
Se traçarmos um paralelo entre o João Campos dos 4 anos de sua primeira gestão, até meados de 2025, vai dar para se notar uma diferença enorme.
Aquele prefeito que vivia fazendo passinhos, que aderiu à tendência do "cabelo nevado" durante o Carnaval de 2024, sendo ovacionado nas ruas como “meu governador”, chegando a atingir pico de 66%, em pesquisa RealTime Big Data divulgada em janeiro de 2025 (cenário estimulado), mudou completamente.
Pela primeira vez vimos o prefeito dando sinais de insegurança quando, ao ser entrevistado, na chegada ao Baile Municipal 2026, no último sábado, 7/2, João - que frequentemente utiliza analogias futebolísticas - mencionou que “em time que está ganhando não se mexe”. No entanto, a analogia não foi um recado ao presidente, apenas, sobre a continuidade do PSB, com Alckmin como vice, nas eleições deste ano. Indiretamente, ele também se referia ao presidente apoiar o PSB em Pernambuco, em outubro.
Passado o baile, na volta ao batente, na segunda-feira, o prefeito fez suas análises, consultou “seu time” e deve ter decidido - ele, que é chamado de Príncipe -, ajoelhar-se aos pés do Rei (Lula), para tentar mudar o que está se vendo, pra onde se olhe, porque ele já não “voa em céu de brigadeiro” como nos últimos 4 anos e meio.
Aliás, na entrevista, na chegada ao Classic Hall, em Olinda, pouco antes das 23h, ele falou ainda mais do que o ditado popular sobre não mexer em time que está ganhando. Ele também falou sobre seu time:
"O nosso time, o time da Frente Popular, está aqui presente. É o time que anda com a gente no dia a dia, trabalhando pelo bem do Recife, lutando por Pernambuco. Porque política não se faz só, se faz com aliança, com construção, mas se faz também com pessoas que têm lado", declarou.
O prefeito citou o nome dos pré-candidatos ao Senado Marília Arraes (Solidariedade), Miguel Coelho (União) e Silvio Costa Filho (Republicanos), e do presidente da Assembleia Legislativa de Pernambuco, deputado Álvaro Porto (PSDB). Também perguntado sobre Humberto Costa, João Campos esclareceu que o parlamentar não esteve presente no evento por compromissos em Salvador, onde participou das comemorações pelos 46 anos do PT.
“Humberto estava em Salvador, mas conversei com ele durante a programação. Ele é senador da República e candidato à reeleição”, afirmou.
Notam-se várias mudanças. Há alguns dias atrás ele dada maiores demonstrações que Humberto Costa fazia parte do time, o que já não acontece agora. Outro fato que não está caindo bem é Marília estar no seu time. Em 2022, durante a campanha do 2º turno para prefeito, Marília Arraes, mesmo sendo sua prima, era sua adversária e ele não a poupou nos discursos, criticando-a, ao falar sobre o partido dela. “O Recife conhece, sim, o que o PT e suas arengas fizeram na nossa cidade e o Recife não vai retroceder. E é uma escolha clara, quando alguém pode escolher entre o futuro e o passado. É claro que vai escolher o futuro”, afirmou.
Inclusive, foi por causa desse discurso, que recentemente Lula falou que “não esquece o que o menino falou em 2020”.
Mais um motivo para que o Príncipe corresse para se ajoelhar aos pés do Rei, de preferência pra lhe afirmar que aquilo tudo que ele falou em 2020 foi só “uma brincadeirinha”.
E só para encerrar com mais analogias, a verdade é que “o caldo está engrossando cada vez mais”. E João já não está mais voando em céu de brigadeiro. O céu já não está mais azul e sem nuvens, garantindo total visibilidade e segurança.
A tendência, portanto, anotem aí, é que ele, que é altamente inteligente - e isto não se discute -, arranje uma desculpa qualquer para permanecer em sua cadeirinha até 2028 e aproveite os dois anos seguintes para viajar pelo país todo, para ganhar musculatura para as eleições de 2030, aí sim, com muito mais chances de conquistar a cadeira do Palácio do Campo das Princesas.
Isto se Raquel não fizer seu sucessor... ou sucessora.