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Como a IA está redesenhando setores da economia brasileira
Da indústria à logística, da saúde ao setor jurídico, a IA deixa de ser apenas uma ferramenta tecnológica para se consolidar como um fator estratég...
05/08/2026 15h11
Por: Marcos Lima Fonte: Agência Dino

Poucas tecnologias provocaram uma transformação tão acelerada no ambiente de negócios quanto a inteligência artificial. Em poucos anos, ela deixou de ser um recurso restrito às grandes empresas de tecnologia para influenciar decisões estratégicas, aumentar a produtividade e mudar a forma como organizações de diferentes setores operam.

O impacto econômico é significativo. Estudo da consultoria IDC estima que a IA poderá adicionar cerca de US$ 15,7 trilhões à economia global até 2030, enquanto a McKinsey calcula que apenas a inteligência artificial generativa possa gerar até US$ 4,4 trilhões em valor econômico global por ano. No Brasil, porém, a adoção ainda é desigual: levantamento da PwC mostra que apenas 30% das empresas possuem uma estratégia estruturada para investimentos em IA e somente 9% redesenharam seus processos para incorporar a tecnologia de forma consistente.

Para Rodrigo Pascoal, executivo especializado em estratégia empresarial, expansão industrial e infraestrutura tecnológica, CEO da RP Brasil Consultoria e fundador da Escotech e da Golfo OEG, a inteligência artificial deixou de ser um diferencial competitivo para se tornar parte da estratégia de crescimento das organizações.

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"A inteligência artificial não é mais um projeto isolado de inovação. Ela passou a integrar o planejamento estratégico das empresas, permitindo decisões mais rápidas, redução de desperdícios, aumento da produtividade e maior capacidade de adaptação a um mercado cada vez mais dinâmico."

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Segundo Pascoal, os impactos já são percebidos em setores como indústria, energia, saneamento, mineração e óleo e gás, onde sensores inteligentes, monitoramento remoto e análise de dados em tempo real permitem antecipar falhas, reduzir custos operacionais e melhorar a eficiência dos ativos.

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Mas essa transformação não acontece apenas no ambiente digital. Ela depende de uma cadeia produtiva capaz de fornecer os componentes que sustentam equipamentos eletrônicos, sistemas de automação, robôs industriais e data centers.

É o que destaca Rodolfo Midea, empresário especializado na cadeia de suprimentos industriais e CEO da Fácil Negócio Importação, importadora de ímãs de neodímio e outros insumos utilizados em aplicações industriais e tecnológicas.

"Quando falamos em inteligência artificial, normalmente pensamos apenas nos softwares. Mas toda essa tecnologia depende de equipamentos físicos que utilizam componentes estratégicos. À medida que cresce a demanda por automação e eletrônica de alta performance, cresce também a importância de uma cadeia de suprimentos preparada para atender essa nova realidade."

O avanço da IA também redefine um dos setores mais sensíveis da economia: a logística. Com algoritmos capazes de analisar milhares de informações simultaneamente, empresas conseguem otimizar rotas, prever atrasos, reduzir consumo de combustível e aumentar a eficiência operacional.

Para Célio Martins, executivo com atuação em logística e transporte de cargas e gerente de Novos Negócios da Transvias, a inteligência artificial transforma a gestão logística porque permite antecipar cenários em vez de apenas reagir aos problemas.

"Quanto maior a previsibilidade, menor o desperdício. A inteligência artificial ajuda a tomar decisões mais rápidas, melhora o aproveitamento da frota e aumenta a competitividade das operações."

Na saúde, o impacto ocorre principalmente na gestão. Priscila Gonçalves, estrategista de negócios da saúde, explica que clínicas e consultórios utilizam a tecnologia para automatizar processos administrativos, organizar agendas, acompanhar indicadores e tornar a operação mais eficiente.

"A inteligência artificial não substitui o profissional de saúde. Ela elimina tarefas repetitivas e permite que médicos e equipes dediquem mais tempo ao cuidado com o paciente."

A transformação também alcança a gestão financeira. Patrícia Bastazini, contadora, especialista em gestão tributária e financeira e fundadora da Bastazini Contabilidade, afirma que a IA amplia a capacidade analítica das empresas e reduz o tempo gasto em atividades operacionais.

"Hoje conseguimos analisar informações com muito mais velocidade, identificar inconsistências e apoiar decisões estratégicas com dados mais confiáveis."

O avanço da tecnologia, entretanto, também amplia a necessidade de governança. Para Dra. Keila Ribeiro Flores, advogada, doutora em Direito Empresarial e sócia-fundadora da KRF Advocacia, a inovação precisa caminhar acompanhada de responsabilidade jurídica.

"A inteligência artificial oferece enormes ganhos de eficiência, mas exige regras claras, proteção de dados, compliance e transparência. A tecnologia deve fortalecer a gestão, nunca substituir a responsabilidade humana."

Nos condomínios, a IA já aparece em soluções como reconhecimento facial, monitoramento inteligente e automação de processos. Segundo Cristiano Pandolfi, advogado especializado em Direito Condominial e sócio do escritório Toledo & Pandolfi Advogados, o desafio é equilibrar inovação e segurança jurídica.

"A tecnologia melhora a gestão condominial, mas sua implantação deve respeitar a legislação, especialmente no tratamento de dados pessoais."

Se a inteligência artificial transforma processos, ela também muda a relação das pessoas com o trabalho. Para Vanessa Queiroz, psicóloga, psicanalista e neurocientista responsável pela DNA Consultoria Empresarial, o diferencial competitivo continuará sendo humano.

"As tarefas repetitivas tendem a ser automatizadas. Competências como criatividade, pensamento crítico, inteligência emocional e capacidade de adaptação passam a ter ainda mais valor."

Na avaliação de Rodrigo Pascoal, a inteligência artificial representa uma mudança comparável à chegada da internet às empresas. A diferença é que, desta vez, a velocidade da transformação é muito maior.

"As organizações que enxergarem a IA apenas como uma ferramenta tecnológica terão ganhos limitados. As que conseguirem integrá-la à estratégia, aos processos e às pessoas estarão mais preparadas para competir nos próximos anos."