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Bolsistas da UFPE desligados neste momento de pandemia pedem socorro

Os estudantes estão passando por seriíssimas dificuldades e esta ação da Reitoria da Universidade Federal de PE os atingiu abruptamente, inclusive impedindo-os de continuarem seus estudos

Marcos Lima
Por: Marcos Lima Fonte: Redação Portal Difusão Total
30/03/2021 às 19h29
Bolsistas da UFPE desligados neste momento de pandemia pedem socorro
Campus Recife da UFPE (Foto: Ascom UFPE/Divulgação)

 

 

No momento mais crítico da pandemia, em que a taxa de desemprego é assustadora e as ações assistencialistas do governo são aquém do minimamente aceitável, uma importante fonte de renda dos estudantes mais vulneráveis é subtraída: as bolsas de desenvolvimento profissional.

Muitos estudantes não conseguem ser diretamente contemplados pela política universitária de assistência, de forma que se sujeitam a trabalhar para a Universidade, mesmo sem a menor proteção legal.

Os editais de bolsa de desenvolvimento profissional não reconhecem a natureza trabalhista desta relação, onde vários bolsistas têm atribuições de servidores e não têm sequer a equiparação com os estagiários.

Como se não bastasse a histórica violação de direitos, na última semana dezenas de bolsistas foram surpreendidos pelo corte de suas bolsas sem ao menos serem previamente avisados.

Muitos estudantes conseguem manter a alimentação e moradia (não suficientes, é claro) através desta bolsa de R$ 382,00 (que não sofre reajuste há quase 10 anos), e precisam deste apoio para darem continuidade aos seus cursos e conseguirem se formar.

Diante disto, nesta segunda-feira (29/03), foi organizado um ato de protesto pela manhã, com a participação de cerca de 15 estudantes.

“O que se dá é o seguinte: a Reitoria, através de suas pró-reitorias, lançaram no início do semestre um recadastramento de bolsistas de desenvolvimento profissional, um tipo de bolsa ainda comum na UFPE, em que o estudante desenvolve atividades administrativas e de atendimento ao público em geral. Poucas semanas após a conclusão desses recadastramentos, alguns colegas desse tipo de bolsa foram chamados pra reuniões on-line com menos de 24h de convocação. Nessas reuniões, os estudantes foram surpreendidos com a informação de que a finalidade das mesmas era um agradecimento pelo serviço prestado e que o estudante receberia esse mês e o próximo, e seria desligado”, explica a estudante de Geografia e coordenadora da área 01 no Diretório Central dos Estudantes da UFPE, Maria Elaine.

Bolsistas na concentração para o protesto em frente à Reitoria da UFPE

No ato de ontem, os manifestantes foram recebidos por dois assessores do reitor Alfredo Gomes, momento em que eles afirmaram que não poderiam solucionar imediatamente a situação e explicaram alguns critérios que usaram para os desligamentos, o que ainda está confuso para os estudantes. Prometeram usar de toda sensibilidade para transmitir o que ouviram para o restante da gestão e se incumbiram de conseguir marcar uma reunião da gestão com representações estudantis.

No início da pandemia, a Reitoria prometeu que não cortaria nenhuma bolsa em meio à crise do Covid-19 e, no entanto, hoje já são quase 60 estudantes desligados.

Segundo informações de outros estudantes, mesmo com o ato ontem as demissões continuaram. De ontem pra hoje mais 3 deles foram desligados sendo que, dessa vez, não os convocaram para uma reunião para agradecer o trabalho realizado. A informação foi passada pelos coordenadores dos setores em que esses bolsistas trabalham, através de ligações.

Segundo informações de outros alunos, que participaram do ato e temem se identificar, temendo represálias, no ano passado, quando a atual gestão tomou posse, houve um problema também envolvendo orçamento, e eles não receberam a bolsa dentro do prazo correto. Na oportunidade, foram informados pelos reitor e assessores, que era um risco muito grande para a universidade ter esse tipo de bolsista, já que não são acobertados pela Lei do Estágio. Ontem, no diálogo com os estudantes que participaram do protesto, alegaram que as demissões estão ocorrendo para que haja uma reestruturação desses bolsistas num projeto futuro.

“Nossos pedidos são sensíveis e claros para a Reitoria da Universidade: é desumano deixar estudantes pobres entregues à própria sorte, numa segunda onda pandêmica que atinge muito mais as pessoas de 20 a 35 anos, num país sem oportunidades de emprego, estabilidade política e vacina. Pedimos, portanto, que os bolsistas desligados sejam reintegrados e que seja mantida a bolsa de todos, pelo menos até toda essa crise pandêmica ter um fim”, é o que pede a estudante Maria, em nome de todos os que foram atingidos por outra vírus: o vírus da falta de sensibilidade.

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