
Bom dia, meu filho!
Sonhei com você. Em seu tempo de menino menor. Uns três anos, por aí. Brincava de correr. Como correm os meninos felizes aos três anos. Descobrindo seus dotes de aventureiro, exibindo seu riso frouxo, desvendando mistérios contidos entre um degrau e outro de uma calçada de parque.
E ria, você menino, no sonho. E me olhava a cada volta da corrida. E eu via sua alegria e continha meus receios de pai. Deixa estar! O menino e suas descobertas.
Num dado momento, algo atingiu sua perna e você sentou-se ao chão, levando as mãos até o machucado e iniciando um choro.
Choro de menino com dor. Choro desses que deixa o coração de pai aflito que nem corredeira de Rio.
Corri em tua direção. E na corrida o sonho foi interrompido pelo meu despertar.
Custei a voltar a dormir, orei pelo teu bem estar enquanto aguardei, contando os minutos, para o amanhecer.
Hoje, justo hoje, ele demorou mais a acontecer porque chove lá fora.
Gabriel, meu filho, assim que possa, me chame e ria o seu riso de menino comigo ao telefone, ou escreva seu riso numa mensagem de WhatsApp, ou qualquer coisa assim.
Algo que me faça inferir que o fim do sonho seria um beijo no machucado, um abraço em ti, no meu colo, e aquela frase que serve de alívio e conserta tudo: Vai passar, filho!
Um beijo. Boa quinta, te amo!

(*) Inorbel Maranhão Viegas
é cronista, poeta, jornalista e escritor.