ECONOMIA Economia
Praias com arranha-céus proibidos têm imóveis de R$ 33 mi
Enquanto Balneário Camboriú (SC) ficou conhecida pela orla verticalizada e por alguns dos edifícios mais altos do país, as praias do Estaleiro e Estaleirinho, na chamada costa sul da cidade catarinense, seguem na contramão: têm baixa densidade, Ma...
06/10/2026 16h01
Por: Marcos Lima Fonte: Agência Dino

Em uma das cidades mais verticalizadas do Brasil, o alto luxo começa a ganhar força onde os arranha-céus são proibidos. As praias do Estaleiro e do Estaleirinho, em Balneário Camboriú, no litoral norte de Santa Catarina, vivem uma lógica oposta à da Praia Central. Com baixa densidade, áreas de Mata Atlântica preservadas e regras de construção mais restritivas previstas pelo Plano Diretor da cidade, com limite de até três pavimentos, a região se tornou uma das áreas mais raras do mercado imobiliário catarinense.

O contraste ajuda a explicar o interesse crescente de investidores e compradores de alta renda por uma região ainda pouco explorada nacionalmente. A poucos minutos da orla com super prédios e próxima de Itapema, a costa sul de Balneário Camboriú reúne praias com perfil mais reservado e maior contato com a natureza. Em alguns empreendimentos de luxo previstos para a região, o metro quadrado tem potencial de alta valorização e pode ultrapassar os R$ 100 mil, valor associado à combinação entre localização e limite físico para novos projetos.

Um dos exemplos disso é o Ená, empreendimento frente-mar na Praia do Estaleiro, com projeto assinado por Jayme Bernardo. Uma unidade de 579 m² privativos, de alto padrão e com piscina privativa, está anunciada por cerca de R$ 33,1 milhões. O projeto aposta em um modelo mais exclusivo, com poucas unidades, integração com a paisagem e proposta voltada a um público que busca privacidade, sofisticação e contato direto com o mar.

Continua após a publicidade

Para o corretor de imóveis e especialista em mercado imobiliário de luxo, Bruno Cassola, a região deve passar por uma mudança de percepção nos próximos anos. "O Ená é um dos projetos que vai impactar esse mercado, porque une um padrão muito elevado a uma das praias mais bonitas do país. Os clientes que levo até lá se surpreendem justamente com essa combinação entre Mata Atlântica preservada, pé na areia e proximidade com Balneário Camboriú e Itapema", afirma o CEO da IBC Imobiliária. Segundo ele, a chegada de projetos assinados por arquitetos de renome também deve colocar as praias do Estaleiro e Estaleirinho entre os endereços mais exclusivos do litoral catarinense.

Continua após a publicidade

Além da compra de apartamentos em empreendimentos de alto luxo, Cassola vê oportunidade também na aquisição de terrenos para futura negociação com incorporadoras. "É uma região onde terrenos tendem a ganhar cada vez mais valor porque existe limite físico e urbanístico para novos projetos. Em alguns casos, o investidor compra um terreno hoje e, no futuro, pode negociar uma permuta com uma construtora, ficando com uma participação do empreendimento. É uma forma de transformar um ativo escasso em um ganho muito maior no médio e longo prazo", explica.

Continua após a publicidade

Para o especialista, Estaleiro, Estaleirinho, Taquaras e Taquarinhas ainda não receberam a atenção proporcional ao potencial que têm dentro do corredor imobiliário mais valorizado do litoral catarinense. "Quem comprar agora vai capturar uma curva expressiva de valorização nos próximos anos", diz.