Um tubarão-cabeça-chata foi encontrado na Praia do Paiva, no Cabo de Santo Agostinho, no domingo (29), e teve suas barbatanas cortadas por pescadores. O animal, que pesava cerca de 150 quilos, aparentava estar morto e foi arrastado até a areia por quatro pessoas.
A prefeitura local foi notificada e investiga o caso. O tubarão-cabeça-chata é a mesma espécie envolvida na morte de um adolescente em Olinda em janeiro de 2026. Em outro incidente, um tubarão-lixa de 50 quilos foi resgatado com vida para remoção de um anzol e logo devolvido ao mar.
Nota do CEMIT
Comitê Estadual de Monitoramento de Incidentes com Tubarões
O Comitê Estadual de Monitoramento de Incidentes com Tubarões (CEMIT), coordenado pela Secretaria Estadual de Meio Ambiente, Sustentabilidade e de Fernando de Noronha, informa que tomou conhecimento dos registros audiovisuais realizados na Praia do Paiva, no Cabo de Santo Agostinho, no último domingo (29). A análise das imagens permitiu confirmar que se trata de uma fêmea adulta da espécie tubarão-cabeça-chata (Carcharhinus leucas), capturada de forma acidental e com nadadeiras filetadas para consumo humano.
Na Região Metropolitana do Recife, a proximidade entre o ambiente costeiro e sistemas estuarinos configura condição ambiental favorável à sua ocorrência para alimentação e reprodução. Sua captura, manejo inadequado ou comercialização podem caracterizar infração ambiental, sujeitando os responsáveis às penalidades previstas na legislação vigente, além da possibilidade de apuração pelo Ministério Público para eventual responsabilização na esfera penal.
O consumo desses animais, além das implicações ambientais, também traz problemas relacionados à saúde pública, uma vez que os tubarões ocupam o topo da cadeia alimentar e apresentam tendência à bioacumulação de metais pesados, como o mercúrio, além de outros contaminantes, podendo representar riscos pelo consumo frequente.
Neste sentido, o CEMIT atua na sensibilização da sociedade, especialmente com a educação ambiental. Encontra-se em execução o Plano de Educação Ambiental para Segurança Aquática e Prevenção de Incidentes com Tubarões – PEAST/PE (2023), que estabelece 50 ações estratégicas a serem executadas ao longo de cinco anos. O Comitê reforça que a conservação de espécies como o tubarão-cabeça-chata é fundamental para a manutenção do equilíbrio dos ecossistemas marinhos.