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Médico lançou em Recife e torce para que floresça o Projeto Biblioteca de Rua

Mesmo com tantos atos de vandalismo por vários pontos do Recife, oProjeto é respeitado e sempre qauem pega livros os devolve pouco tempo depois

UM OLHAR SOBRE RECIFE

UM OLHAR SOBRE RECIFERecife está abandonada e, com esta coluna, queremos chamar a atenção do Poder Público, dos nossos parlamentares - estaduais e federais -, os comerciantes e a população para, juntos, buscarmos soluções para mudar esse triste cenário que nos envergonha e faz Recife ficar cada vez mais da Recife do nosso passo.

02/01/2026 20h47Atualizado há 2 semanas
Por: Marcos Lima
Fonte: Redação
A casinha e o autor do projeto Biblioteca de Rua
A casinha e o autor do projeto Biblioteca de Rua

Antes do Réveillon, eu já havia pensado em escrever um artigo para a minha coluna Um Olhar Sobre Recife em que eu falasse de algo que pudesse contribuir como um incentivo à leitura e a importância desse ato. Isto porque minha filha mais nova ganhou um concurso de Redação, mas ela não costuma ler como eu fazia, a ponto de ler 2, 3 livros num mesmo período.

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Coincidentemente, fomos passar a Virada do Ano na casa de um casal de amigos - um médico e uma advogada -, em que o médico foi o idealizador e lançou em Recife o “Projeto Biblioteca de Rua”.

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Resolvi então juntar um breve histórico desse belo projeto com alguns excertos de uma matéria da professora Daniela Diana2, publicada no site www.todamateria.com.br para falar da 

Importância da Leitura 

Tanto a leitura quanto a escrita são práticas sociais de suma importância para o desenvolvimento da cognição humana. 

Ambas proporcionam o desenvolvimento do intelecto e da imaginação, além de promoverem a aquisição de conhecimentos. 

Dessa maneira, quando lemos ocorrem diversas ligações no cérebro que nos permitem desenvolver o raciocínio. Além disso, com essa atividade aguçamos nosso senso crítico por meio da capacidade de interpretação. 

Nesse sentido, vale lembrar que a “interpretação” dos textos é uma das chaves essenciais da leitura. Afinal, não basta ler ou decodificar os códigos linguísticos, faz-se necessário compreender e interpretar essa leitura. 

Os benefícios da leitura

Muitos são os benefícios que a leitura proporciona: desenvolvimento da imaginação, da criatividade, da comunicação, bem como o aumento do vocabulário, conhecimentos gerais e do senso crítico. 

Além desses benefícios, com a leitura exercitamos nosso cérebro, o que facilita a interpretação de textos e leva à maior a competência (habilidade) na escrita. 

Leitura e cérebro: Ilustração que mostra a leitura e sua importância para o cérebro 

Ao ler, o indivíduo adquire maior repertório, ampliando e expandindo seus horizontes cognitivos. Para além disso, estudos apontam que o ato de ler é muito prazeroso na medida em que reduz o stress ao mesmo tempo que estimula reflexões. 

Por esse motivo, a leitura deve ser incentivada desde a educação primária. Incentivar os filhos pequenos em casa e criar hábitos são chaves importantes para que as crianças desenvolvam o gosto pela leitura. Uma dica é levá-los nas bibliotecas, livrarias ou mesmo contar histórias para eles. 

Para o escritor brasileiro Monteiro Lobato: "Um país se faz com homens e livros"1. 

A palavra “leitura” vem do latim lectura, e significa eleição, escolha. 

A evolução da leitura

Com a invenção da Imprensa (Tipografia), em 1455, pelo inventor alemão Johannes Gutenberg (1398-1468), o ato de ler (anteriormente divulgado por manuscritos), expandiu-se rapidamente. Junto a isso, proporcionou maior a difusão e produção de conhecimentos no mundo. 

Imagem que mostra a evolução da leitura nas diferentes mídias 

Com a globalização e a aceleração das transformações comunicacionais e digitais da modernidade (televisores, computadores, celulares etc) o ato da leitura foi cada vez mais adquirindo um lugar secundário. 

Todavia, tal seja a importância da leitura no mundo, a expansão tecnológica proporcionou outras formas de leitura, por exemplo, os famosos e-books. 

A leitura no Brasil

Estudos apontam que no Brasil a média de leitura dos brasileiros é de 1 livro por ano. Esse dado nos deixa numa das posições muito baixas em relação a outros países da América Latina. Na Argentina, por exemplo, a média anual é de 12 livros por habitante/ano, ou seja, pelo menos 1 livro lido por mês. 

Essa realidade se torna mais clarificada quando pensamos no problema do “analfabetismo funcional”. Ou seja, o conhecimento do código linguístico unido à limitada capacidade de interpretar os textos. Esse é um dos principais problemas da educação no país e, portanto, as estatísticas assustam. 

Leitores no Brasil por região - Fonte: Ibope Inteligência/Fundação Pró-livro 

Segundo pesquisas realizadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE (Censo 2010), cerca de 20% da população brasileira é considerada analfabeta funcional. Nesse panorama, destaca-se a Região Nordeste, com aproximadamente 30% da população. 

Esse problema estrutural deve-se à precariedade do Ensino Público do país e a falta de incentivos que apoiem o hábito e a importância da leitura nas escolas. No entanto, diversos programas educacionais têm focado na leitura e na escrita. 

Segundo Anna de Hollanda, irmã de Chico Buarque, cantora, compositora, produtora, diretora teatral, roteirista, atriz e dramaturga, que foi ministra da Cultura do Brasil no Governo Dila roussef, de 1º de janeiro de 2011 a 13 de setembro de 2012 “Um país rico é um país de leitores”. 

A leitura é tão importante que tem um dia só para ela.

O dia 12 de outubro foi escolhido para o Dia Nacional da Leitura no Brasil pela Lei nº 11.899/2009, com um duplo simbolismo: homenagear a data como o Dia das Crianças, incentivando o hábito de ler desde cedo, e também coincidir com o aniversário do escritor Monteiro Lobato, figura fundamental na literatura infantil brasileira, reforçando o amor pelos livros e pela cultura nacional, além de ser a data da fundação da Biblioteca Nacional. 

1. Nota

Frases de alguns gênios atuais e do passado sobre a leitura

“O estudo foi para mim o remédio soberano contra os desgostos da vida, não havendo nenhum desgosto de que uma hora de leitura me não tenha consolado.” (Montesquieu)

“A leitura após certa idade distrai excessivamente o espírito humano das suas reflexões criadoras. Todo o homem que lê demais e usa o cérebro de menos adquire a preguiça de pensar.” (Albert Einstein)

“Chega-se a ser grande por aquilo que se lê e não por aquilo que se escreve.” (Jorge Luis Borges)

“Quem não lê, não quer saber; quem não quer saber, quer errar.” (Padre Antônio Vieira)

“A leitura é uma necessidade biológica da espécie. Nenhuma tela e nenhuma tecnologia conseguirão suprimir a necessidade de leitura tradicional.” (Umberto Eco)

“Meus filhos terão computadores, sim, mas antes terão livros. Sem livros, sem leitura, os nossos filhos serão incapazes de escrever - inclusive a sua própria história.” (Bill Gates). 

2. Daniela Diana

Licenciada em Letras pela Universidade Estadual Paulista (Unesp) em 2008 e Bacharelada em Produção Cultural pela Universidade Federal Fluminense (UFF) em 2014. Amante das letras, artes e culturas, desde 2012 trabalha com produção e gestão de conteúdos on-line.

 

Como começou a história do Projeto Biblioteca de Rua

Natural de Rio Grande (RS), o Dr. Enio Daniel Koch é médico há 20 anos, chegando já formado a Recife (PE). Na capital pernambucana ele realizou Residência Médica no Hospital Osvaldo Cruz e há 18 anos foi contratado pela Prefeitura do Recife, através de concurso público, como médico da família. 

Casado com a Dra. Vanessa Campos e pai de Mariana, além de ser um excelente profissional da Medicina ele também demonstra ter sensibilidade e entender que, como afirmou o escritor brasileiro Monteiro Lobato: "Um país se faz com homens e livros". 

Foi justamente por esse entendimento, que ele viu, sentiu o desejo de fazer igual e lançou em Recife, em 2019, o Projeto Biblioteca de Rua. 

Impossibilitado de continuar impulsionando o projeto com a instalação de novas “casinhas”, ele espera que o Poder Público também se interesse e dê continuidade ao mesmo.

O projeto da Biblioteca de Rua surgiu quando eu, viajando, vi em uma praça em Salvador. Achei a ideia ótima e vim pra Recife com este pensamento na minha cabeça: teria que dar início a um projeto igual. Quem sabe outras pessoas não se sentiriam motivadas a fazer o mesmo?”, começa a explicar o Dr. Daniel Koch. 

Primeira casinha do projeto Biblioteca de Rua - Foto: Arquivo Pessoal

“E foi assim que eu fiz. Tão logo cheguei a Recife, mandei fazer a casinha em uma marcenaria por R$ 100,00. Eu mesmo a coloquei no local e pus nela os primeiros livros. Após dar esse pontapé inicial nunca mais precisei colocar. Hoje, ela se autossustenta. As pessoas pegam e levam os livros e, na maioria das vezes os devolvem. Outras também colocam livros seus lá. Algumas pessoas deixa inclusive apostilas escolares, mas essas não são aconselháveis porque tomam muito espaço e não são atrativas”, continua o Dr. Daniel. 

“E a partir desse seu gesto, como ficou o projeto? Ele continuou, o sr. chegou a colocar em outros pontos?”, perguntamos. 

“Esse início do projeto começou em setembro de 2019. Depois da primeira, que foi colocada na Rua Coronel Anízio Rodrigues Coelho, esquina com a Rua Desembargador José Paes, eu ainda mandei fazer uma segunda casinha. Mas não é uma coisa fácil de administrar porque a gente tem que sempre passar por lá para ver como a casinha se encontra, cuidar dela, efetuar limpeza. E como eu sou médico e minha esposa é advogada e temos pouco tempo disponível para dedicar a esses cuidados, tivemos que parar o projeto. Mas aa gente sempre passa por lá para limpar, para retirar livros que não condizem com o projeto e é algo que eu ainda penso em continuar, ainda torço para que alguém deixe um bilhete numa das casinha dizendo que quer continuar, ou o próprio Poder Público mostre interesse de realizar uma quantidade maior de casinhas e colocar em vários pontos da cidade”, finaliza o Dr. Enio Daniel Koch.

Segunda casinha do projeto Biblioteca de Rua - Foto: Arquivo Pessoal

 

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