Por Bira Tavares (*)
Recife é minha cidade natal, a cidade que eu amo e que tenho interesse em vê-la cada vez mais bela, mais acolhedora, mais aconchegante e mais segura, tanto para nós - seus filhos -, como para aqueles que a visitam, sejam de outros municípios de Pernambuco, do Brasil ou do resto do mundo.
Hoje, temos um prefeito que demonstra o interesse em melhorar nossa cidade, no entanto, mesmo passados 3 anos de sua gestão, muita coisa ainda está por fazer. Algumas dessas teriam que ser realizadas imediatamente, no primeiro ano de sua gestão.
Afinal, ele é natural desta cidade, muito bem cognominada de Veneza Brasileira, e a conhece muito bem, conhecendo as suas grandes necessidades.
Como ando sempre observando tudo em nossa cidade, elenco aqui algumas dessas coisas que ainda estão muito aquém do que a população precisa, do que nós todos - recifenses -, precisamos.
1. SEGURANÇA
Para uma cidade que quer reconquistar a posição de “porto e porta de entrada do Nordeste”, para capitais menores, inclusive, este é um item de extrema importância.
Não foi o primeiro e nem tampouco foi o último. Antes e depois tivemos outros casos da mesma natureza, inclusive passados pouco mais de 3 meses, tivemos um caso idêntico e nas mesmas imediações, quando uma turista argentina de 68 anos ficou ferida durante um assalto no dia 16 de março, quando ela e o marido, que também é argentino, foram assaltados após desembarcarem de um cruzeiro turístico, no Porto do Recife. O casal estava passeando no Centro da capital pernambucana quando dois homens abordaram as vítimas na Rua das Flores, no bairro de Santo Antônio.
Casos como esses depõem contra nossa cidade e causam temores nos turistas que pretendem conhecer a capital pernambucana.
Como o assunto diz respeito à prefeitura e ao governo do Estado, acreditamos que basta o prefeito e a governadora sentarem novamente à mesa de um dos palácios, o das Princesas ou o Capibaribe Antônio Farias, discutirem e tomarem juntos providências para sanar, de uma vez por todas, este problema. Durante o Réveillon de 2023 essa união se mostrou eficiente e eficaz e quase não houve nenhum registro de violência, apesar do grande número de presentes na virada do ano. E, recentemente, eles sentaram novamente para discutir sobre o Carnaval e temos certeza que será novamente tranquilo.
Então, que se sentem para resolver os problemas do ano todo, se não zerando pelo menos reduzindo os índices de violência no Estado, na Capital e, sobretudo, no centro do Recife.
2. MENDIGOS
No mundo inteiro a situação de mendigos espalhados pelas principais cidades é alarmante, uma prova inconteste de que a fome e a miséria estão por toda parte - já presenciei isto em Buenos Aires, na Argentina, que já foi muito melhor neste assunto, pois em 2001 quando lá estive, durante 6 dias passados lá, não vi um mendigo nas ruas ; em Vancouver, no Canadá, durante os Jogos Olímpicos de Inverno; em Gotemburgo, na Suécia.
Obtive informações de que a Prefeitura de Recife criou alguns abrigos na cidade mas que, na hora de retirar os mendigos das ruas eles não aceitaram ir para um abrigo. Aí, acredito, que deve entrar a lógica: se não quer ir par ao abrigo, onde terá apoio, alimentação, cama mais confortável que as calçadas, roupas limpas e outras melhorias, nas ruas também não pode ficar. O que não pode continuar é as principais ruas da cidade ficarem cheias de mendigos, além de vândalos, desocupados, marginais, amedrontando, assaltando e até ferindo e matando pessoas.
Ocorre que muitos desses têm moradia. Simples, mas têm. Têm um teto, mas preferem ficar na rua onde, de alguma forma, sempre tem alguém que dá uma esmola, alguns grupos fazem mutirões de ação social e assim eles vão vivendo e - infelizmente -, causando apreensão aos transeuntes pois nunca se sabe se são mendigos ou bandidos.
Mas tem que se resolver e tirá-los das ruas, isso tem que ser feito. E também depende de parcerias da Prefeitura com o Governo do Estado.
Maria José Cavalcanti mora na Praça Dezessete, no Centro do Recife. ele afirma que prefere dormir na rua a ir para um abrigo noturno da prefeitura.
"Porque no abrigo não vai ser minha família, minha casa. Não vou poder assistir à televisão que eu quero. Assisto sempre no meu celular. É melhor estar na rua", declarou.
3. VANDALISMO
Nós vemos uma notícia como esta:Prefeitura do Recife irá recuperar monumentos que foram alvo de vandalismos e furtos - Em publicação nas redes sociais o prefeito João Campos anunciou brevidade na reposição dos monumentos e os orçamentos já foram solicitados aos artesãos. Gastos com manutenção ocasionada por vandalismo ultrapassam R$ 2 milhões anuais. Apenas o Parque de Esculturas de Brennand recebeu investimentos da ordem de R$ 5,5 milhões
Recentemente, cinco obras emblemáticas da cidade foram alvo de ações criminosas, todas com peças feitas em bronze, e serão repostas com brevidade. Entre elas, o Busto de Frei Caneca, no Bairro de São José. O anúncio foi feito pelo prefeito João Campos.
“Eu tô aqui no local ao lado do Forte das Cinco Pontas onde ficava o busto de Frei Caneca, que foi furtado de maneira criminosa neste final de semana. Nós vamos refazer o busto porque jamais deixaremos esquecidos ou negligenciados os heróis que ajudaram a construir o nosso Estado. É importante que a gente denuncie qualquer ato de vandalismo, qualquer ato criminoso”, ressaltou o prefeito.
Por isso, a gestão municipal conta com o apoio da população na manutenção do patrimônio público.
Não é o apoio da população que irá acabar com esses atos de vandalismo. Até porque, a população só pode denunciar quando acontece.
Com policiamento, com a parceria do Governo do Estado para, juntos, evitarem tanto gasto com recuperação de tudo que os vândalos, criminosamente, destroem.
Urge que se unam a Prefeitura do Recife, a Câmara Municipal do Recife e o Governo do Estado para discutirem, deliberarem e resolverem, de uma vez todas, esta situação.
4. RECIFE ANTIGO
Já foi bem melhor. Na gestão de Jarbas Vasconcelos, nos anos 80, ele promoveu o Plano de Reabilitação do Bairro do Recife, onde a movimentação e a visitação, de nativos e turistas, eram bem superiores.
O prefeito João Campos tem trabalhado neste sentido, no entanto, além de não ter ainda atingido o mesmo nível, existem problemas que, certamente, ele não tem ciência nem seus assessores lhe informam. E são muitos.
Um desses, diz respeito à segurança. Além dos riscos comuns em toda a cidade, quem se aventura a ir de carro ao Recife Antigo, ao chegar lá é perseguido por vários flanelinhas, que incomodam e, muitas vezes, ameaçam os visitantes, tudo sob o olhar complacente da Guarda Municipal e de policiais que por lá transitam.
Dois casos envolvendo crimes cometidos por esses “guardadores” vieram à tona recentemente: as ações de dois “flanelinhas” foram noticiadas pela mídia: no primeiro caso, um flanelinha danificou o carro de um turista na Praia de Porto de Galinhas, em Ipojuca, após o proprietário do veículo não ter dado a devida atenção na hora em que os serviços foram oferecidos; o segundo caso foi de um outro flanelinha foi preso após tentar extorquir um casal de delegados que estava estacionando o carro no bairro do Espinheiro, no Recife.
No segundo caso, o acontecimento se deu contra um casal de delegados que tem o poder de dar voz de prisão. E quanto aos visitantes comuns, eu e você, como terminaria esse caso? Apesar de que, nesse caso, os delegados têm realmente esse poder e o dever de daar a voz de prisão, mas, em se tratando de flgrante delito, qualquer cidadão pode dar voz de prisão. O problema é que a maioria não sabe disso, e os que sabem muitas vezes não querem correr o risco de dar voz de prisão a alguém que está cometendo o delito e essa pessoa estar armado - ou mesmo - sem arma e, além de não acatar, ainda por cima se voltar contra quem está lhe dando voz de prisão.
Naquele ano, o prefeito do Recife era Geraldo Júlio e o governador era Paulo Câmara. Ambos do mesmo grupo político, do mesmo partido. Hoje, prefeito e governadora são de grupos políticos diferentes, de partidos diferentes. Mas, em ambas as épocas, a população era a mesma, a necessidade de segurança era a mesma, e a obrigação dos gestores de administrarem a cidade e o Estado também é a mesma.
5. BAIRROS DE SANTO ANTÔNIO E SÃO JOSÉ
(*) Bira Tavares
é empreendedor educacional