Por Marcos Lima
O Clube Náutico Capibaribe, atendendo a uma indicação do Conselho Deliberativo do clube, concedeu na última terça (10) o título de Sócio Grande Benemérito a Américo Pereira e o de Sócio Benemérito a Eduardo Araújo, em evento realizado no Timbuzone, novo espaço de convivência do Estádio Eládio de Barros Carvalho.
De acordo com Alexandre Carneiro, presidente do Conselho Deliberativo, a homenagem é uma reparação e o reconhecimento a Américo Pereira e Eduardo Araújo pelos muitos anos de amor e serviços prestados ao Náutico.
“Os dois contam com a admiração e o respeito de toda a família alvirrubra. A aprovação por unanimidade dos títulos e a presença de vários ex-presidentes e conselheiros são a prova disso. Alguns que não puderam comparecer fizeram questão de enviar mensagens, como Marcos Freitas, Ivan Brondi e Ricardo Valois. Este momento mostra que é possível construir unidade em torno de pautas importantes”, destacou.
“O Náutico recebe os agraciados de braços abertos e continuará contando com eles, agora na condição de Sócio Grande Benemérito e Sócio Benemérito, e de todos que estão à frente do clube, para conquistar novas vitórias”, ressaltou o presidente do Executivo, Diógenes Braga.
Américo Pereira, na realidade, sempre foi um torcedor apaixonado pelo clube alvirrubro. Seu amor transcendia o imaginário.
Entre algumas histórias – verdadeiras, diga-se de passagem – da sua ligação com o grêmio da Rosa e Silva, recentemente Lenivaldo Aragão relembrou uma que foi motivo até de gozação no Programa do Jô. Gozação que aconteceu para os demais clubes envolvidos porque, para o Náutico, tratou-se de uma das maiores e mais lucrativas transações envolvendo negociações de atletas pernambucanos.
Conta Lenivaldo:
Américo Pereira, o mais novo Grande Benemérito do Náutico, título concedido pelo Conselho Deliberativo alvirrubro @cd.nautico , foi o responsável por uma das mais bem sucedidas negociações que o Timbu realizou em sua centenária história.
Eu, que convivi com o homenageado alvirrubro durante muitos anos, trabalhando em sua empresa, presenciei muitas outras histórias que dariam um livro muito interessante, como a iniciativa de trazer um tricampeão mundial, Carlos Alberto Torres, para dirigir a equipe dos Aflitos. Aliás, ele e o Capita eram amigos íntimos e Torres não cansava de contar o quanto Américo foi importante na sua transferência do Santos para o Fluminense, o que se deu porque Américo era muito querido pelos dirigentes de clubes nacionais e um deles era justamente Francisco Horta, presidente do tricolor carioca.
Américo também empregou seu irmão gêmeo, Carlos Roberto Torres, como Gerente Comercial de sua empresa, na filial do Rio de Janeiro. Eu, inclusive, um ano antes de os irmãos gêmeos falecerem, fiz uma belíssima matéria na residência do Capita, sobre este fato pouco conhecido dos torcedores: de que ele tinha um irmão gêmeo, aliás, o meu compadre Carlinhos, padrinho de minha segunda filha, Vanessa.
Em face da homenagem aos dois grandes alvirrubros, muitas histórias foram relembradas e muito se escreveu sobre ambos desde o dia 10 passado.
Um belo artigo do jornalista Claudemir Gomes, que transcrevemos a seguir, é outra pérola das histórias de Américo.
BENEMERÊNCIA
Artigo de Claudemir Gomes
“Lugar de alvirrubro é nos Aflitos!”
A Sessão Solene do Conselho Deliberativo para a entrega dos títulos de Sócio Grande Benemérito, para Américo Pereira, e de Sócio Benemérito para Eduardo Araújo, foi um acontecimento histórico que fez o complexo socioesportivo do clube alvirrubro pulsar, com a presença de amantes de várias camadas sociais.
Mais que uma reunião para justas e merecidas homenagens, o momento ecoou como um grito de alerta: “O Náutico vive!”.
A solenidade aconteceu no novo espaço dos Aflitos: o Timbuzone. O equipamento, que tem como proposta atrair o sócio para vivenciar o espaço de convivência, aumentando a oferta de entretenimento e lazer do clube, traz para o Recife um modelo adotado, e que vem sendo desenvolvido por grandes clubes do Brasil e do exterior.
Américo Pereira é um dos maiores construtores de pontos da história do Náutico. Tal fato, por si só, lhe torna merecedor de todas as honrarias. O título de Sócio Grande Benemérito é outorgado a quem tem grandes serviços prestados ao clube; mais de 30 anos de registro como sócio, e a solenidade de entrega deste título honorífico só acontece a cada cinco anos.
Atualmente, apenas Américo Pereira e Ricardo Breno Rodrigues – Cacá – sócio mais antigo do clube, e que presidiu a solenidade, possuem este título.
Eduardo Araújo foi homenageado com o título de Sócio Benemérito. Com um networking invejável, é uma das figuras mais politizadas da recente história do Náutico, onde segue tendo uma atuação efetiva nos bastidores do clube.
O momento solene foi aproveitado pelo sócio, Paulo Monteiro, que sugeriu ao Conselho Deliberativo a entrega dos títulos de Presidente de Honra do Executivo ao ex-presidente, Viberto de Melo Rego, e de Presidente de Honra do Conselho a Ricardo Breno Rodrigues – Cacá. A proposta foi encaminhada e segue em tramitação para análise e aprovação dos conselheiros.
A presença de Ricardo Breno Rodrigues – Cacá – 89 anos, com deficiência visual, presidindo a solenidade, foi o maior testemunho de amor, dedicação e entrega de um amante ao seu clube de coração. A história de Cacá se confunde com a história do Náutico. Com conhecimento de quem vivencia a agremiação há décadas, e uma memória elogiável, ele foi cirúrgico em todas as colocações. Serviu doses da medida certa de sentimento que ainda são a sustentação, o alicerce, num clube que tem o futebol como órgão vital.
Ao convocar todos os presentes para, unidos, entoarem o grito de guerra – N – A – U – T – I – C – O – Américo Pereira reiterou a frase antológica:
“Se o Náutico falasse pediria paz e união!”.