Especial – Por Marcos Lima - No início de julho passado, o colunista João Alberto, que também assina artigos semanais no JC, escreveu sobre Coisas que tiram a beleza do Recife.
E, logo no início do artigo, ele ressaltava: “Recife é uma das metrópoles mais bonitas do Brasil, mas seus moradores convivem com um problema cada vez maior: o de pessoas que insistem em emporcalhar a cidade”.
Sim, o estado de depredação e mal cuidado da cidade é visível, degradante e, como tantos outros problemas da Veneza Brasileira, de fato nos envergonham e, muitas vezes, chegam a decepcionar aquelas que a visitam.
Nesta coluna do Paparazzi vamos ter, infelizmente, que constatar vários casos que comprovam esse desleixo porque o fotógrafo, uma grande amante do Recife, em suas caminhadas pela cidade sempre procura registrar – e reclamar, antes apenas pela coluna Voz do Leitor, do Jornal do Commercio e, agora também, pela sua própria coluna.
Neste domingo, o tema abordado são os bancos. Todos os bancos da cidade. Onde quer que investiguemos, sempre vamos encontrar algum problema, sejam bancos de praças, bancos de pontos de ônibus ou bancos de parques, podendo ser para crianças, idosos etc. As manutenções dos bancos de nossa cidade são sempre esquecidas.
Bancos de Praças
Recife conta com mais de 650 praças espalhadas pelos seus quatro cantos, sendo por isso conhecida como uma “cidade de praças”. Esses equipamentos, além de promoverem a prática de esportes e lazer, são essenciais nas áreas urbanas por colaborarem para o espírito de comunidade nos bairros, aproximar os moradores e proporcionar atividades conjuntas e a sensação de bem-estar. Mas, com a maioria dessas praças com bancos mal cuidados, sem uma manutenção frequente, nos últimos tempos grande parte desses espaços têm sido esvaziados. E, numa relação de causa e consequência mútua, com a diminuição das pessoas nelas, aumentam a depredação, o descuido e a falta de cobrança ao poder público por manutenção. Dos bancos e, consequentemente, das praças.
Aliás, este é um mal que acomete a nossa cidade há muitos anos e como no arquivo do Paparazzi não havia um caso para mostrar, recorremos arquivo da Torre Notícias, qaue tinha alguns casos denunciados ainda em 2021.
Bancos de pontos de ônibus
Bancos de espera em pontos de ônibus no Recife são um problema recorrente, como relatado em diversas manifestações de cidadãos e em notícias, com locais como a Praça e as calçadas do Derby, da Avenida Conde da Boa Vista já tendo sido apontados como exemplos de bancos quebrados e sem manutenção adequada, o que afeta a experiência dos passageiros e a segurança do patrimônio público.
O problema, como sempre, é mais cruciante para idosos, mulheres com crianças de colo, gestantes e para toda a população de um modo geral, que tem que se arriscar até a se ferir em bancos sem manutenção ou ficarem em pé, por longos períodos.
No início deste ano, Recife foi destaque mundial em espera por ônibus, segundo o Relatório Global sobre Transporte Público de 2024 da Moovite, que apontou que as capitais nordestinas entre as que apresentam maiores deficiências nos sistemas de transporte por ônibus.
Recife e Salvador estão no top 10 mundial de cidades com maior tempo de espera pelo transporte público. Além disso, as duas capitais, junto com Fortaleza, aparecem entre as dez cidades brasileiras com maior tempo gasto no deslocamento.
O relatório foi elaborado a partir da análise de milhões de solicitações de viagens de transporte público de mais de 1,5 bilhão de usuários do Moovit. O Relatório Global de Transporte Público da Moovit fornece estatísticas e análises sobre o tempo gasto no trajeto médio, o tempo de espera dos passageiros pelo ônibus, trem ou metrô, a frequência em que pessoas estão se transferindo entre as linhas e até mesmo seus métodos preferidos de pagamento.
As três cidades nordestinas que aparecem no relatório são Recife, Salvador e Fortaleza. As capitais de Pernambuco e da Bahia ficaram em 5º e 7º lugares, respectivamente, entre as cidades do mundo com maior tempo de espera pelo transporte público.
Entre as cidades brasileiras, Recife tem a maior espera média pelo transporte público, com 20 minutos. Salvador aparece em 3º lugar, com 18 minutos, e Fortaleza em 6º, com 16 minutos.
Este destaque pega muito mal para a nossa capital, justamente num momento em que vemos a luta da governadora Raquel Lyra e do presidente da Empetur Eduardo Loyo, empreendendo tantos esforços para aumentar o número de turistas em nosso Estado.