
O presidente Jair Bolsonaro, em coletiva realizada nesta manhã, ao lado de vários ministros, aqui no Recife, confirmou ajuda ao Estado e à sua população, para o enfrentamento à catástrofe ocasionada pelas chuvas dos últimos dias.
Catástrofe esta que já ceifou a vida de mais de 100 pessoas (número que ainda deve aumentar, uma vez que ainda restam muitos desaparecidos), dezenas de famílias enlutadas e mais de 4 mil desabrigados.

A coletiva aconteceu na Base Aérea do Recife, no bairro do Jordão, quando o chefe do Executivo destacou a destinação de R$ 1 bilhão para a realização de serviços essenciais após as grandes chuvas que atingiram a Região Metropolitana do Recife.
Antes, Bolsonaro realizou um sobrevoo sobre áreas afetadas pelos efeitos das chuvas na Região Metropolitana do Recife. Ele estava acompanhado de ministros, como Augusto Heleno (Gabinete de Segurança Institucional), Anderson Torres (Justiça), Daniel Ferreira (Desenvolvimento Regional) e Marcelo Queiroga (Saúde), além do presidente da Caixa, Pedro Guimarães, deputados federais e do prefeito de Jaboatão dos Guararapes, Luiz Medeiros.
No domingo, Ferreira esteve em Pernambuco acompanhado de Queiroga e dos ministros Carlos Brito (Turismo) e Ronaldo Bento (Cidadania). O ex-ministro do Turismo Gilson Machado Neto, pré-candidato a senador em Pernambuco pelo PL, também participou da comitiva.O grupo sobrevoou as áreas mais atingidas, como o Jardim Monte Verde, no bairro do Ibura, zona sul da capital, onde 20 pessoas morreram num deslizamento de terra.
O presidente afirmou, na coletiva, que os municípios que solicitarem apoio federal devem ser beneficiados. Ele afirmou que a cidade do Jaboatão dos Guararapes já fez a solicitação e já recebeu os recursos. Segundo o prefeito de Jaboatão dos Guararapes, Luiz Medeiros, foram recebidos R$ 2,3 milhões destinados à assistência humanitária.
Segundo o presidente, quando um município decreta calamidade, o Ministério de Desenvolvimento Regional reconhece e o recurso deve ser liberado, em média, em até 48 horas, ou até no mesmo dia.
Jair Bolsonaro reforçou que o governador Paulo Câmara demorou muito para agir, assim como a Prefeitura do Recife, cujo prefeito, João Campos só resolveu mostrar a cara quando soube que a força tarefa viria a Pernambuco.
A comitiva anunciou liberação de recursos e benefícios para pessoas atingidas pelos desastres em Pernambuco, por meio do BPC (Benefício de Prestação Continuada) e de saques emergenciais do FGTS (Fundo de Garantia por Tempo de Serviço), além de crédito extraordinário.
O presidente da Caixa Econômica Federal, Pedro Guimarães, afirmou que será liberado o acesso ao Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) para os trabalhadores das áreas atingidas.
Daniel Ferreira disse que, no sábado (28), entrou em contato com autoridades locais para oferecer suporte federal. "Ainda no sábado, liguei para o prefeito do Recife e coloquei toda a equipe do Ministério do Desenvolvimento Regional à disposição. Também liguei para o governador de Pernambuco e disse que não faríamos política com desastre."
Ausências
Diante de toda a calamidade, o governador não compareceu à coletiva do presidente Bolsonaro nem enviou, sequer, um secretário.
De acordo com o governo pernambucano, "o presidente não falou com o governador" sobre as chuvas. Além disso, Paulo Câmara "também não foi convidado para nenhuma reunião com os ministros" do governo Bolsonaro. Na noite do domingo, o governador também disse não ter sido comunicado da visita presidencial ao Estado nesta segunda.
"O governador, no momento de crise, tem que esquecer questões políticas, arregaçar as mangas e não fazer política em cima da desgraça de alguns, como infelizmente aconteceu, com a perda de parentes", afirmou o presidente.
Acreditamos, no entanto, que não foram questões políticas que fizeram com que o governador não comparecesse à Base Aérea do Recife. Só existem 4 razões:
· O governador está sem assessoria, pelo menos alguém que organize uma clipagem para inteirá-lo dos problemas ligados ao seu Estado e à sua gestão;
· O governador não lê jornais, blogs e outros veículos impressos ou das redes sociais, ou não escuta rádio nem vê televisão. O presidente Jair Bolsonaro disse por meio de suas redes sociais, no domingo (29/5), que viria a Recife nesta segunda (30/5), para "se inteirar da tragédia" em Pernambuco, assolado por fortes chuvas;
· Também não foi informado pelo prefeito da capital que, por certo, também sofre das mesmas deficiências e não ficou inteirado da vinda do presidente ou, em última hipótese,
· O governador e o prefeito não queriam deixar o conforto de suas casas – ou palácios -, e vir debater assuntos a respeito da população que só lhes interessa quando estiver mais próximo do dia da eleição, como bem lembrou o presidente: "Caso o governador estivesse presente, ele poderia expor com mais propriedade a situação e fazer algumas solicitações para nós, mas resolveu ficar em casa, sem lembrar que a pandemia já acabou e ele já até liberou o uso de máscaras em todo o Estado. Mas mesmo assim, se o governador ligar, eu atendo, assim como todos que me ligaram", disse Bolsonaro.
Pergunta do jornalista e blogueiro Ricardo Antunes
“Um governador de Estado não precisa de convite oficial numa hora dessas. Isso é pura frescura. Me diga qual problema em ir receber o presidente da República? São duas instituições no meio de uma tragédia com mais de 100 mortos e mais de 4 mil desabrigados.
Não se preparem
Vai ter liberação de verbas para atender as necessidades de recuperação do Estado e da situação dos que foram atingidos, sim, mas é bom que ninguém se prepare para receber. Para poupar o trabalho dos governadores e prefeitos o Governo Federal vai liberar direto para os interessados e necessitados.
Procuram-se
O ministro do Turismo, o pernambucano Carlos Britto, citou os nomes de vários prefeitos, menos os de João Campos, assim como o do governador do Estado, que não receberam convites, como aconteceu por ocasião do casamento de Lula.
Britto falou que não era momento de brigas, de birras e de picuinhas.
“O momento é de união e de ação conjunta em prol da população atingida, independentemente de questões eleitoreiras”, ressaltou o ministro.