
O Portal Difusão Brasil se refere ao dia de hoje, 08 de março, como o dia da ‘Comemoração do DIA INTERNACIONAL DA MULHER’ porque considera que a MULHER, pela sua importância, pelas suas conquistas, pelo seu espírito guerreiro, não deve ser exaltada e ter apenas um dia para isso.

Comemorado todos os anos em 8 de março, o Dia da Mulher pode parecer apenas mais uma data comercial como tantas outras, porém há razões mais sérias para ser neste dia. Afinal, não é de hoje que as mulheres desempenham um papel fundamental para o mundo e que merecem ser respeitadas e tratadas com igualdade.
A data, que destaca a importância da figura da mulher na sociedade e também suas conquistas e direitos, é comemorada desde o começo do século XX.
O Dia Internacional da Mulher homenageia, principalmente, a luta e as conquistas femininas através da história do mundo.
Greve de 1857
(Foto: Greve das mulheres por pão e paz na Rússia - Domínio Público/Wikimedia Commons)
Uma das versões mais conhecidas para a criação do Dia Internacional da Mulher foi uma greve realizada por mulheres operárias em Nova Iorque, nos Estados Unidos, em 1857.
Segundo a narrativa histórica, essas mulheres teriam se reunido para reivindicar a redução da jornada de trabalho e a criação de uma espécie de licença-maternidade.
Naquela época, trabalhava-se muito e ganhava-se pouco, o que teria motivado os protestos.
Na luta por seus direitos, contudo, as operárias teriam morrido em um incêndio criminoso ocorrido na fábrica de tecidos Cotton, supostamente comandado pelo diretor da empresa.
Embora a origem da data mais feminina do ano seja, de fato, ligada à luta de mulheres operárias por seus direitos, o que aconteceu, na verdade, foi um pouco diferente.
Essa greve tem, realmente, uma grande importância na história das comemorações nesse dia.
No entanto, conforme mostram as comprovações históricas, o Dia da Mulher ganhou força a partir de greves realizadas por mulheres nos Estados Unidos e na Rússia.
Greve nos Estados Unidos
Mais de 60 anos antes da oficialização do dia 8 de março como o Dia Internacional das Mulheres, cerca de 15 mil mulheres americanas se reuniram para uma greve.
Essa manifestação aconteceu em Nova Iorque, em 1909, e ficou conhecida como Dia da Mulher.
Naquela época, a carga horária de trabalho era exaustiva: trabalhava-se cerca de 14 horas em semanas de seis dias e o salário era baixíssimo. Além disso, as condições de trabalho delas eram piores que as dos homens.
Ambos trabalhavam em ambientes tão precários que representavam um cenário propício para o perigo.
Em 25 de março de 1911, então, aconteceu um incêndio na fábrica têxtil Triangle Shirtwaist Company, em Nova Iorque, que matou 125 mulheres e 21 homens.
A comoção com a tragédia foi tão grande que os sindicatos e o movimento trabalhista nos Estados Unidos se fortaleceram após o incidente.
A relação do Dia da Mulher com a Revolução Russa
Já na Rússia de 1917, cerca de 90 mil mulheres trabalhadoras do setor de tecelagem se reuniram para protestar nas ruas.
A fome mundial foram as principais figuras da primeira aparição, que aconteceu em fevereiro do antigo calendário russo e em 8 de março, no calendário gregoriano.
Por esses motivos, o ato ficou conhecido como “Pão e Paz”.
Com a adesão de milhares de pessoas, foi um evento que impulsionou a Revolução Russa. Após o episódio, o dia 8 de março foi oficializado pelos soviéticos como uma data para comemorar a “mulher heroica e trabalhadora”.
Controvérsias
Embora uma das datas alusivas à origem da do Dia da Mulher seja associada ao incêndio na fábrica têxtil, há teoria que diz que a existência na Europa está relacionada a outros dados.
De acordo com ela, no ano de 1910, a sindicalista alemã, do Partido Comunista da Alemanha, Clara Zetkin, foi quem impulsionou as mulheres a uma jornada de manifestações socialistas pela igualdade de direitos.
A data, porém, não foi determinada e o primeiro dia oficial da mulher na Europa foi celebrado no dia 19 de março de 1911.
Apesar dessas e outras controvérsias sobre a origem do Dia da Mulher, a data existe mais para reflexão e não apenas destinado a homenagens ou troca de presentes.
Embora tenha se tornado uma data com forte apelo comercial, é um dia de luta pelo empoderamento feminino, equidade e respeito.
Em países como o Brasil e os Estados Unidos, o dia 8 de março é marcado por protestos organizados por mulheres em suas principais cidades.
Além da igualdade salarial, as bandeiras mais levantadas pelos participantes desses movimentos são a descriminalização do aborto, a política de combate à cobrança do feminicídio, entre outras questões urgentes a serem resolvidas.
Ou seja, é um momento que serve para levantar os principais problemas que as mulheres enfrentam e também para aumentar a conscientização sobre a igualdade e a necessidade de respeito.
Marcos das conquistas das mulheres no Brasil
Mesmo com uma história marcada pela submissão e violência, com o passar do tempo a mulher conquistou muitos direitos, porém ainda há muito a ser superado.
No país, o movimento por melhores condições para as mulheres remonta ao começo do século 19.
Em 1813, o baiano Domingos Borges de Barros passou a defender junto às cortes portuguesas a participação da mulher na política.
Já 60 anos depois, em 1873, elas tiveram o direito a frequentar instituições de ensino superior pela 1ª vez na história.
Este ano de 2023 marca 91 anos que as mulheres brasileiras conquistaram o direito ao voto, adotado em nosso país em 1932.
A luta pelo voto já havia começado bem antes. O Brasil poderia ter sido a 1ª Nação do mundo a aprovar o voto feminino.
O Rio Grande do Norte foi o 1º Estado brasileiro a conceder o voto à mulher: em 1927, foi registrada naquele Estado nordestino a 1ª eleitora, Celina Guimarães Viana, que requereu o alistamento baseada no texto constitucional do Estado, que mencionava o direito ao voto sem distinção de sexo.
Entretanto, na 1ª eleição em que as mulheres votaram, em 1928, seus votos foram anulados por decisão da Comissão de Poderes do Senado Federal, sob a alegação de que era necessária uma lei especial a respeito. Em seguida, seria eleita, em 1929, a 1ª prefeita da América do Sul, Alzira Soriano, na cidade de Lajes (SC).
Em fevereiro de 1932, Getúlio Vargas assinou o tão esperado direito de voto, através do Decreto nº 21.076, instituído no Código Eleitoral Brasileiro. No ano seguinte, as brasileiras puderam participar da escolha dos seus candidatos para a Assembleia Constituinte em todo o país, mas o voto feminino ainda era facultativo. Somente com a promulgação da nova Carta Magna de 1934 o direito feminino de se alistar foi transformado em dever.
Lei Maria da Penha

Outro marco histórico importante veio em 7 de agosto de 2006, quando foi sancionada a Lei nº 11.340, conhecida popularmente como Lei Maria da Penha, o principal instrumento legal para coibir e punir a violência doméstica praticada contra as mulheres no Brasil.
Seu nome foi uma homenagem à farmacêutica que, por anos, foi vítima de violência doméstica pelo próprio marido.
A lei Maria da Penha é uma importante ‘arma’ feminina, que ajuda a combater o problema que afeta uma mulher, a cada dois minutos, em todo o país. O dado foi divulgado em 2019 durante a realização do Fórum Brasileiro de Segurança Pública.
Curiosidades sobre o Dia da Mulher
A seguir, relacionamos mais algumas curiosidades que destacam a importância do Dia das Mulheres para relembrar as lutas e direitos femininos perante a sociedade:
· Desde 1996, a ONU atribui um tema global para promover uma reflexão mais focada sobre o Dia Internacional da Mulher; 
· O 1º Dia Nacional da Mulher foi comemorado no dia 28 de fevereiro de 1909, nos Estados Unidos, após uma declaração do Partido Socialista da América;
· Com a data reconhecida em mais de 25 países, em alguns deles, é feriado oficial, mas na China, Macedônia, Madagascar e Nepal é um feriado apenas para mulheres; 
· No dia 8 de março de 2000, surgiu o maior movimento feminista internacional, conhecido pela sigla MMM ou Marcha Mundial das Mulheres;
· No dia 25 de julho, é comemorado o Dia Nacional de Teresa de Benguela e da Mulher Negra, data instituída em 2014 para homenagear a líder quilombola que viveu no Brasil do século 18;
· No dia 5 de setembro, é celebrado o Dia Internacional da Mulher Indígena. Desde 1983, uma homenagem à quéchua Bartolina Sisa, morta durante a rebelião anticolonial de Túpac Katari, na atual Bolívia;
· No dia 25 de novembro, existe ainda o Dia Internacional de Combate à Violência contra a Mulher, data instituída em 1891 para homenagear as revolucionárias dominicanas Irmãs Mirabal, e oficialmente adotada pela ONU a partir de 1999;
· Nos Estados Unidos, desde 2011, a história da mulher é celebrada durante todo o mês de março, que é conhecida por lá como o “Mês da História da Mulher”.
