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WhatsApp enviado por Bolsonaro pode livrá-lo da acusação de golpe

Polícia Federal produziu relatório que enfatiza resposta de Bolsonaro no WhatsApp ao ser avisado sobre plano golpista em trama contra Moraes

Marcos Lima
Por: Marcos Lima Fonte: Redação do Portal Difusão Brasil
15/09/2023 às 09h46
WhatsApp enviado por Bolsonaro pode livrá-lo da acusação de golpe
Bolsonaro lê conversas no WhatsApp em celular sentado na bancada do plenário da Câmara dos Deputados (Foto: Lula Marques/ Divulgação – Metrópoles)

 

Por Paulo Cappelli, em sua coluna no Metrópoles.com

 

Em relatório apresentado ao ministro do STF, a Polícia Federal (PF) citou o referido “zap” como um indício de que Bolsonaro não teria participado do suposto plano, que também levou à condição de investigados o ex-deputado Daniel Silveira e o senador Marcos do Val. 

Montagem com pessoa segurando celular com logo do WhatsApp na tela sob foto do presidente Jair Bolsonaro. WhatsApp enviado por Bolsonaro pode ser "antídoto" para escapar de acusação (Foto: Fábio Vieira/Metrópoles)

No documento produzido pela Diretoria de Investigação e Combate ao Crime Organizado, a PF enfatizou uma troca de mensagens entre Bolsonaro e Do Val, de 2 de fevereiro deste ano. Na ocasião, o senador mandou ao ex-presidente prints de conversas dele próprio com Daniel Silveira e com Alexandre de Moraes. 

O ex-deputado Daniel Silveira na PF divergiu de Bolsonaro sobre Moraes (Foto: Daniel Silveira Igo Estrela/Metrópoles) Nos diálogos, Marcos do Val era incitado por Daniel Silveira a ingressar numa “missão” que poderia “salvar o Brasil”. O senador, por sua vez, avisava a Alexandre de Moraes sobre a suposta trama criminosa. 

Ao ler os prints enviados por Do Val, Bolsonaro respondeu apenas: “Coisa de maluco”. 

Imagem do senador Marcos do Val (Foto: Pedro França/Agência Senado)

 

PF aventa cenários

A falta de interesse de Bolsonaro no assunto e a crítica feita pelo ex-presidente chamaram a atenção dos investigadores. Obtido pela coluna, o relatório foi remetido a Alexandre de Moraes no âmbito do inquérito que corre no STF. Nele, a Polícia Federal descreveu três cenários possíveis. 

No primeiro, a PF vislumbrou “a possibilidade de que Daniel Silveira, para conferir importância e credibilidade inexistentes à sua malfadada orquestração de um golpe de Estado, estivesse se utilizando do nome de Jair Bolsonaro”. 

No segundo, avaliou “a possibilidade de que em eventuais encontros entre Do Val, Silveira e Bolsonaro - se de fato existentes - hajam tratado de assunto diverso do revelado nos prints encaminhados (orquestração de um golpe de Estado)”. 

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (Foto: Vinícius Schmidt/ Metrópoles)

E, na última hipótese, a Polícia Federal cogitou a possibilidade de ter havido “atuação de caráter absolutamente ambíguo de Marcos do Val, que parecia valer-se de prints de conversas com as mais altas autoridades da República para, colocando-as umas contra as outras, angariar prestígio pessoal e político”. 

Se nenhum batom na cueca surgir ao longo do inquérito, a resposta dada por Bolsonaro a Do Val tende a favorecer o arquivamento do caso. 

Os cenários foram descritos pela PF antes da delação de Mauro Cid. Novas informações, claro, podem alterar o rumo das investigações. 

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