Por Bira Tavares(*) - Hoje, 2 de abril, é um dia especial para muitas famílias, além de pessoas conscientes, que se dedicam a ações sociais e que se preocupam com o bem-estar dos seus irmãos. É que, no Brasil, são celebrados o Dia Mundial e o Dia Nacional de Conscientização sobre o Autismo, instituídos pela Lei 13.652/2018.
O Transtorno do Espectro Autista (TEA), autismo, é um transtorno neurológico caracterizado por comprometimento da interação social, comunicação verbal e não verbal e comportamento restrito e repetitivo. É de fundamental importância entender que o TEA não é uma doença, mas sim uma condição neurodesenvolvimental que afeta a forma como as pessoas autistas percebem e interagem com o mundo ao seu redor. Isso inclui não apenas a forma como elas processam informações sensoriais, mas também como elas se relacionam com os outros e compreendem as nuances sociais.
Os sinais geralmente desenvolvem-se de forma diferente em cada pessoa, mas algumas crianças autistas alcançam o marco de desenvolvimento em um ritmo normal e depois regridem ou avançam apoiadas por seu hiperfoco ou foco restrito.
O autismo é normalmente hereditário, mas a causa inclui tanto fatores ambientais quanto predisposição genética. Em casos raros, o autismo é fortemente associado a agentes que causam defeitos congênitos.
Como presidente de uma instituição de grande envergadura e de excepcional relevância – A Fundação Perrone, localizada em Piedade, no município de Jaboatão dos Guararapes –, criada pelo padre italiano Dom Michele Perrone (**) que promove, atualmente, aproximadamente 4.000 atendimentos por mês, beneficiando mais de 800 famílias, não poderia deixar passar esta data sem expor meu pensamento sobre o tema.
TEA no Brasil
Estima-se que existam cerca de 2 milhões de brasileiros com autismo, o que corresponde a 1% da população tendo havido, somente nos últimos 7 anos, grandes aumentos do número dessa parcela populacional:
• Em 2018, a prevalência de autismo era de 1 em 59.
• Em 2020, a prevalência de autismo era de 1 em 54.
• Em 2023, a prevalência de autismo era de 1 em 36.
• O número de alunos com autismo matriculados nas escolas do Brasil cresceu 48%.
Infelizmente, o aumento de atendimentos do Poder Público – de todas as camadas – municipal, estadual e federal, não tiveram este mesmo aumento.
E é preciso que o Poder Público tenha esse entendimento da necessidade do aumento de políticas públicas que se aumentem os recursos destinados à promoção de atendimento das quantidades de especialidades médicas gratuitas, que abranjam atendimentos terapêuticos que ajudem a resolver problemas emocionais, psicológicos, comportamentais e de relacionamento, além de atendimentos clínicos nos segmentos de Psicologia, Terapia Ocupacional, Nutrição, Fonoaudiologia etc.
Empilhar, enfileirar ou reorganizar objetos repetidamente é
um comportamento típico de crianças autistas.
"Eles não querem que a gente faça nada demais para eles, querem apenas ser aceitos, porque nós não podemos forçá-los a aceitarem nosso mundo, porque o mundo deles é um mundo diferente. A gente não pode forçar um autista a se adaptar ao nosso mundo, portanto. A gente tem que se adaptar ao mundo deles, porque têm crianças que são sensíveis, não deixam nem sequer cortar o cabelo, não podem ouvir um rádio ligado, têm seletividade alimentar. Tudo isso aí tem que se conhecer para se poder penetrar no mundo deles”, explica Bira Tavares.
“A ideia é qualificarmos mais pessoas, nas escolas, nas associações, nas instituições, que podem ser professores, coordenadores, supervisores, pais, mães, familiares, porque não existem tantos profissionais disponíveis. Não estamos falando da rede privada, que nessa tem muitos profissionais, mas a maioria dessas pessoas, dessas famílias, são pessoas carentes, que não podem custear despesas e tratamentos de empresas da rede privada. Então, a ideia é promovermos cursos para preparar cada vez mais pessoas, aumentarmos este exército para que aumente o número de pessoas que possam ajudar, no contato do dia a dia com os autistas”, finaliza Tavares.
(**) Conheça melhor a Fundação Perrone. Acesse este link: https://www.difusaobrasil.com.br/noticia/23888/fundacao-perrone