

Não puxamos as rédeas
Por Marcos Lima
Choro a dor da desesperança
Choro a dor da incerteza
De não saber como meus filhos e netos
Viverão amanhã.
Como explicar para eles
Que tudo foi culpa nossa?
Porque aceitamos,
Porque nos calamos,
Porque não assumimos
O clamor pelas mudanças.

Por isso eu choro a descrença
Choro o abandono
A que nós, o povo, fomos submetidos
E arremessados.
O que somos nós?
Somos nós que fazemos o nosso País.
Somos nós que geramos os impostos
E tributos que pagam tudo
Inclusive as regalias dos poderosos
Com a força do nosso trabalho.
Somos tudo sem sermos nada
Somos a água parada
Fera que a ninguém mais amedronta
Somos o fundo do poço
Somos a última gota do osso
Que alimenta a turba faminta e tonta.


Somos o que não queríamos ser
Mas o somos porque quisemos
Ou porque não quisemos ver
A hora de puxar as rédeas
E não deixar o cavalo correr.
Agora, só nos resta aguentar...
ou morrer.