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Fronteiras entre cargos de comando se dissolvem no topo
Willian Takamura, líder com mais de duas décadas em risco e fintechs, defende em livro o Compliance como formação para chegar a CEO.
20/10/2026 16h09
Por: Marcos Lima Fonte: Agência Dino

Willian Takamura, especialista em compliance, risco e governança no mercado financeiro, lança o livro "Do Compliance à CEO: Liderança Estratégica na Viabilização e Construção de Fintechs" em encontro na sede da Rede Líderes.

A publicação sustenta que o compliance, quando exercido em sua plenitude, constitui uma das formações mais completas para a liderança de uma companhia, pois obriga o profissional a observar a empresa como um todo, a decidir sob condições de ambiguidade e a traduzir questões complexas para quem precisa decidir.

O autor aponta para uma tendência de dissolução das fronteiras entre as funções de comando: CTOs assumem responsabilidades de produto, CFOs incorporam operações e áreas de segurança passam a responder por toda a infraestrutura. Nesse cenário, profissionais que permanecem restritos ao escopo tradicional de seu cargo podem encontrar dificuldades quando as atribuições mudam.

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"Quem é exatamente o perfil do cargo domina o cargo, e para nele. Quem nunca coube é obrigado a juntar lentes e a traduzir entre mundos", afirma Takamura, ressaltando que a diferença entre a posição atual e a desejada costuma estar mais relacionada à amplitude de visão do que à competência técnica.

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A motivação para escrever o livro surgiu de um desconforto pessoal. Ao longo de sua carreira, Takamura transitou por áreas de produto, tecnologia, finanças e operação sem que nenhuma delas o enquadrasse plenamente no organograma. Uma conversa com Vitor Magnani, que escreveu o prefácio, o fez notar que era visto como um CEO, o que o levou a observar de perto lideranças de alto nível, participar de conselhos consultivos de startups, investir em empresas em fase inicial e aprofundar seus estudos.

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Dividido em cinco partes, o conteúdo aborda: a formação da mentalidade de CEO; a construção de equipes de alta performance; a gestão de operações financeiras; o compliance como unidade de inteligência estratégica; e o perfil do líder formado nessa área. Os casos apresentados são reais, porém desidentificados por questões de sigilo, e incluem tanto sucessos quanto falhas, como uma crise em que o autor, apesar de estar tecnicamente correto, não conseguiu evitar o desfecho negativo. A lição extraída destaca que riscos não convertidos em número dificilmente são considerados nas decisões.

Outro ponto central é a visão da regulação como trilho, e não como obstáculo. Takamura demonstra como a abertura da adquirência, as instituições de pagamento, o Pix, o Open Finance e o novo marco cambial colocaram as áreas de controle no centro da construção de negócios. Quando a norma é desenvolvida simultaneamente ao produto, a separação entre quem cria e quem verifica desaparece.

O autor também identifica um padrão de progressão de carreira baseado em convites e redes de confiança, em vez de candidaturas formais. Relações sustentadas ao longo dos anos, baseadas em trocas em que os dois lados ganham, geraram crédito junto a decisores que posteriormente influenciaram sua trajetória. Somado à capacidade de ponderar risco, técnica, norma e valor na mesma conversa, esse padrão aparece na obra como parte da formação de quem chega ao topo.

Com mais de vinte anos de experiência, Takamura iniciou sua trajetória profissional no balcão do depósito de materiais de construção dos pais, em Carapicuíba, onde aprendeu a importância da leitura do outro. Fez ensino técnico em processamento de dados, trabalhou como analista programador e ingressou em um dos maiores bancos de varejo do país, cuidando de sistemas legados de risco de mercado. Posteriormente, foi o primeiro responsável por controles internos de uma fintech de pagamentos que se tornaria uma das primeiras instituições de pagamento autorizadas pelo Banco Central. Atuou em uma fintech de conta digital no início do Pix e obteve, em oito meses, a licença da operação brasileira de uma plataforma asiática de tecnologia, onde coordenou autorizações em cinco países. Em uma fintech global de banking, acumulou as diretorias de compliance e jurídica interina, além da prevenção a crimes financeiros nas Américas. Atualmente, está à frente da construção da operação brasileira de uma instituição financeira de capital estrangeiro focada em crédito.

A obra é publicada pela A7Z, vertical criada pela Rede Líderes para transformar o conhecimento de lideranças em obras de referência. A Rede Líderes reúne lideranças de áreas como CX, RH, tecnologia, cibersegurança, finanças e jurídico, com o objetivo de fomentar conexões intersetoriais e ampliar o poder de tomada de decisão na adoção de serviços e tecnologia.