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ARTIGO

Por: Mário Brunetto - Conde di Sant'Elia

Marcos Lima
Por: Marcos Lima Fonte: Redação do Portal Difusão Brasil
27/11/2023 às 20h42 Atualizada em 27/11/2023 às 20h59
ARTIGO

 

 

 

O que é ser Nobre?

 

Frequentemente sou inquirido com a indagação: “O que é ser Nobre?” ou “Como é ser Nobre?”.

Confesso que, em virtude das idiossincrasias de minha vida, falta-me paciência para a estupidez alheia, e algumas vezes replico essa dúvida com uma outra pergunta: “O que é ser Plebeu?”.

Entretanto, a culpa pela truculência de minha reação assola minha consciência, levando-me à procura de quem foi alvo de minha injusta atitude, e muitas vezes tudo acaba em um leve bate-papo, acerca dos papéis exercidos na sociedade por todos aqueles que a compõe: dos mais humildes, aos mais abastados.

Considero uma obrigação de todos nós a exaltação de nossos antepassados. Países praticantes da verdadeira civilidade, como o Reino Unido, onde tive o privilégio de morar, por certo período, e o Japão, um país que considero um verdadeiro celeiro de ensinamentos sobre a prática dos deveres e direitos, pilares basilares de uma sociedade, o único que considero como o maior sucesso dentre as dezenas que conheci.

A ‘terra do sol nascente’, localizada no Extremo Leste da Ásia, é o máximo do êxito de tudo que é oriundo dessa teoria, na prática. Todo esse avanço fica evidente e sintetizado, na frase que ouvi de um local: ‘”Existe maneira mais eficaz e célere de garantir seus anseios individuais do que preconizar os anseios coletivos?’’.

O impacto dessa profunda lição sintetiza todo o substrato que nutre a minha esperança de que, quiçá um dia, tenhamos, em terras tupiniquins, algo semelhante.

Retomando ao âmago suscitado nessa dissertação, indaguei-me a fundo como a criatividade pode atingir níveis tão elevados. Comentários hilários, no formato do esclarecimento de curiosidades, como “Conde tem trono?’’ Confesso que o único que possuímos é aquele presente em todas as residências, e desse modo assim chamados, os vasos sanitários.

Inobstante as legítimas curiosidades que me são explicitadas, tenho descomunal orgulho dos presentes em minha árvore genealógica, como meu primeiro ascendente, Nasir Ed Din, o qual. no ano de 1248 D.C., convertendo-se ao Cristianismo, lhe foi conferido o título de Cavaleiro, sendo-lhe incumbido o dever de liderar a tropa imperial, de Frederico II.

Meu Nonno (avô) relatava que, ao longo de parte de sua infância, existiu no palácio do Barão Monti um médico de muita fama que com sua irmã habitavam essa enorme residência, em frente à ‘’Fontana di Trevi’’.

O Barão, dotado de elevada autoestima, ao detectar uma patologia no dedo maior de seu pé, ordenou que um de seus serviçais viesse a cortar a ponta de todos os seus calçados. Assim, não sofreria mais com as dores geradas pelo inconveniente mal de que sofria.

Ainda pequenino, meu Nonno, dotado da deliciosa curiosidade infantil, indagou ao seu tio: ‘’Dom Monti, mas o senhor não sentirá vergonha de sair em público com o dedão de fora de seus sapatos?’’, Com toda a pompa que lhe era característica, o Barão respondeu ao seu sobrinho, sem hesitar: ‘’Tutti sano chi è Don Monti! Non ci sara un paio di sacarpi a cambiarlo” (Todos sabem quem é o Dom Monti, e não serão meros sapatos furados capazes de modificar nada disto).

Com todo o devido respeito, discordo de meu avô, e acredito que se todos fizessem o que lhes atenua incômodos, teríamos uma quantidade absurdamente menor de frustrados, não se importando com terceiros enxeridos.

Detenho plena e inexorável convicção de que com mais pessoas pouco se importando com a repercussão de seus atos individuais, menor seria a quantidade de ‘’pseudos paladinos da justiça e bons costumes’’ a criticarem aqueles que, de forma heroica, rompem com os paradigmas sociais e procuram agir em conformidade com seus objetivos em busca da tão almejada felicidade.

Acrescento uma frase de minha autoria, com uma pitada de petulância, mas imbuído da observação das relações sociais: ‘’Gente feliz não enche o saco’’.

Tratando-se do comportamento, objetivos e modo de viver, sou compelido a confessar que foi com minha família nobre que compreendi o verdadeiro significado do termo. Os mesmos que, para minha surpresa - pois em nosso país tal fato raramente ocorre -, sempre convidavam seus funcionários domésticos para almoçarem e jantarem com toda a família.

Aproveito a oportunidade para chancelar meu imenso afeto por minha querida amiga, Silvana, de origem croata, que auxiliou minha amada Zia (tia), na criação de nosso caçula, Gianfabio, ‘’mio cuginetto’’ (meu priminho), um dos maiores altruístas que conheci. O ser que, ao se deparar com o horror do terremoto da Região de Acquila, no nobre ímpeto de ajudar os desafortunados, abasteceu seu carro de garrafinhas de água mineral e partiu em busca de amenizar a precária situação dos sobreviventes da famigerada tragédia.

Meu saudoso Nonno, em certo dia, contemplando o mar - como expressou minha pequenina filha, Antonella, com apenas dois anos e pouco de idade -, me explicou como observar a beleza do, até então, tido por mim como frugal, delicioso som do oceano, do acalento dos raios solares em meu rosto, e da exuberância do Mediterrâneo bem ali, à minha frente.

Uma refeição, usufruída em uma autêntica família nobre italiana, tem suas indeléveis características: todos os presentes encontram-se à mesa, por livre e espontânea vontade.

Ora, vocês não imaginam a delícia de gozar da presença de quem amamos, ainda mais com o deleite das maravilhas culinárias, carinhosamente de autoria de minha saudosa a afetuosa Nonna (avó), foco de minhas profundas reflexões, fazendo-me chegar à conclusão de que afortunados são aqueles que ainda podem se deliciar com a presença daqueles que de fato se ama.

E nesse ínterim, afirmo que no altruísmo, na observância das belezas divinas que nos circundam, como nossas belas praias, e no singelo almoço dominical, reside a real definição do que de fato é ser, e vivenciar o sentido do que é ser nobre! 

Dedicado aos meus amados Nonni (avós) que se foram

Conde di Sant’Elia

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