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Tratamento da dependência química vai além da abstinência

Abordagem terapêutica trabalha quatro pilares — saúde física, equilíbrio emocional, vínculos e reintegração — diante de cenário em que 11,4 milhões de brasileiros já usaram cocaína ou crack.

Marcos Lima
Por: Marcos Lima Fonte: Agência Dino
19/10/2026 às 17h22
Tratamento da dependência química vai além da abstinência
Canva

A abordagem terapêutica adotada em uma clínica de recuperação tem considerado que o processo de recuperação vai além da interrupção do uso de substâncias e envolve diferentes dimensões da vida do paciente. O modelo de cuidado trabalha quatro pilares integrados — saúde física, equilíbrio emocional, vínculos e reintegração —, com o objetivo de fortalecer a autonomia e construir uma nova rotina. A proposta parte da compreensão de que cada paciente apresenta uma história particular e exige um plano individualizado.

No pilar da saúde física, de acordo com o site, os cuidados estão voltados à recuperação do organismo e à criação de hábitos mais saudáveis. O trabalho sobre o equilíbrio emocional busca compreender sentimentos, comportamentos e gatilhos que podem levar à recaída. A reconstrução de vínculos envolve a orientação para fortalecer a rede de apoio, enquanto a reintegração prepara o paciente para retomar a rotina com mais segurança e autonomia. Uma análise sobre o funcionamento de uma clínica de reabilitação em Mogi das Cruzes pode contribuir para que famílias compreendam como essas frentes são articuladas na prática clínica.

O contexto que motiva esse tipo de abordagem integrada aparece em dados recentes sobre o consumo de substâncias no país. O levantamento da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), divulgado em 2025 pela Agência Brasil, aponta que cerca de 11,4 milhões de brasileiros com 14 anos ou mais já usaram cocaína ou crack ao longo da vida, o que representa 6,6% da população. Os números apresentados no relatório mostram que o índice era de 4,43% em 2012, o que, segundo os pesquisadores, representa variação estatisticamente significativa.

Marcos Vizzuso, Gestor de Recuperação da Clínica de Recuperação Maikai e autor das obras "Gestão da Recuperação: Um guia essencial para superar a dependência química e o alcoolismo", ISBN 9786501526591, e "Dúvidas, Limites e Decisões: Manual estratégico para famílias de dependentes químicos e alcoolistas", ISBN 9786502084182, avalia que o modelo de cuidado em quatro pilares reflete a complexidade do processo de recuperação da dependência química. Segundo o especialista, "a interrupção do uso é apenas um dos elementos do tratamento, e o paciente precisa de apoio em todas as áreas da vida para sustentar essa mudança. A saúde física precisa ser recuperada, o equilíbrio emocional trabalhado, os vínculos reconstruídos e a volta à rotina preparada com segurança. Quando essas frentes caminham juntas, o paciente tende a desenvolver recursos mais consistentes para lidar com os gatilhos do dia a dia".

No contexto analisado pelo estudo da Unifesp, 2,2% dos entrevistados relataram uso recente das substâncias nos últimos 12 meses, o que equivale a cerca de 3,8 milhões de pessoas. Os números apresentados no relatório mostram que, entre os usuários de cocaína que consumiram no último ano, 43,6% relataram uso frequente, definido como consumo diário ou mais de duas vezes por semana, padrão associado a maior risco de complicações agudas.

Além disso, dados apontam que o uso permanece elevado entre populações vulneráveis, com perfis marcados por desigualdade social, exclusão e baixa escolaridade. O estudo aponta que, entre pessoas sem nenhum estudo, 12,77% já usaram as substâncias alguma vez na vida, o que reforça a necessidade de abordagens terapêuticas que considerem o contexto social do paciente.

O estudo aponta que 0,72% da população apresenta dependência de cocaína, o que corresponde a aproximadamente 1,19 milhão de brasileiros com 14 anos ou mais. A pesquisa afirma que, entre os usuários com consumo no último ano, a prevalência de dependência alcança 74,8%, o que evidencia a importância do acompanhamento continuado após o início do tratamento.

Para Vizzuso, o modelo de cuidado integrado tende a oferecer melhores condições para a sustentação dos resultados ao longo do tempo. "A recuperação não termina na alta da internação, e sim no retorno gradual à vida cotidiana. Por isso, o trabalho sobre saúde física, equilíbrio emocional, vínculos e reintegração precisa estar presente desde o início do tratamento. Esse olhar amplo pode fazer diferença na prevenção de recaídas e no fortalecimento da autonomia do paciente, que é um dos objetivos centrais do processo terapêutico", conclui.

Conteúdo escrito por Marcos Vizzuso, Gestor de Recuperação da Clínica de Recuperação Maikai e autor das obras "Gestão da Recuperação: Um guia essencial para superar a dependência química e o alcoolismo" ISBN 9786501526591 e "Dúvidas, Limites e Decisões: Manual estratégico para famílias de dependentes químicos e alcoolistas" ISBN 9786502084182

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