2 vezes e seu pai foi governador do Estado.
Após encerradas as eleições do último dia 2, no 1º turno, e apurados os votos, Marília Arraes (SOLIDARIEDADE), com 1.175.651 votos (23,97%), e Raquel Lyra (PSDB), com 1.009.556 votos (20,58%), foram as candidatas escolhidas pelos pernambucanos para a disputa do 2º turno.
Agora, é uma nova eleição
O horário eleitoral gratuito no rádio e TV retornou na sexta-feira passada (7). Devido ao falecimento do marido de Raquel Lyra, Fernando Lucena, no dia da eleição, a assessoria da candidata solicitou ao TRE o adiamento do período de propaganda eleitoral, por "questões humanitárias", até a 2ª feira, após a celebração da Missa de 7º dia por Fernando e a fim de que a candidata tivesse mais 24 horas para se recompor desse grande trauma.
De acordo com o documento apresentado pela Coligação "a candidata não se encontra em condições psicológicas e mentais de retornar ao processo eleitoral". Também relatava que "a sensibilidade humana demanda, na ocasião, respeito a este momento de profundo luto à candidata e aos seus familiares".
"Tal período é o mínimo que se pode conceder à candidata, que poderá participar da Missa de 7º dia em memória de seu falecido esposo, além de reunir as forças necessárias para consolar os seus filhos e para vivenciar o seu próprio luto, sem precisar ser submetida às gravações dos programas para rádio e televisão durante período tão delicado de sua vida", alegava o documento sobre a necessidade de adiamento.
O pedido poderia ser atendido caso houvesse concordância de ambas coligações envolvidas, indicando que a campanha de Marília Arraes (Solidariedade) poderia entrar em consenso para garantir o adiamento como manifestação de "solidariedade e de vontade" entre as chapas adversárias.
O Ministério Público Eleitoral confirmou que não se oporia ao adiamento do início da propaganda eleitoral, desde que houvesse a concordância por parte da Coligação Pernambuco na Veia, liderada pela candidata a governadora Marília Arraes (Solidariedade).
O TRE-PE concedeu 24h para Marília dar a resposta ao pedido mas, na noite da quarta-feira (5), a coligação Pernambuco na Veia divulgou nota dizendo que "não aceitava o pedido da campanha de Raquel de adiamento do início do guia."
Segundo Marília, ela compreendia o momento de dor da oponente, no entanto, acreditava na importância de dar prosseguimento ao diálogo com a população de Pernambuco no apoio à candidatura presidencial de Luís Inácio Lula da Silva, em sua caminhada ao 2º turno das eleições.
Logo após, o Tribunal Regional Eleitoral de Pernambuco negou o pedido da campanha de Raquel Lyra, mantendo o início de horário eleitoral conforme o calendário das eleições 2022.
Acatando a decisão da Justiça Eleitoral, a campanha de Raquel deu inicio à propaganda na TV e rádio, na data oficial, utilizando, para isso, imagens de arquivo que foram captadas ao longo do 1º turno.

Avalanche de apoios
Tão logo foi conhecido o resultado das urnas, começaram a chover apoios para a candidata Raquel Lyra a governadora e Priscila Krause a vice-governadora de Pernambuco, de mais de 500 lideranças políticas, entidades de diversos partidos, políticos eleitos ou não, ex-políticos, deputados e ex-deputados federais e estaduais, lideranças empresariais de vários segmentos, prefeitos, ex-prefeitos, vereadores, ex-vereadores, presidentes de Câmaras, de partidos de diversos municípios e diversas associações.
Entre os nomes mais conhecidos dos pernambucanos, os primeiros a declararem apoio a Raquel Lyra no 2º turno foram Miguel Coelho, Jarbas Vasconcelos, Mendonça Filho e Raul Henry.
A cada momento, chegam mais informações de novos nomes para aumentar a lista dos apoios o que mostra que a coligação de Raquel Lyra (Federação PSDB–Cidadania/PRTB), Pernambuco Quer Mudar une todo o Estado, de ponta a ponta, de todas as regiões, mostrando um crescimento consistente e plural.
Recife escolheu Raquel
Na reta final do 1º turno, Pernambuco tinha uma única certeza: que Marília disputaria o 2º turno. As últimas pesquisas mostravam os outros quatro candidatos competitivos empatados. A pesquisa do IPEC na penúltima semana apontou Raquel, Anderson, Danilo e Miguel empatados com 11%.
O cenário apertado ampliou a importância do Recife, com muitos experts de Política afirmando que o adversário de Marília seria escolhido pelo Recife. E assim aconteceu.
Raquel desbancou os outros concorrentes - inclusive Marília - e venceu no Recife com 222.431 votos (24,33%).
Este resultado só confirma o que todo mundo já está sabendo: Recife não aguenta mais a esquerda que governa a Capital e o Estado e Marília, mesmo querendo se mostrar como ‘a representante de um novo tempo’ não tem nada de novo.
E pelo que se vem assistindo, desde o dia da eleição, Pernambuco também cansou e, como expressa a denominação da coligação de Raquel Lyra, realmente Pernambuco Quer Mudar.
Essa história do ‘foi ele que fez’ já está batida e surrada. O mote ‘foi Geraldo Júlio que fez’ já havia se tornado piada e o pessoal de Danilo não se tocou que a verbalização da campanha teria que ser outra.
Porque em determinado momento, para os mais leigos, deu a entender que Eduardo Campos não fez nada, mesmo com a grande administração que promoveu nas suas duas gestões. O que se via na propaganda política de Danilo - e o que queriam da a entender -, é que ele foi quem fez tudo: escolas, estradas, desenvolvimento do Estado, tudo ‘foi Danilo que fez’.
E aí, para os menos incautos, isso se mostrou como falácias.
Importância para Caruaru
Para Caruaru, a vitória de Raquel será muito importante. Afinal, a ‘Capital do Agreste’ só conseguiu eleger um representante para a Alepe, aliás, uma representante, Rosa Amorim (PT), nascida no Assentamento Normandia (em Caruaru), mas que há anos vive no Recife, onde cursa Teatro na UFPE.
Para a Câmara Federal nenhum caruaruense foi eleito ou reeleito. Quem se apresenta - inclusive já com outdoors espalhados pela cidade -, como o único federal de Caruaru reeleito é Fernando Rodolfo (PL), não procede, pois ele nasceu em Garanhuns.
Uma realidade de sua reeleição é que, com 60.088, ele saiu das urnas como um dos dois representantes de todo o Agreste.
A responsabilidade maior agora é, portanto, dos caruaruenses, que elegeram e reelegeram Raquel como sua prefeita, nas duas últimas eleições municipais, inclusive com uma grande aprovação.