Por Marcos Lima - Um dos homenageados na IV Edição do Prêmio Fundação Perrone, o Aria Social (Espaço de Dança e Arte) foi criado em 1991, pela bailarina Cecilia Brennand, com o objetivo de abrigar e integrar todas as artes e para suprir significativamente a demanda social, bem como para contribuir com a democratização cultural e artística do Estado de Pernambuco.
O Aria Social tem como via de ação a educação através da arte, por acreditar em sua força transformadora.
Dentro dessa política, o Aria se tornou um ambiente aberto e convidativo, onde crianças, jovens e adultos podem transitar livremente, assimilando cultura de forma consciente, ou mesmo inconsciente.
Já se passaram 33 anos de dedicação à valorização da cultura, movimentando a cena artística local, fomentando a cadeia produtiva, revelando talentos, formando público interessado e crítico.
Transformada em uma organização sem fins lucrativos, a instituição atende anualmente 450 crianças e jovens em situação de vulnerabilidade social, com idade entre 6 e 25 anos, e oferece educação de qualidade através da arte da dança e da música.
O resultado disso tudo é o desenvolvimento educacional, social, artístico e cultural de mais de 9.000 vidas transformadas, de crianças e jovens, que vêm sendo atendidos desde 2014, contribuindo para a formação de valores éticos, o fortalecimento da cidadania e a transformação de vidas.
O Aria também oferece cursos, palestras, espetáculos de dança, exposições museológicas de nomes importantes como Volpi, Mestre Didi, Marco Giannotti e Leda Catunda.
Após mais de três décadas, muito já foi feito, mas Cecília Brennand sempre teve a certeza de que era possível ir além no alcance e impacto da iniciativa. E foi assim que o Ária se firmou como um espaço que respira, inspira e transpira arte, formando uma comunidade unida pelo desafio de ampliar o acesso à educação, à profissionalização e a melhores oportunidades de vida.
Atuando no potencial educativo, na disciplina, na força propulsora da criatividade e no fortalecimento da autoestima, o Aria Social, localizado à Avenida Ayrton Senna da Silva, 748, em Piedade, no município de Jaboatão dos Guararapes, se tornou um instrumento acessível de uma população que sempre teve necessidade de um local assim: mágico, com a oferta de várias oportunidades e com uma porção enorme de amor para doar àqueles que mais necessitam, através dos seus principais valores: Ética, Transparência, Solidariedade e Disciplina.
E é através dessa maravilhosa instituição que a bailarina Cecília Brennand consegue transformar vidas, com respeito e solidariedade, sentimentos que ensejaram o Aria Social a promover o acolhimento de crianças e jovens com transtorno de espectro autista, da Fundação Perrone, e suas mães, oportunizando a que eles possam vivenciar este espaço de Arte e Amor.

Destaque
Fred Ramon: o aluno do Aria que concretizou seu sonho com a aprovação em 9 universidades nos EUA
Fred Ramon, 20 anos, ex-aluno do Aria Social, conta que a experiência nessa maravilhosa escola de artes, que tem a dança como foco principal, foi importante para ampliar os seus horizontes e para aprender a lutar por seus objetivos, principalmente o de estudar no exterior.
O sonho do jovem foi concretizado com a aprovação em nove universidades dos Estados Unidos. Agora, ele luta para conseguir o dinheiro que falta para as despesas não cobertas pela bolsa de estudos e concretizar o seu sonho de estudar nos Estados Unidos.
“Fui muito bem acolhido no Aria, onde fiz um curso de Dança. Aprendi muitos movimentos, maracatu, dança popular, estiquei o meu corpo. A partir dessa experiência, fui contratado em um cruzeiro como instrutor de dança e fui dar aula em Dubai. Minha experiência no Ária foi fundamental para eu chegar aonde cheguei, pois foi através dessa arte que ampliei os meus horizontes e aprendi e focar na realização dos meus sonhos”, conta Fred.
Fred Ramon dos Santos Gomes é realmente um jovem fora da curva. Mesmo com poucas oportunidades e quase nenhum dinheiro, aos 20 anos ele conquistou vaga em nove universidades dos Estados Unidos. Ele, então, juntou seus sonhos e saiu de Jaboatão dos Guararapes (PE), onde vivia com a mãe, Silvia dos Santos Gomes, que trabalha como faxineira, e seguiu rumo a uma delas em Los Angeles.
Agora, aos 23, ele luta para concluir os estudos e dar uma vida melhor à família. O pernambucano abriu uma vaquinha on-line para custear os últimos semestres da graduação.
“Quando você é um jovem de baixa renda e sabe muito bem o que é a pobreza, você tem muita vontade de crescer na vida, de superar os desafios, de alcançar novos lugares, novas oportunidades, mas tudo é muito difícil porque, no fim das contas, é uma questão de dinheiro”, reflete o estudante de ciência da computação e administração de negócios.
Fred nunca teve regalias. Estudou a vida toda em escolas públicas, e aos 14 anos, começou a aprender inglês por meio de projetos sociais. O desejo de falar a língua norte-americana veio de clipes de músicas que assistia na TV aberta, sobretudo, os da diva pop Christina Aguilera.
“Fui cultivando essa paixão dentro de mim”, relembra. Nesse período, ele também aprendeu um pouco de espanhol e francês, tudo por meio de projetos sociais para alunos de baixa renda. Aos 18 anos, botou na cabeça que ia para os Estados Unidos para seguir essa paixão pela língua.
“O trabalho me daria apenas o cargo, mas a faculdade te dá uma carreira, então eu comecei a pensar em fazer faculdade fora, comecei a assistir vídeos de como se inscrever para Harvard, como ganhar bolsa completa em várias faculdades, e fui me aprofundando”, explica.
Até o momento, Fred conseguiu pouco mais de R$ 15 mil entre doações em Pix e pelo site da vaquinha. Com o dinheiro, ele já consegue pagar a primeira parcela desse semestre, mas ainda precisa de pelo menos R$ 180 mil para quitar os semestres restantes.
“Eu vou ter que fazer tudo o que eu posso honestamente para tentar ajuda, e não sair da faculdade, que é um sonho. Eu tento tirar força não sei de onde, mas eu tento fazer o possível. Veja, eu não estou pedindo [dinheiro] para me divertir, eu estou pedindo para estudar”, ressalta Fred.
“A bolsa cobre 70% das despesas, mas preciso dos outros 30% para poder estudar na universidade americana. São cerca de R$ 158 mil por ano”, finaliza Fred Ramon.
A diretora do Aria Social, Cecília Brennand, destaca que todas as conquistas de Fred Ramon foram fruto da inteligência dele.
“O papel do Aria nessa conquista foi o de estimular as competências de Ramon, de incentivá-lo a acreditar nos seus sonhos. O Aria o ajudou a redimensionar o seu olhar sobre a vida através da arte. Essa é a missão da nossa entidade: promover a transformação humana através da arte-educação”.
A entidade sobrevive com o apoio de patrocinadores, parceiros, e voluntários. Conheça mais através do site www.aria.art.br e seja um colaborador.
Doações
Quem quiser colaborar com o estudante pode fazer um depósito via PIX através da chave 81997210197.
Para fazer doações para o Ária Social entre em contato pelo WhatsApp: (81) 99437.3085.
Sensação
Vento
Umidade



