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Inteligência artificial muda o combate ao cibercrime

Conferência internacional reúne cerca de 500 especialistas de mais de 100 países para discutir investigação digital, coleta de provas eletrônicas e cooperação entre autoridades

Marcos Lima
Por: Marcos Lima Fonte: Agência Dino
14/10/2026 às 18h13
Inteligência artificial muda o combate ao cibercrime
Divulgação JMM Tech

A expansão dos crimes cibernéticos e os desafios para investigar atividades ilícitas que ultrapassam fronteiras estão no centro da Octopus Conference 2026, conferência internacional promovida pelo Conselho da Europa, nesta semana, em Estrasburgo, na França. O encontro reúne participantes de diferentes países para discutir o enfrentamento ao cibercrime, o desenvolvimento de novas tecnologias e a cooperação entre autoridades e organismos de segurança.

Entre os temas em debate está o uso da inteligência artificial, que pode servir tanto aos criminosos quanto às instituições responsáveis pelas investigações. Se, por um lado, a tecnologia oferece novos recursos para a prática de atividades ilícitas, por outro, também pode auxiliar no monitoramento de ações suspeitas, no rastreamento de envolvidos e na coleta de evidências digitais que contribuam para processos judiciais.

A dimensão global das ameaças digitais aparece no Global Cybersecurity Outlook 2026, do Fórum Econômico Mundial. Segundo o levantamento, 77% dos participantes relataram aumento de fraudes digitais e ataques de phishing, enquanto 73% afirmaram que eles próprios ou alguém de seu círculo de contatos foi afetado por fraude digital em 2025. Os dados evidenciam o alcance dos riscos cibernéticos e a importância da cooperação internacional para enfrentar crimes que ultrapassam fronteiras.

De acordo com Ernani Machado, presidente da JMM Tech, empresa que participa da conferência, um dos pontos centrais é compreender como a inteligência artificial pode ser aplicada ao trabalho investigativo e contribuir para a identificação e a responsabilização de criminosos. "A inteligência artificial se tornou uma ferramenta poderosa nas mãos dos criminosos, mas também pode ser utilizada para monitorar atividades ilícitas, rastrear ações e coletar provas. O desafio é entender como esses recursos podem contribuir para as investigações e permitir que os responsáveis sejam processados em seus respectivos países", afirma.

A dimensão transnacional dos crimes digitais também exige articulação entre diferentes jurisdições. Como uma mesma atividade criminosa pode envolver pessoas, sistemas e evidências em países distintos, a cooperação internacional é fundamental para viabilizar a troca de informações e apoiar o trabalho das autoridades de segurança. "A internet não tem fronteiras, e o combate ao crime cibernético precisa acompanhar essa característica. A cooperação entre as polícias e os organismos de segurança de diferentes países é essencial para enfrentar delitos que não ficam restritos a um único território", destaca Machado.

A participação da JMM Tech na Octopus Conference tem como objetivos ampliar o networking internacional, debater novas tecnologias e acompanhar as discussões sobre o uso da inteligência artificial no enfrentamento ao cibercrime. Ernani Machado já participou de outras edições do encontro.

Promovida pelo Conselho da Europa, a Octopus Conference 2026 marca os 25 anos da Convenção de Budapeste sobre o Cibercrime, instrumento internacional voltado à cooperação no combate a delitos digitais. A programação aborda questões relacionadas à criminalidade cibernética e aos desafios da investigação em um ambiente no qual a tecnologia permite que atividades ilícitas envolvam diferentes países.

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