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Déficit de flexibilidade expõe urgência de baterias
O sistema elétrico brasileiro enfrenta um déficit crescente de flexibilidade diante da expansão das fontes renováveis. Alertas do ONS indicam risco...
03/02/2026 11h34
Por: Marcos Lima Fonte: Agência Dino

O sistema elétrico brasileiro enfrenta um desafio estrutural crescente relacionado à falta de flexibilidade operacional, em um contexto de expansão acelerada das fontes renováveis intermitentes, como a solar e a eólica. Dados públicos de planejamento energético indicam que o aumento da participação dessas fontes exige soluções capazes de equilibrar o sistema em diferentes momentos da curva de carga, especialmente diante das variações de consumo ao longo do dia.

O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) vem sinalizando os riscos associados tanto ao excesso de oferta de energia em períodos de baixa demanda quanto à necessidade de despachos mais caros nos momentos de pico. Segundo o operador, feriados nacionais e fins de semana prolongados têm se tornado situações críticas para a operação do sistema, devido à combinação entre elevada geração renovável e menor consumo nos grandes centros urbanos.

Nesse contexto, o armazenamento de energia por baterias (Battery Energy Storage Systems – BESS) tem sido apontado como a principal solução disponível no curto prazo para lidar com o déficit de flexibilidade. Trata-se de uma tecnologia madura, com prazo de implantação relativamente curto — entre 12 e 24 meses — e capacidade de atuar tanto nos momentos de excesso de geração quanto nos picos de demanda.

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Para o diretor-executivo da Associação Brasileira de Soluções de Armazenamento de Energia (ABSAE), Fabio Lima, a ausência de definições regulatórias completas não deveria ser um fator impeditivo para o avanço dos mecanismos de contratação.

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"O sistema elétrico precisa de soluções de flexibilidade agora. As baterias são uma necessidade sistêmica para atender aos desafios de potência no curto prazo", afirma.

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Segundo Lima, embora pontos regulatórios pendentes possam gerar dúvidas e atritos, há tempo suficiente para endereçar essas questões até a entrada em operação dos empreendimentos. Ele cita como precedente o Leilão de Reserva de Capacidade realizado em 2021, que ocorreu antes da regulamentação completa do encargo associado à contratação.

"O fato é que o setor está pronto para prover essa solução. É possível avançar com o leilão e, em paralelo, resolver os ajustes regulatórios necessários", diz.

Atualmente, o principal instrumento previsto para a contratação de sistemas de armazenamento em escala no Brasil é o Leilão de Reserva de Capacidade (LRCAP), que depende da publicação das diretrizes pelo Ministério de Minas e Energia (MME) e, posteriormente, do edital pela Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL). Caso o cronograma não avance no curto prazo, cresce o risco de adiamento do certame para além do primeiro semestre, o que pode comprometer a entrada em operação de novos ativos antes de 2029, considerando prazos de implantação e o calendário eleitoral.

Dados do setor indicam que há cerca de 18 GW em projetos de armazenamento já desenvolvidos no país, aguardando definições regulatórias. Sem a integração dessas soluções, os impactos tendem a ser sistêmicos: consumidores ficam expostos a maior risco de instabilidade e aumento de encargos, enquanto geradores enfrentam perdas crescentes decorrentes do curtailment, o corte forçado de geração renovável.

Para a ABSAE, o avanço do armazenamento é um passo estratégico para garantir segurança energética, previsibilidade de custos e eficiência operacional em um sistema cada vez mais dependente de fontes intermitentes. A experiência internacional mostra que a integração do armazenamento é elemento central em matrizes elétricas modernas e resilientes.

Diante dos riscos já identificados pelo operador do sistema e da maturidade tecnológica disponível, a postergação de decisões pode ampliar custos futuros e reduzir a eficiência do setor. Nesse cenário, a inércia deixa de ser uma opção viável para o sistema elétrico brasileiro.