Recife é a cidade que eu amo, a cidade onde eu nasci e nutro o maior interesse em vê-la cada vez mais bela, mais acolhedora, mais aconchegante e mais segura, tanto para nós - seus filhos -, como para aqueles que a visitam, sejam de outros municípios de Pernambuco, de outros Estados do Brasil ou de qualquer parte do resto do mundo.
Não podemos negar que o atual prefeito, João Campos, realizou algumas obras no intuito de melhorar nossa cidade. Aliás, o mínimo que se faça, numa cidade que parou no tempo e no espaço há mais de 20 anos, é logo notado, porque há muito ela só desce uma ladeira descomunal, a ponto de ser sobrepujada, em vários segmentos, por cidades menores, como Aracaju, Maceió, João Pessoa e Natal. Nem cito Fortaleza e Salvador porque essas, há muito, já deixaram Recife para trás... muitos quilômetros.
Quanto ao que o atual prefeito fez pela cidade, isso é um fato normal. Afinal, ainda muito jovem, sem qualquer experiência administrativa - e ante a desconfiança de grande número de recifenses, mesmo daqueles que nele votaram -, ele teria que se desdobrar e mostrar serviço. O que virá nos próximos anos, em caso de ele se reeleger - como todos apostam, esquecendo-se que eleição e futebol só se comemora a vitória quando o juiz apita, ou quando se encerra a contagem dos votos - é uma incógnita. Afinal, todos nós esamos vendo que ele ainda não foi reeleito prefeito do recife, mas não tira os olhos do Govenro do Estado, pois em 2026, com toda a certeza, ele irá querer disputar com Raquel. Então, nos próximos 2 anos seu foco será esse e, automaticamente, não reeditará nos próximos 2 anos o que fez na primeir getão, além de não sabermos quem o substituirá, quando ele tiver que renunciar ao cargo de prefeito para se candidatar a governador de Pernambuco. Quem ficará no seu lugar? E quem ficar terá capacidade de resolver os problemas grandiosos, as necessidades abissais do Recife? Vale a pena apostar para ver?
Como gosto de andar por todos os cantos de nossa cidade, sempre observando tudo que a ela se relaciona, elenco aqui algumas das suas muitas necessidades, para voltar a reiniciar a corrida no intuito de tirar o atraso de duas décadas.
Segurança
Para uma cidade que quer reconquistar a posição de “porto e porta do Nordeste”, este é um item de extrema importância. Afinal, além da falta de segurança que já impera em todos os quatro cantos da cidade, da Zona Sul à Zona Norte, da Leste à Oeste, vemos aumentar a criminalidade, o número de mendigos espalhados pela cidade, causando uma triste impressão a quem chega e uma sensação de medo e insegurança por todos que têm que se deslocar pela cidade, principalmente pelo centro. São mendigos e precisam de nossa ajuda, da ação de todos em prol da redução das suas grandes necessidades, porém sabemos que no meio deles há infiltrações de um grupo que não é o que procur mostrar ser e cheios de màs intenções.
Recentemente, em pleno período momesco, um turista de 35 anos foi morto a facadas durante um assalto no bairro de Boa Viagem, na Zona Sul do Recife, na madrugada do dia 14/02, quando voltava de uma festa em Olinda. Talles do Couto Lemgruber Kropf, era do Rio de Janeiro e tinha saído da festa Carvalheira na Ladeira.
Um dos amigos dele, o engenheiro de produção Reinaldo Mendes Júnior, contou que o turista estava com um grupo de amigos no Carvalheira na Ladeira, quando os amigos decidiram voltar para a casa e o turista foi sozinho comer no Bar do Paulinho.
“A gente vem para se divertir e acontece esse pesadelo”, disse Reinaldo, um amigo do turista.
"Eu e ele estávamos no Recife desde o domingo (10), porque passamos o começo do carnaval em Salvador. Levaram o celular dele, mas não sabemos quem foi, nem quantas pessoas. Não sabemos de nada, não tem câmera de segurança", disse Reinaldo.
Casos como esses depõem contra nossa cidade e causam temores aos turistas que pretendem conhecer a capital pernambucana.
Mendigos
Entendo o quanto é difícil se administrar uma cidade grande como o Recife, com tantos problemas, com tanto tempo de abandono pelos governantes. Mas há certas coisas que são essenciais e requerem urgência nas suas soluções.
No mundo inteiro, a situação de mendigos espalhados pelas principais cidades é alarmante, uma prova inconteste de que a fome e a miséria estão por toda parte. Mas não podemos fazer comparações. Recife não merece ficar impassível diante do número crescente de mendigos, vagando pela cidade, a toda hora e a todo momento, pois, nos dias atuais, com a fome e o desemprego aumentando no mundo inteiro, a tendência é aumentar o número de mendigos e desocupados nas ruas, sobretudo nas grandes metrópoles. Mas é necessário que os governantes envidem todos os esforços para solucionar esse problema.
Segundo matéria do g1 PE, em setembro de 2023, o Recife tinha 1.806 moradores de rua, um contingente 30% maior do que o que se verificava antes da pandemia. Atualmente o número é bem maior e a maioria desse contingente são homens (75%), adultos (83%), de cor preta ou parda (80%), que nunca voltaram a viver numa residência desde que saíram da casa onde moravam (55%). Além disso, boa parte deles não sabe ler ou escrever (22%), é dependente de álcool e outras drogas (30%) e apresenta algum tipo de deficiência (41%).
Ocorre que muitos desses têm moradia. Simples, mas têm. Têm um teto, mas preferem ficar na rua onde, de alguma forma, sempre tem alguém que dá uma esmola, alguns grupos fazem mutirões de ação social e assim eles vão vivendo e - infelizmente -, causando apreensão aos transeuntes, pois nunca se sabe se são mendigos ou bandidos.
Maria José Cavalcanti mora na Praça Dezessete, no Centro do Recife. Ela afirma que prefere dormir na rua a ir para um abrigo noturno da Prefeitura: "Porque no abrigo não vai ser minha família, minha casa. Não vou poder assistir à televisão que eu quero. Assisto sempre no meu celular. É melhor estar na rua", declarou.
Vandalismo
Nós vemos uma notícia como esta: Prefeitura do Recife irá recuperar monumentos que foram alvo de vandalismos e furtos. Imediatamente, em publicação nas redes sociais, o prefeito João Campos anunciou brevidade na reposição dos monumentos e os orçamentos foram solicitados aos artesãos. Gastos com manutenção ocasionada por vandalismo ultrapassam R$ 2 milhões anuais.
Recentemente, cinco obras emblemáticas da cidade foram alvo de ações criminosas, todas com peças feitas em bronze, e serão repostas com brevidade. Entre elas, o Busto de Frei Caneca, no Bairro de São José. O anúncio foi feito pelo prefeito João Campos: “Eu tô aqui no local ao lado do Forte das Cinco Pontas onde ficava o busto de Frei Caneca, que foi furtado de maneira criminosa neste final de semana. Nós vamos refazer o busto porque jamais deixaremos esquecidos ou negligenciados os heróis que ajudaram a construir o nosso Estado”, ressaltou o prefeito.
Não é o apoio da população que irá acabar com esses atos de vandalismo. Até porque, a população só pode denunciar quando acontece.
Ora, uma conclusão é elementar: sai muito mais barato e seria muito mais eficiente, a prevenção. E como poderia ser feita essa prevenção? Com policiamento, e também buscando a parceria do Governo do Estado para, juntos, evitarem tanto gasto com recuperação de tudo que os vândalos, criminosamente, destroem.
Urge que se unam a Prefeitura do Recife, a Câmara Municipal do Recife e o Governo do Estado para discutirem, deliberarem e resolverem, de uma vez todas, esta situação. E aí a população poderá ver o interesse e o cuidado do Poder Público, sobretudo da Prefeitura do Recife - principal responsável - e também se engajar para denunciar essas ações.
Marisqueiros
As ZEIS são Zonas Especiais de Interesse Social, também chamadas de Áreas Especiais de Interesse Social (AEIS), são áreas demarcadas no território de uma cidade, para assentamentos habitacionais de população de baixa renda (existentes ou novos). Devem estar previstas no Plano Diretor e demarcadas na Lei de Zoneamento, quando houver. Podem ser áreas já ocupadas por assentamentos precários, e podem também ser demarcadas sobre terrenos vazios.
Como diretor da Universo, nos últimos 25 anos eu estive sempre próximo de uma dessas ZEIS, na Imbiribeira. Refiro-me à ZEIS da Ilha de Deus, uma localidade que tem autosufiência, em que eles são responsáveis pela própria sobrevivência e as de todos que ali habitam. em torno de 400 famílias, com aproximadamente 3.000 habitantes.
Onde eles vivem e cuidam dos viveiros que alimenta diretamente as famílias que lá habitam, ou indiretamente, com o resultado da venda dos mariscos e camarões que eles criam, pescam e vendem, é considerada uma área nobre do Recife, que já sofreu invasões de empresas imobiliárias e já há algumas construções erguidas, indo de encontro o que estabelecem as leis de defesa do Meio Ambiente.
Já tive a oportunidade de solicitar ao ministro André de Paula para estudar uma maneira de ajudar aquela comunidade, e ele ficou de estudar o que fazer.
Agora, neste momento, solicito ao governo do Estado e à Prefeitura do Recife, que estruturem a Ilha de Deus, para qeu seus habitantes possam ter uma vida mais digna, vivendo num ambiente mais saudável e seguro.
Recife Antigo
O bairro do Recife Antigo é um local aprazível para se passear, nos finais de semana, tomar uma cerveja, levar os filhos para andarem de bicicleta, de patins e outras coisas mais.
Já foi bem melhor. Na gestão de Jarbas Vasconcelos, nos anos 80, ele promoveu o Plano de Reabilitação do Bairro do Recife, onde a movimentação e a visitação, de nativos e turistas, eram bem superiores.
O prefeito João Campos não tem realizado ações que façam o Centro do Recife voltar a ser como já foi e como os recifenses gostariam que voltasse a ser. Existem problemas que, certamente, ele não tem ciência nem seus assessores lhe informam. E são muitos.
Ora, se nos finais de semana os estacionamentos não são cobrados pela prefeitura, então tem que se garantir a utilização livre pela população. E isto, naquele bairro como em vários outros de toda a cidade, só se consegue com policiamento ostensivo. E um policiamento que esteja preparado para coibir cobrnças e ameaças de flanelinhas, que cobram bem acima do preço real, para que se estacione na Zona Azul, porque os motoristas mesmo procurando não encontram onde adquirir créditos desses estacionamentos, nem são orientados que podem fazer pela internet, baixando um simples aplicativo. E essas cobranças os falnelinhas também o fazem nos finais de semana e feriados, em que os estacdionamentos são livres.
Bairros de Santo Antônio e São José
O abandono a que está relegado o centro da capital pernambucana, principalmente os bairros de Santo Antônio e São José, é algo inacreditável, inaceitável e que depõe contra a história do Recife e afasta as famílias do bairro que já foi especial para passeios, para idas ao cinema, encontros com os amigos em bares como o Bar Savoy, ou o lanche depois da sessão de cinema na Botijinha.
Com certeza, a falta de segurança é um dos fatores que afasta a população até mesmo do hábito anterior de fazer compras no centro do Recife. As pessoas andam pelos bairros de Santo Antônio, pelo circuito vuco vuco do bairro de São José e raramente se defrontam com agentes de segurança, sejam guardas municipais ou da Polícia Militar. Eles até que aparecem, mas isso ocorre quando acontece uma tragédia de grande repercussão, como o assalto que resultou na morte do turista alemão Werner Duysen Gurkasch, 81, abordado e derrubado por marginais, no Pátio do Carmo, em que ele veio a morrer, como já citamos acima.
Até quando essa insegurança irá continuar?
Quantos inocentes precisarão perder a vida para se tomar medidas efetivas e eficazes para que o centro da cidade e os demais bairros voltem a ser lugares seguros?
(*) BIRA TAVARES
é Executivo do segmento da Educação e
assessor da presidência da Universo