A 1ª vez que se ouviu falar mundialmente em ensino à distância, não foi nada parecido com o que temos hoje em dia. Isso porque aconteceu em 1928. E, claro, nessa época não tínhamos tanta tecnologia como temos hoje.
Já no Brasil, o 1º contato que tivemos com o EAD foi ainda antes. Em 1904, em um jornal, era oferecido um curso voltado para datilografia por meio de correspondência. O público-alvo era quem estava interessado em se especializar em profissões ligadas à indústria.
A partir daí, fomos nos atualizando. Vieram as aulas via rádio, via televisão, via disquete etc, até chegar no modelo de EAD que conhecemos hoje.
Em 1996, instaurou-se a lei n.º 9.394, que regulamentou e tornou válida a educação à distância para todos os níveis de escolarização, porém foi só em 1999 que o MEC (Ministério da Educação) credenciou o ensino superior ao EAD que é, hoje, a melhor forma de disseminar conhecimento em massa.
Uma pesquisa da Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (ABMES) fez uma projeção de que em 2023, no Brasil, teremos mais alunos matriculados no ensino à distância do que na modalidade presencial. Isso acontece porque as pessoas já foram submetidas a essa modalidade e viram que dá certo. Perdeu-se o medo do desconhecido. E também porque existem muitas vantagens em estudar EAD.
É uma alternativa interessante para quem precisa de flexibilidade para estudar. Você consegue adquirir conhecimento sem a necessidade de se deslocar.
Para quem trabalha em período integral e procura aperfeiçoar-se também é uma vantagem não ter que pensar em tempo de deslocamento.
A mensalidade também costuma ser mais barata, pois, afinal os gastos com infraestrutura diminuem também (diferentemente das aulas presenciais que acontecem remotamente em períodos de pandemia), não sendo necessários se gasta com deslocamento (combustível ou transporte), com comida fora de casa.
O estudante tem a liberdade de rotina estabelecida por ele mesmo, sem depender de estar em um mesmo ambiente que o professor, no mesmo horário.
Para estudantes que já estão inseridos no mercado de trabalho ou que já têm uma 1ª graduação presencial, a graduação presencial não costuma ser uma prioridade. Para eles, é muito mais vantajoso cursar on line, pois essa modalidade permite conciliar facilmente os estudos com outros compromissos.
O que se deve pensar antes de se matricular em uma graduação EAD:
À distância, o estudante precisa ser muito mais autossuficiente, ter um perfil mais individual. É certo que é bastante tentador ter a autonomia para decidir os dias e horários para dedicar-se aos estudos, mas é importante lembrar que é preciso ter disciplina para conseguir se organizar e absorver o conteúdo.
É uma modalidade que exige bastante foco, pois ninguém estará te monitorando atrás da tela do computador para te ajudar a prestar atenção na aula.
Lembrando que na modalidade presencial você não é dono da sua agenda, você precisa seguir o cronograma da faculdade.
Cuidados
Antes de optar entre o presencial ou EAD, é importante o candidato checar se os cursos são reconhecidos pelo Ministério da Educação (MEC) porque, quando os cursos EAD são reconhecidos pelo MEC, o diploma emitido é igual ao de uma graduação presencial.
Crescimento
As matrículas no ensino à distância cresceram muito no 1º ano da pandemia, aumentando consideravelmente a evasão em instituições superiores.
O crescimento do número de matrículas no ensino superior na modalidade de ensino a distância (EAD) aumentou 7,7 pontos percentuais de 2019 para 2020, saltando de 19,1% para 26,8%. Com queda de 3,8% em 2019, as matrículas para cursos presenciais diminuíram ainda 5,6 pontos percentuais, chegando à queda de 9,4% em 2020.
Os dados são do Mapa do Ensino Superior no Brasil 2022, que apresenta dados gerais do setor no país, de instituições de ensino superior (IES) privadas e públicas, e realizado pelo Instituto Semesp.
De acordo com a instituição, pela 1ª vez na história da coleta de dados do Censo do Ensino Superior, o número total de ingressantes no EAD (2 milhões) ultrapassou o presencial (1,75 milhão). Os ingressantes na modalidade presencial tiveram queda de 13,9%, e os do EAD aumentaram 26,2%. Os ingressantes correspondem aos calouros, enquanto os dados referentes a matrículas incluem estudantes de todos os períodos.
O total de matrículas - presenciais e EAD - no país cresceu 0,9% de 2019 para 2020. O número de matrículas feitas no período aumentou em 11 Estados, com o Rio de Janeiro apresentando a maior alta (8,6%), seguido por Espírito Santo e Santa Catarina, empatados com 5,9% de acréscimo de estudantes. Amapá, Ceará, Paraná, Pernambuco, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Rondônia e São Paulo também registraram crescimento do número de matrículas.
Diminuição de riscos para os estudantes. Redução de gastos para as Prefeituras
Outro fator que tem que se levar em consideração é que, como a maioria dos municípios não têm faculdades, ou não têm uma faculdade que ofereça o curso que o aluno busca, existe hoje um grande deslocamento de alunos de pequenas cidades para centros maiores, às vezes não tão próximos de onde residem.
Para os alunos, principalmente os que trabalham durante o dia, é uma ação muito cansativa e, por conta disso, muitos desistem no meio do caminho.
A grande maioria utiliza ônibus escolares que são disponibilizados pelas Prefeituras.
A Constituição Federal de 1988 dispôs sobre a educação elevando-a à categoria de princípio e de pilar para o desenvolvimento da sociedade brasileira, indicando, como objetivo precípuo, o pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho, destacando entre os princípios apontados para o desenvolvimento do ensino, a promoção de ações que assegurem a igualdade de condições para o acesso e a permanência à escola.
Reduzindo-e o número de alunos que necessitam se locomover para outras cidades, concomitantemente, a Prefeitura pode reduzir sua rota e empregar as verbas em outros segmentos ou, até, na própria educação no município.
O grande – e grave – problema é que, geralmente, o transporte disponibilizado para essas locomoções dos estudantes é feito através de uma frota totalmente envelhecida e sem a manutenção frequentemente necessária.
Em Pernambuco, 99% dos ônibus escolares estão sem condições mínimas de funcionamento, segundo o TCE, de acordo com fiscalização realizada recentemente, que analisou a qualidade do transporte escolar oferecido pelos municípios e, deste total, 96% não possuem o selo de inspeção emitido pelo Detran-PE.
Na ocasião, foram inspecionados 831 veículos dos 183 municípios de Pernambuco, exceto o Recife. Nos dados divulgados, 62% dos condutores não possuem curso para condução de ônibus escolares, 22% dos condutores apresentam irregularidades com habilitação, 67% dos veículos apresentam problemas nos cintos de segurança, 78% dos ônibus possuem irregularidades no tacógrafo e 30% dos veículos estão com pneus carecas.
Idade dos veículos fiscalizados:
0 a 5 anos: 184 (22,14%) 16 a 20 anos: 56 (6,7%)
6 a 10 anos: 217 (26,11%) 21 a 30 anos: 83 (10%)
11 a 15 anos: 248 (28,84%) Acima de 30 anos: 43 (5,17%)
Ou seja, a locomoção do estudante passa a ser um risco de vida.
Somente à guisa de informação, apresentamos um resumo de 3 acidentes ocorridos este ano, nas estradas pernambucanas:
1. Em 11/03/2022: Um ônibus escolar tombou e deixou três estudantes mortos e outros feridos no fim da tarde da sexta-feira (11/3). O acidente aconteceu na Vila do Vitorino, Zona Rural de Riacho das Almas, no Agreste de Pernambuco. A informação foi confirmada pelo Corpo de Bombeiros e o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), que foram acionados até o local para fazer o socorro das vítimas. Não foi informado, na ocasião, quantos estudantes estavam no veículo. que foram até o local.
2. Em 18/03/2022: Um acidente envolvendo um micro-ônibus da frota escolar municipal de Vicência, na Zona da Mata Norte de Pernambuco, ocorreu na tarde da quinta-feira (17/03). Imagens enviadas para o WhatsApp da TV Globo mostram que alguns alunos precisaram pular pela janela para sair do veículo. Ninguém ficou ferido no acidente, que aconteceu em uma estrada que liga Vicência ao povoado de Borracha, de acordo com a Prefeitura.
3. Em 11/10/2022, um ônibus escolar e um caminhão bateram de frente, deixando 17 feridos, em Lagoa de Itaenga. O acidente aconteceu em Sítio Camboa, na Zona Rural do município. Segundo informações da Prefeitura, a maioria das pessoas sofreu escoriações.
Veja vídeos abaixo: