AÇÃO SOCIAL AO LÉO
População de Rua - Abandono
O número de pessoas vivendo em situação de rua em todo o Brasil, registradas no CadÚnico do governo federal, em março passado, chegou a 335.151
28/08/2025 19h11 Atualizada há 1 ano
Por: Marcos Lima Fonte: Redação
TÂNIA REGO - AGÊNCIA BRASIL / ARQUIVO

O Brasil é um dos países mais admirados do mundo. Contribuem para essa admiração, sobretudo sua gente, as suas belezas naturais - sobretudo suas praias e, neste quesito, as mais admiradas são as do Nordeste, pelas suas águas quentes -, e muitas surpresas que se descobre a cada viagem, para este País tão rico em Arte, Cultura e História.

Algumas coisas, no entanto, encobrem todo esse brilho e nos causa vergonha. Uma dessas é a situação de abandono da população de rua, que se encontra em todos os quatro cantos do País.

Dados do observatório da Universidade Federal de Minas Gerais já apontam mais de 335 mil pessoas vivendo em situação de rua no Brasil, conforme matéria de Daniella Almeida - Repórter da Agência Brasil, publicada em 18/04/2025.

Continua após a publicidade

O número de pessoas vivendo em situação de rua em todo o Brasil, registradas no Cadastro Único para Programas Sociais (CadÚnico) do governo federal, em março passado, chegou a 335.151. Se comparado ao registrado em dezembro de 2024, quando havia 327.925 pessoas nessa situação, houve um aumento de 0,37% no primeiro trimestre deste ano.

Continua após a publicidade

Os dados foram divulgados pelo informe técnico de abril do Observatório Brasileiro de Políticas Públicas com a População em Situação de Rua, da Universidade Federal de Minas Gerais (OBPopRua/Polos da Universidade Federal de Minas Gerais - UFMG), O estudo foi feito com base nos dados disponibilizados pelo Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS) sobre o CadÚnico.

Continua após a publicidade

O número apurado em março é 14,6 vezes superior ao registrado em dezembro de 2013, quando havia 22,9 mil pessoas vivendo nas ruas no país.

À Agência Brasil, o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome informou que retomou, em 2023, as capacitações para entrevistadores e operadores do cadastro único, fortalecendo a atuação dos municípios na coleta de dados. A pasta também destacou a subnotificação e a inconsistência dos dados anteriores, devido ao enfraquecimento da atualização cadastral na gestão anterior (2019-2022).

No Brasil, o relatório demonstra que o CadÚnico registrou em março de 2025:

·      9.933 crianças e adolescentes em situação de rua (3%);

·      294.467 pessoas em situação de rua na faixa etária de 18 a 59 anos (88%);

·      30.751 idosos em situação de rua (9%);

·      84% são pessoas do sexo masculino.

Em relação à renda, 81% (272.069) das pessoas em situação de rua sobrevivem com até R$ 109 por mês, correspondente a 7,18% do salário mínimo, hoje R$ 1.518.

Mais da metade (52%) das pessoas em situação de rua no país não terminaram o ensino fundamental ou não têm instrução, a maioria é de pessoas negras. Esse percentual é mais que o dobro do total da população brasileira que não completou a escolaridade básica ou em condição de analfabetismo, de 24%, segundo o Censo de 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A baixa escolaridade dificulta o acesso das pessoas às oportunidades de trabalho geradas nas cidades, sugere a pesquisa.

 

Onde vivem

A Região Sudeste concentra 63% da população em situação de rua do país, o equivalente a 208.791 pessoas. Em seguida, figura a Região Nordeste, onde 48.374 pessoas (14%) estão em situação de rua. Na Região Sul, são 42.367 (13%), na Região Centro-Oeste, 19.037 (6%), e na Região Norte, 16.582 (4%) indivíduos estão nesta condição de vulnerabilidade social.

A análise revela que quatro em cada dez pessoas que vivem na rua no Brasil se encontram no estado de São Paulo (42,82% do total da população em situação de rua). O segundo estado é o Rio de Janeiro com 30.997 pessoas em situação de rua ou 10%, sucedido por Minas Gerais, com 30.355 pessoas.

Em números absolutos, as cinco capitais com as maiores populações em situação de rua são:

·      São Paulo, com 96.220 pessoas;

·      Rio de Janeiro, 21.764;

·      Belo Horizonte, 14.454;

·      Fortaleza, 10.045;

·      Salvador, 10.025;

·      e Brasília, 8.591.

Em relação à série histórica, 12 unidades da federação (aqui listadas por ordem alfabética), apresentaram em suas capitais aumento no registro de pessoas em situação de rua:

·      Amapá

·      Distrito Federal

·      Mato Grosso do Sul.

·      Mato Grosso

·      Pará

·      Paraíba

·      Pernambuco

·      Piauí

·      Rio de Janeiro

·      Rondônia

·      Roraima

·      e Santa Catarina

Se considerada a proporção por mil habitantes, o levantamento mais recente aponta que o município de Boa Vista tem 20 pessoas em situação de rua por 1 mil habitantes. Na cidade de São Paulo, a cada 1 mil pessoas, oito estão em situação de rua. Em Florianópolis, a cada 1 mil pessoas, sete estão em situação de rua, e em Belo Horizonte, são seis a cada 1 mil pessoas.

 

Violências

De 2020 a 2024, foram registrados 46.865 atos de violências contra a população em situação de rua no Disque 100, coordenado pelo Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC).

As capitais brasileiras são responsáveis por 50% das ocorrências.

A maior parte das pessoas em situação de rua que sofreram algum tipo de violência tem entre 40 anos e 44 anos de idade, o que representa 5.697 pessoas violentadas. As violências contra essa população ocorreram, sobretudo em vias públicas, com mais de 20,5 mil ocorrências.

O relatório chama a atenção também pelo elevado número de denúncias em espaços que deveriam proteger a população em situação de rua, como serviços de abrigamento, estabelecimentos de saúde, centros de referência, instituições de longa permanência para idosos e órgãos públicos.

 

Conclusões

Por meio de nota, o OBPopRua/Polos-UFMG declarou que o cenário é preocupante e acentua que as políticas públicas estruturantes como moradia, trabalho e educação voltadas para a população em situação de rua no Brasil são inexistentes ou ineficientes.

“O descumprimento da Constituição Federal de 1988 com as pessoas em situação de rua continua no Brasil, com pouquíssimos avanços na garantia de direitos dessa população.”

 

Recife

Em Recife - que é o nosso foco, aqui -, a população em situação de rua enfrenta um cenário de exclusão social e pobreza, com um número crescente de pessoas vivendo nessa condição. Dados recentes apontam para 1.806 pessoas nessa situação, mas a percepção de quem anda pela cidade é de que esse número é bem maior e está aumentando, segundo o Instagram. A Prefeitura do Recife oferece serviços de apoio através de dois Centros POP (Centro de Referência Especializado para População em Situação de Rua):

Centro POP Glória - Rua Dr. João Coimbra, nº 66 – Madalena - Fone: 3301-1828/1829, E-mail: centropopneuzagomes@gmail.com.

Centro POP Neusa Gomes - Rua do Sossego, 563 - Santo Amaro, telefone: 3222-4840, e-mail: centropopgloria@gmail.com.

Ambos funcionam de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h, oferecendo serviços e atendimento à população em situação de rua. Além dos centros, a prefeitura também oferece serviços de abordagem social para identificar e acolher pessoas em situação de rua, visando a reintegração social e o acesso a serviços de saúde, assistência social e outros.

 

Causas e Características:

A situação de rua em Recife, como em outras cidades, é complexa e multifacetada, envolvendo fatores como:

·      Pobreza e desigualdade:

·      A falta de oportunidades de trabalho e renda, bem como a desigualdade social, são fatores que contribuem para a vulnerabilidade de muitas pessoas.

·      Desestruturação familiar:

·      Problemas familiares e relacionamentos rompidos são apontados como um dos principais motivos para a saída de pessoas de casa, segundo o Portal Drauzio Varella.

·      Fatores individuais e coletivos:

·      Questões de saúde mental, dependência química e falta de acesso a serviços básicos também podem levar pessoas a viver nas ruas.

A população em situação de rua no Recife registrou um crescimento alarmante de 166% entre os anos de 2019 e 2025, conforme mostram dados oficiais e pesquisas recentes. Este aumento expressivo reflete uma crise social crescente na capital pernambucana, evidenciando a necessidade urgente de políticas públicas mais eficazes para atender esse grupo vulnerável.

Em 2019, o censo realizado pela UFRPE, em parceria com a Prefeitura do Recife, contabilizou cerca de 1.400 pessoas vivendo nas ruas da cidade. Quatro anos depois, em 2023, o levantamento oficial apontou um aumento de 29%, com 1.806 pessoas registradas, sendo 1.443 vivendo nas ruas e 363 acolhidas em abrigos.

No entanto, o dado mais recente, divulgado em março de 2025 pelo Cadastro Único compilado pelo Observatório das Populações em Situação de Rua da UFMG, indica que o número já ultrapassa a marca de 3.725 moradores de rua, quase o triplo de moradores do registrado em 2019.

Esse salto de 166% em seis anos destaca um agravamento estrutural da vulnerabilidade social na capital pernambucana, agravada por fatores como crise econômica, desemprego, baixa escolaridade e rupturas familiares.

 

Perfil da população e causas

De acordo com os dados levantados, a maioria das pessoas em situação de rua no Recife é formada por homens (entre 75% e 84%), autodeclarados pretos ou pardos (-80%), em idade ativa entre 18 e 59 anos. Os principais fatores que levam a essa condição são ruptura de vínculos familiares, desemprego, baixa escolaridade e renda mensal inferior a R$109, o que representa cerca de 7% do salário mínimo.

Mais de 52% das pessoas nessa condição não concluíram o Ensino Fundamental, o que agrava as barreiras para o ingresso ou retorno ao mercado de trabalho. Especialistas apontam que o crescimento dessa população no Recife está diretamente ligado à falta de políticas de moradia, programas de reinserção profissional e ações permanentes de assistência social e que isto não é um fenômeno isolado. Dados nacionais indicam que o Brasil registrou crescimento expressivo do número de pessoas vivendo nas ruas nos últimos anos, especialmente no pós-pandemia. Mas, no caso do Recife, a duplicação em seis anos expõe um quadro crítico, com implicações diretas na saúde pública, segurança e na própria dignidade humana.

O Recife vive uma crise social silenciosa, mas estatisticamente evidente. O salto de 1.400 para 3.725 pessoas em situação de rua entre 2019 e 2025 deve acender o alerta para a necessidade urgente de ações estruturais e políticas públicas contínuas. A cidade, que se orgulha de ser referência cultural e histórica, precisa também ser exemplo de justiça social e dignidade.

 

 

FOTOS DE GENIVAL PAPARAZZI
FOTOS DE GENIVAL PAPARAZZI
FOTOS DE GENIVAL PAPARAZZI
FOTOS DE GENIVAL PAPARAZZI
FOTOS DE GENIVAL PAPARAZZI
FOTOS DE GENIVAL PAPARAZZI
FOTOS DE GENIVAL PAPARAZZI
FOTOS DE GENIVAL PAPARAZZI
FOTOS DE GENIVAL PAPARAZZI
FOTOS DE GENIVAL PAPARAZZI

 

 

 

 

 

 

 

Paparazzi em Ação

 

 

 

 

 

Paparazzi

 O repórter fotográfico Genival Paparazzi deu uma caminhada pela cidade, sobretudo por ruas do centro, onde fez - e nos traz – as fotos da coluna de hoje.