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“E agora, José?”

No caso, aqui, é “E agora, João Campos, qual o caminho a seguir? O caldo está começando a engrossar.

Marcos Lima
Por: Marcos Lima Fonte: Redação
10/02/2026 às 20h47 Atualizada em 10/02/2026 às 21h40
“E agora, José?”
Caricatura de Luiz Freire

Se traçarmos um paralelo entre o João Campos dos 4 anos de sua primeira gestão, até meados de 2025, vai dar para se notar uma diferença enorme. 

Aquele prefeito que vivia fazendo passinhos, que aderiu à tendência do "cabelo nevado" durante o Carnaval de 2024, sendo ovacionado nas ruas como “meu governador”, chegando a atingir pico de 66%, em pesquisa RealTime Big Data divulgada em janeiro de 2025 (cenário estimulado), mudou completamente. 

Pela primeira vez vimos o prefeito dando sinais de insegurança quando, ao ser entrevistado, na chegada ao Baile Municipal 2026, no último sábado, 7/2, João - que frequentemente utiliza analogias futebolísticas - mencionou que “em time que está ganhando não se mexe”. No entanto, a analogia não foi um recado ao presidente, apenas, sobre a continuidade do PSB, com Alckmin como vice, nas eleições deste ano. Indiretamente, ele também se referia ao presidente apoiar o PSB em Pernambuco, em outubro. 

Passado o baile, na volta ao batente, na segunda-feira, o prefeito fez suas análises, consultou “seu time” e deve ter decidido - ele, que é chamado de Príncipe -, ajoelhar-se aos pés do Rei (Lula), para tentar mudar o que está se vendo, pra onde se olhe, porque ele já não “voa em céu de brigadeiro” como nos últimos 4 anos e meio. 

Aliás, na entrevista, na chegada ao Classic Hall, em Olinda, pouco antes das 23h, ele falou ainda mais do que o ditado popular sobre não mexer em time que está ganhando. Ele também falou sobre seu time: 

"O nosso time, o time da Frente Popular, está aqui presente. É o time que anda com a gente no dia a dia, trabalhando pelo bem do Recife, lutando por Pernambuco. Porque política não se faz só, se faz com aliança, com construção, mas se faz também com pessoas que têm lado", declarou. 

Foto: Divulgação
Foto: Roberto Stuckert Filho

O prefeito citou o nome dos pré-candidatos ao Senado Marília Arraes (Solidariedade), Miguel Coelho (União) e Silvio Costa Filho (Republicanos), e do presidente da Assembleia Legislativa de Pernambuco, deputado Álvaro Porto (PSDB). Também perguntado sobre Humberto Costa, João Campos esclareceu que o parlamentar não esteve presente no evento por compromissos em Salvador, onde participou das comemorações pelos 46 anos do PT.   

“Humberto estava em Salvador, mas conversei com ele durante a programação. Ele é senador da República e candidato à reeleição”, afirmou. 

Notam-se várias mudanças. Há alguns dias atrás ele dada maiores demonstrações que Humberto Costa fazia parte do time, o que já não acontece agora. Outro fato que não está caindo bem é Marília estar no seu time. Em 2022, durante a campanha do 2º turno para prefeito, Marília Arraes, mesmo sendo sua prima, era sua adversária e ele não a poupou nos discursos, criticando-a, ao falar sobre o partido dela. “O Recife conhece, sim, o que o PT e suas arengas fizeram na nossa cidade e o Recife não vai retroceder. E é uma escolha clara, quando alguém pode escolher entre o futuro e o passado. É claro que vai escolher o futuro”, afirmou. 

Inclusive, foi por causa desse discurso, que recentemente Lula falou que “não esquece o que o menino falou em 2020”.

Mais um motivo para que o Príncipe corresse para se ajoelhar aos pés do Rei, de preferência pra lhe afirmar que aquilo tudo que ele falou em 2020 foi só “uma brincadeirinha”. 

E só para encerrar com mais analogias, a verdade é que “o caldo está engrossando cada vez mais”. E João já não está mais voando em céu de brigadeiro. O céu já não está mais azul e sem nuvens, garantindo total visibilidade e segurança. 

A tendência, portanto, anotem aí, é que ele, que é altamente inteligente - e isto não se discute -, arranje uma desculpa qualquer para permanecer em sua cadeirinha até 2028 e aproveite os dois anos seguintes para viajar pelo país todo, para ganhar musculatura para as eleições de 2030, aí sim, com muito mais chances de conquistar a cadeira do Palácio do Campo das Princesas. 

Isto se Raquel não fizer seu sucessor... ou sucessora.

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