ESPECIAL - Por Marcos Lima - Givaldo era ainda um menino, com pouco mais de 18 anos, quando eu ouvi falar dele a primeira vez, pois ele vinha iniciando uma caminhada a partir de Agua Fria, seu bairro.
Na época, eu, Tony Pereira (já falecido) Luiz Veras e Tito Lívio (que também já está num plano superior), costumávamos frequentar a Livraria Livro 7, na Rua 7 de Setembro, no bairro da Boa Vista, em Recife, sobretudo aos sábados, já que eu e o Tony trabalhávamos durante a semana e Tito e Luiz se dedicavam mais à música.
Íamos para curtir com amigos e, mais especialmente, para Tony e Tito apresentarem as músicas autorais que compúnhamos e queríamos mostrá-las.
Eu e Tony, principalmente, compusemos mais de 100 músicas e, à la Roberto e Erasmo, mesmo quando não criávamos juntos, colocávamos o outro como parceiro. Isso aconteceu muito quando, após termos ido para o Rio de Janeiro, Tony voltou e eu fiquei lá, época em que trabalhei no Jornal do Brasil.
Nosso grupo não tinha percussionista e, de repente, o °Compadre” Castro (compadre de Tony), nos falou de um garoto que andava lá pelas bandas de Água Fria e, além de ser um excelente percussionista, ele próprio criava a maioria de seus instrumentos.
Logo depois, eu e o Tony fomos para o Rio de Janeiro e, após muita luta, muito pé na estrada, idas e vindas a gravadoras e editoras musicais, como a Embi, Tony resolveu voltar para Recife. Eu continuei no Rio porque tinha abandonado o curso de Odontologia em Recife e já iniciara o curso de Jornalismo na capital fluminense e estava trabalhando no Jornal do Brasil.
Na época, eu morava no Catete, na Rua Pedro Américo, bem pertinho do Palácio do Catete (onde Getúlio Vargas havia se suicidado, em 24 de agosto de 1954), apenas com minha jaguatirica Speed e sempre recebi amigos no meu apartamento - sobretudo vindos do Recife -, que era como uma embaixada pernambucana.
Foi lá que eu recebi o Tony Pereira que, daquela vez, trazia o Givaldo a tiracolo, que era também conhecido por Repolho. É que, ainda na infância, esse pseudônimo, com um P apenas, lhe foi dado por seu Everaldo, amigo de seu pai, porque ele era bem gordinho. Sabendo disso, Tony passou a chamá-lo de Givaldo Repolho. Tornaram-se parceiros contumazes, realizando vários shows juntos, até irem para o Rio de Janeiro, tendo ficado em minha casa.
Inclusive, na epoca, em 1978, Reppolho já com 22 anos, finalmente o Tony havia conhecido aquele grande músico, percussionista, de quem o °Compadre° Castro havia falado lá atrás e, agora, eram parceiros e, inclusive, participaram juntos do Festival da "Primeira Cantoria da Música Nordestina", com direção do Paulo Diniz.
Mais uma vez, Tony teve que voltar, pois fizera aquela viagem aproveitando umas férias do seu trabalho de contador, numa empresa em Recife e Repolho ficou, decidido a ir à luta e mostrar sua arte. Foi então que conheceu vários artistas, chegou a fazer alguns shows, inclusive um com o filho de João do Vale, em que ele foi o produtor musical e também o percussionista do grupo.
Nesse período, ocorreu o contato com Johnny Alf, que conheceu seu trabalho e prometeu que voltaria a procurá-lo. E realmente o fez, chegando a ir buscar o Reppolho em sua casa, em Água Fria.
Tudo depois daí, como de antes também, está no livro "Reppolho por Givaldo José dos Santos", que estará sendo lançado no próximo domingo, inclusive sobre a inclusão de mais um 'P' em seu pseudônimo.
Depois, ele tocou na banda de Gilberto Gil, viajou meio mundo e, após um tempo, saiu e tocou com vários outros artistas, como Moraes Moreira, Jorge Mautner, Pepeu Gomes, Raphael Rabello, Alceu Valença, Paulo Moura e outros.
Enfim, o menino humilde e sonhador de Água Fria foi à luta, enfrentou tempestades, continuou acreditando e trabalhando e não apenas sonhando... e venceu. E, desde então, só fez crescer.
E é esse vencedor que estará na Bienalzinha da XV Bienal Internacional do Livro Pernambucano, no próximo domingo, 5, às 17h30, realizando o lançamento de mais um livro, dessa feita sua autobiografia: REPPOLHO por JOSÉ GIVALDO DOS SANTOS.
Então, vale a pena ir lá, adquirir o seu livro, para conhecer esta belíssima história deste fantástico artista pernambucano.
Sobre sua trajetória, ressalta Reppolho:
“O Brasil tem uma cultura multirracial formada pelos povos originários, europeus,
africanos e asiáticos. Desta mistura, resultou uma variedade de ritmos e
instrumentos de percussão que foram sendo incorporados nas danças e na música
que fazemos até hoje. Com o crescimento da música eletrônica no mercado brasileiro
é necessário que haja um trabalho de conscientização e preservação da nossa
cultura tradicional, sem deixar de acompanhar a evolução tecnológica. Por conta
disso, é importante orientar os nossos jovens e adultos a caminharem juntos
com o tradicional e o contemporâneo.”
“Esta autobiografia retrata toda a minha história de luta, encontros e desencontros
que aconteceram durante a minha caminhada até aqui. Contada através de
fatos ocorridos no decorrer da infância, adolescência, juventude e na carreira de
músico percussionista. Sem mágoas, nem ressentimentos, apenas esclarecimento dos fatos. Nada além da verdade”, encerra Reppolho.