Recife é, sem nenhuma dúvida, uma das cidades mais maravilhosas do mundo. No entanto, o abandono, a falta de zelo e, sobretudo, o desinteresse do Poder Público fazem com que as belezas das quais ela é possuidora se tornem quase invisíveis.
Cada vez que vou à capital pernambucana mais me entristeço com tudo isso e busco razões para identificar o que nossos governantes, sobretudo nossos parlamentares, estaduais e federais, em torno de 74 deputados, que brigam tanto para terem emendas liberadas, a ponto de querer dividir verbas destinadas a outras obras e projetos para esse fim, para descobrir o que todos estão fazendo para melhorar tudo isso que vejo em nossa cidade, “porto e porta de entrada do Nordeste”.
E foi por essa razão que resolvi criar, em nosso portal, esta coluna: Um olhar sobre a cidade: minhas observações sobre o que vejo no Recife. A coluna será semanal e trará um tema a cada edição.
Iniciamos com um assunto que, além de tirar a beleza da cidade, dói no coração de quem tem sentimentos, sobretudo cristãos:
ABANDONO
É muito triste ver o número de pessoas, que encontramos em situação de rua em todas as esquinas, todos os bairros, praças, bancos e prédios abandonados. Não é à toa que Recife é apenas a 21° capital brasileira entre as 27 com maior qualidade de vida só ganhando, portanto, para 6 cidades piores do que ela.
Infelizmente, não conseguimos, em nossas buscas, encontrar informações mais atualizadas. A última que conseguimos é de agosto de 2023, realizado em parceria com a UFRPE, em que a Prefeitura do Recife divulgou um censo que identificou aproximadamente 1.800 famílias em situação de rua na cidade, que representa um aumento significativo em comparação com censos anteriores, como o de 2019, que registrou cerca de 1.400 pessoas em situação de rua.
Uma outra informação que não encontramos nas pesquisas oficiais, obtivemos nos locais onde há assistência da Prefeitura do Recife, em um Centro POP - Centro de Referência Especializado para Pessoas em Situação de Rua, há informações de que ali a prefeitura oferece programas como o Bolsa Família, Renda Mínima e Benefício de Prestação Continuada (BPC) para auxiliar pessoas em situação de vulnerabilidade social.
Interessante constatar que há meios para se reduzir esse quadro, porém não vemos tanto interesse e tanta pressa como quando se trata, por exemplo, de se aumentar os salários de Vossas Excelências ou o número delas no Congresso Nacional.
Aliás, é lá, no Congresso Nacional, que está tramitando o Projeto de Lei 1251/24 que proíbe as pessoas de morarem nas ruas quando houver serviços de acolhimento institucional no município suficientes para atender à demanda da população que vive nessa situação. Pela proposta em análise na Câmara dos Deputados, fiscais ficarão autorizados a retirar barracas e objetos que caracterizem estabelecimento permanente em local público, como camas, sofás e colchões. Os agentes não poderão, no entanto, recolher pertences pessoais de quem está em situação de rua.
“O grande problema enfrentado pelas equipes de assistência social que abordam os moradores de rua é a resistência em ir para os abrigos, porque não querem se submeter às regras mínimas de convivência, como horário para comer, tomar banho, dormir ou não consumir bebida alcoólica e drogas”, afirma o deputado Kim Kataguiri (União-SP), autor da proposta.
Poderão os senhores afirmarem que, na maior parte dos 5.570 municípios brasileiros - e o Recife não é uma exceção - não há serviços de acolhimento institucional no município suficientes para atender à demanda da população que vive nessa situação. A resposta que eu tenho para dar é: “Usem as emendas, ou parte delas, para prover essas condições, nobres parlamentares pernambucanos. E vamos fazer nossa querida Recife voltar aos velhos tempos em que éramos exemplo e nos posicionávamos bem acima das demais capitais nordestinas”.
Até o próximo domingo!