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Cirurgia plástica requer cuidado antes e depois da operação
Brasil é o país que mais realiza cirurgias estéticas, segundo a ISAPS. O cirurgião plástico Dr. Rubem Bottas, de São José do Rio Preto (SP), explica como a avaliação clínica, o preparo físico e emocional, o uso criterioso de tecnologias e o acompa...
23/10/2026 14h56
Por: Marcos Lima Fonte: Agência Dino

Com cerca de 2,36 milhões de cirurgias estéticas realizadas em 2025, o Brasil manteve a primeira posição mundial nesse tipo de intervenção, segundo a pesquisa global realizada pela International Society of Aesthetic Plastic Surgery (ISAPS). Somados os tratamentos não cirúrgicos, o país alcança 3,2 milhões de procedimentos e fica atrás apenas dos Estados Unidos, volume que leva cirurgiões plásticos a alertar que segurança e resultado dependem de etapas encadeadas: avaliação pré-operatória, preparo do organismo, escolha técnica e acompanhamento próximo na recuperação.

No Brasil, segundo o relatório completo, a lipoaspiração foi a cirurgia mais frequente (256.632), seguida por cirurgia de pálpebras (244.937), aumento de mamas (222.847), mastopexia ou lifting de mama (219.599) e abdominoplastia (153.329). No mundo, a cirurgia de pálpebras segue no topo, com mais de 2,4 milhões de registros, e, pela primeira vez, liderou entre mulheres e homens.

Avaliação começa pela indicação

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Para o cirurgião plástico Dr. Rubem Bottas, do Instituto Bottas, em São José do Rio Preto (SP), a primeira consulta tem peso decisivo. "Costumo dizer que uma cirurgia plástica bem-sucedida começa muito antes de o paciente entrar no centro cirúrgico. O primeiro passo é compreender não apenas o que ele deseja modificar, mas principalmente suas motivações, expectativas e condições de saúde", afirma.

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Segundo o médico, a análise clínica considera histórico de saúde, doenças preexistentes, medicamentos em uso, composição corporal, hábitos de vida e fatores capazes de interferir na segurança do procedimento e na recuperação. "Nem tudo aquilo que o paciente deseja é necessariamente o que seu corpo precisa ou o que a cirurgia pode oferecer com segurança", pondera. "A boa cirurgia plástica não começa com a escolha de uma técnica, mas com a escolha correta de quem deve ser operado, quando e por quê", enfatiza.

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Um estudo publicado em 2023 na Revista Brasileira de Cirurgia Plástica, da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), ampara esse cuidado. Ao analisar prontuários de 76 pacientes submetidas a aumento de mamas com silicone, os autores observaram que comorbidades e maior tempo cirúrgico elevaram as complicações e recomendaram compensar o quadro clínico antes da operação.

Preparo físico e emocional

O preparo do paciente é a etapa seguinte. No aspecto físico, o Dr. Rubem Bottas valoriza estado nutricional, composição corporal, preservação da massa muscular, atividade física regular e controle de doenças, com orientações que podem incluir ajustes alimentares e suspensão do tabagismo. "Mas existe um aspecto igualmente importante: o preparo emocional. O paciente precisa compreender que a cirurgia plástica é um processo, e não um acontecimento isolado", diz. O cirurgião lembra que a recuperação envolve limitações temporárias, inchaço e um período necessário para a evolução dos resultados.

Tecnologia como complemento

Um artigo da ASPS, sigla em inglês da Sociedade Americana de Cirurgiões Plásticos, inclui a radiofrequência para retração de pele e a busca por resultados naturais entre as tendências para 2026. "Na lipoaspiração, por exemplo, não basta retirar gordura. Precisamos considerar a qualidade da pele, sua elasticidade e a capacidade de adaptação ao novo contorno corporal", explica o Dr. Rubem Bottas.

O especialista ressalta que esses recursos não substituem a indicação correta e que, com excesso significativo de pele, a abdominoplastia pode seguir necessária. "A tecnologia não substitui a experiência do cirurgião. Ela amplia nossas possibilidades quando utilizada com critério, conhecimento científico e respeito às características individuais de cada paciente".

Recuperação integrada ao tratamento

"Existe uma percepção equivocada de que a cirurgia termina quando o paciente deixa o centro cirúrgico. Na realidade, naquele momento começa uma fase extremamente importante do tratamento", observa o médico. O período envolve inflamação, cicatrização, reorganização dos tecidos e adaptação do organismo, o que exige vigilância para identificar cedo possíveis complicações. "Por isso, não considero o pós-operatório uma etapa secundária. Ele é parte integrante da própria cirurgia", completa o especialista.

Entre os cuidados dessa fase, a SBCP lista repouso inicial, retomada gradual das atividades, hidratação, malhas compressivas, proteção solar, fisioterapia quando indicada e consultas de retorno. A entidade descreve a recuperação como parceria entre paciente e médico.

No Instituto Bottas, o acompanhamento reúne orientações individualizadas, avaliações periódicas e observação da cicatrização. "A abordagem multidisciplinar permite integrar, conforme a necessidade, diferentes áreas de cuidado, como enfermagem, nutrição e fisioterapia especializada, sempre respeitando a indicação médica e as particularidades de cada caso", detalha o cirurgião.

A ASPS também alerta para o excesso de conteúdo de baixa qualidade gerado por inteligência artificial (IA) na internet. Dr. Rubem Bottas nota que muitos pacientes chegam influenciados por imagens das redes sociais e por expectativas de resultados imediatos. "Meu papel como cirurgião é oferecer uma avaliação responsável, orientar com transparência e indicar aquilo que realmente faz sentido para cada pessoa", destaca. "Acredito em uma cirurgia plástica que respeita a anatomia, preserva a identidade e busca resultados naturais", conclui o cirurgião plástico.

Para mais informações, basta acessar: https://rubembottas.com/