ECONOMIA Economia
Empresas resilientes crescem mais rápido
Pesquisa indica que organizações mais resilientes investem mais, inovam com maior velocidade e enxergam a inteligência artificial como oportunidade de crescimento.
25/09/2026 16h18
Por: Marcos Lima Fonte: Agência Dino

A resiliência corporativa deixou de ser apenas uma estratégia de proteção contra crises para se tornar um dos principais fatores de crescimento dos negócios. É o que revela um novo estudo global da Grant Thornton, realizado com mais de 550 executivos, que mostra uma relação direta entre maturidade em resiliência e desempenho empresarial. Enquanto 59% dos líderes de empresas de alto crescimento classificam suas organizações como muito resilientes ou de classe mundial, apenas 19% das empresas de baixo crescimento fazem a mesma avaliação.

O levantamento reforça que organizações resilientes tomam decisões com mais rapidez, adaptam seus modelos de negócio com maior facilidade, investem de forma mais consistente e conseguem transformar cenários de incerteza em oportunidades de expansão. Em vez de enxergar gestão de riscos e governança como barreiras ao crescimento, essas empresas as utilizam como base para inovar e competir em ambientes cada vez mais complexos.

"A resiliência deixou de ser uma agenda restrita à continuidade dos negócios. Hoje, ela faz parte da estratégia corporativa e representa uma vantagem competitiva importante. Empresas preparadas conseguem responder mais rapidamente às mudanças do mercado, investir com maior segurança e acelerar seus processos de transformação", afirma Daniel Maranhão, CEO da Grant Thornton no Brasil.

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Os dados evidenciam essa diferença de postura. Entre as empresas de baixo crescimento, 68% acreditam investir menos do que deveriam em iniciativas de resiliência. Já entre as organizações de alto crescimento, esse percentual cai para 30%, indicando que empresas mais bem-sucedidas tratam planejamento, continuidade operacional e adaptação às mudanças como investimentos estratégicos, e não apenas como custos.

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A pesquisa também mostra que metade das empresas de alto crescimento afirma que sua capacidade de resiliência é decisiva para conquistar novos negócios. Além disso, 71% dessas organizações consideram seu nível de resiliência acima da média do mercado, percentual quase três vezes superior ao observado entre empresas de baixo crescimento.

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IA amplia oportunidades, mas precisa de uma base sólida de resiliência

O estudo aponta ainda que a resiliência se tornou um dos principais fatores para acelerar a adoção de inteligência artificial nas empresas. Organizações mais resilientes têm o dobro de probabilidade de enxergar a IA como impulsionadora de novos produtos/serviços e modelos de negócio, enquanto empresas menos resilientes têm o triplo das chances de vê-la como ameaça.

Além disso, 51% das organizações de alto crescimento já utilizam ou pretendem utilizar IA para identificação proativa de riscos, enquanto 44% empregam a tecnologia para acelerar respostas e recuperação diante de incidentes, demonstrando que inovação e gestão de riscos caminham cada vez mais juntas. Segundo Maranhão, esse movimento mostra que a tecnologia, por si só, não garante vantagem competitiva.

"A inteligência artificial potencializa resultados quando existe uma estrutura de governança, processos maduros e capacidade de adaptação. Empresas resilientes conseguem adotar novas tecnologias com mais velocidade porque já possuem uma cultura preparada para lidar com mudanças e administrar riscos de forma estratégica", ressalta o executivo.

Cultura e liderança fortalecem a capacidade de adaptação

Outro aspecto destacado pela pesquisa é que a resiliência vai além de processos e tecnologia. Entre as organizações consideradas mais resilientes, os principais diferenciais estão na existência de planos de contingência (70%), continuidade dos negócios (67%), planejamento e orçamento (60%), capacidade de adaptação às mudanças (58%) e accountability da liderança (57%).

Na avaliação da Grant Thornton, isso demonstra que empresas capazes de crescer consistentemente são aquelas que conseguem combinar governança, cultura organizacional, tecnologia e liderança em uma estratégia integrada. "Resiliência não significa evitar crises, mas desenvolver a capacidade de aprender rapidamente, adaptar estratégias e manter o ritmo de crescimento mesmo em cenários de instabilidade. Em um ambiente de mudanças permanentes, essa passa a ser uma das competências mais importantes para qualquer organização", conclui Maranhão.