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Hábitos do dia a dia podem elevar o risco de infarto
Médico aponta fatores de risco pouco lembrados pela população, detalha os sinais que exigem socorro imediato e explica o que deve ser considerado em um check-up cardiológico de rotina
29/09/2026 11h11
Por: Marcos Lima Fonte: Agência Dino

Com a rotina agitada, sinais como cansaço, falta de ar ao fazer esforço ou dor no peito podem ser atribuídos ao estresse ou à falta de descanso. Mas, quando se trata da saúde do coração, alterações que parecem comuns podem indicar condições que exigem atenção. Reconhecer esses sinais e buscar atendimento adequado pode fazer a diferença.

Segundo o Ministério da Saúde, o infarto agudo do miocárdio é a principal causa de mortes no país, com uma estimativa de 300 mil a 400 mil casos por ano e um óbito a cada cinco a sete ocorrências. Em São Paulo, um balanço divulgado pela Secretaria Municipal da Saúde mostra que, entre janeiro de 2023 e julho de 2025, foram registradas 13.800 internações por infarto e 9.394 por acidente vascular cerebral (AVC) na rede municipal.

O Setembro Vermelho, campanha de conscientização sobre as doenças cardiovasculares que tem como referência o Dia Mundial do Coração, celebrado em 29 de setembro, reforça a importância de olhar para esses problemas antes que eles se manifestem de forma grave.

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Fatores de risco que passam despercebidos

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De acordo com Francisco José, médico da área de cardiologia do AmorSaúde, rede de clínicas parceiras do Cartão de TODOS, hipertensão, diabetes, colesterol alto e tabagismo estão entre os fatores mais lembrados quando o assunto é risco cardiovascular, mas a lista é mais ampla. "É preciso considerar a genética familiar e a obesidade, além de hábitos como a inatividade física e a alimentação rica em sal, ultraprocessados e açúcar", afirma. Segundo o médico, entre os principais fatores de risco estão:

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- Hipertensão: muitas vezes não apresenta sinais perceptíveis, mas mantém os vasos sanguíneos sob pressão elevada e aumenta o risco de infarto e AVC;

- Diabetes: o excesso de glicose no sangue, quando não controlado, pode provocar danos aos vasos sanguíneos e favorecer doenças cardiovasculares;

- Colesterol elevado: níveis alterados, especialmente de LDL, podem contribuir para o acúmulo de placas nas artérias e aumentar o risco cardiovascular;

- Histórico familiar: a presença de doenças cardiovasculares na família pode indicar uma predisposição que deve ser considerada na avaliação individual;

- Excesso de peso: está associado a alterações metabólicas e ao desenvolvimento de condições como hipertensão e diabetes;

- Idade: o risco cardiovascular aumenta ao longo do envelhecimento, tornando a avaliação dos fatores de risco ainda mais importante.

Sinais que exigem atendimento imediato

De acordo com o médico, o infarto costuma se manifestar por meio de uma dor forte no centro do peito, que pode irradiar para o braço esquerdo, para a lateral esquerda do pescoço e, em alguns casos, para a mandíbula. O quadro também pode vir acompanhado de náuseas, vômitos e suor intenso.

A dor pode ainda se estender para as costas e o rosto e ser acompanhada de sensação de peso ou aperto no tórax, suor frio, palidez, falta de ar e sensação de desmaio, de acordo com o Ministério da Saúde. Diante da suspeita de infarto, a orientação é acionar o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU), pelo telefone 192, para que o atendimento comece ainda no local e o hospital seja avisado antes da chegada do paciente.

A apresentação dos sintomas, porém, pode variar de acordo com o paciente. "Em mulheres, idosos e diabéticos, a dor pode ser atípica, diferente dessa descrição e, no paciente diabético, pode não haver dor", explica o médico. Essa variação tende a contribuir para o atraso na busca por atendimento.

Os sinais do AVC são mais variados, pois o quadro pode ser isquêmico ou hemorrágico. Entre as manifestações mais comuns estão alterações na fala e o comprometimento de um dos lados do corpo, tanto nos membros superiores quanto nos inferiores.

O que entra no check-up cardiológico

Mesmo sem sintomas, Francisco ressalta que o acompanhamento médico pode ajudar a identificar fatores de risco cardiovascular antes que eles provoquem complicações. A avaliação não é igual para todas as pessoas: idade, histórico familiar, pressão arterial, níveis de colesterol, diabetes, tabagismo, excesso de peso, sedentarismo e outros fatores ajudam o profissional a definir quais exames são necessários. A Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) recomenda a avaliação rotineira dos fatores de risco em adultos de 40 a 75 anos e o monitoramento periódico também entre 20 e 39 anos.

O acompanhamento pode começar por medidas e exames mais básicos, como aferição da pressão arterial e exames laboratoriais para avaliar colesterol e glicemia. Exames cardiológicos, como eletrocardiograma e teste ergométrico, podem ser solicitados de acordo com o perfil de risco, sintomas, histórico clínico ou objetivo da avaliação. A Diretriz Brasileira de Ergometria de 2024, por exemplo, considera o teste ergométrico em situações específicas, inclusive para pessoas assintomáticas que apresentam múltiplos fatores de risco cardiovascular, e não como um exame obrigatório para toda a população.

Hábitos que reduzem o risco

Embora alguns fatores não possam ser modificados, mudanças na rotina podem contribuir para reduzir o risco cardiovascular. "No dia a dia, é preciso minimizar o estresse com caminhada, ioga ou academia e dormir de seis a oito horas, além de manter o peso adequado ao índice de massa corporal e ajustar a nutrição com acompanhamento profissional", orienta o médico. Entre as principais medidas estão:

1) Praticar atividade física: ajuda no controle do peso, da pressão arterial, da glicemia e de outros fatores relacionados à saúde cardiovascular;

2) Não fumar: o tabagismo prejudica os vasos sanguíneos e aumenta o risco de infarto, AVC e outras doenças cardiovasculares;

3) Ter uma alimentação equilibrada: priorizar alimentos in natura ou minimamente processados e reduzir o consumo de ultraprocessados, sal, açúcares e gorduras contribui para o controle de fatores de risco;

4) Dormir bem: manter uma rotina regular de sono e buscar uma boa qualidade de descanso pode favorecer o controle da pressão arterial e do metabolismo;

5) Manejar o estresse: encontrar formas saudáveis de lidar com o estresse pode ajudar a evitar seus efeitos sobre a pressão arterial e a própria rotina;

6) Reduzir o consumo de álcool: o consumo excessivo está associado ao aumento da pressão arterial e a outros problemas que podem afetar a saúde cardiovascular.