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O Rio que Sustenta: A Luta Oculta dos Marisqueiros do Capibaribe

Com as próprias mãos eles retiram búzios, unhas-véias e caranguejos

Marcos Lima
Por: Marcos Lima
03/09/2026 às 10h19 Atualizada em 03/09/2026 às 10h48
O Rio que Sustenta: A Luta Oculta dos Marisqueiros do Capibaribe
Foto: Genival Vieira Paparazzi

No coração do Recife, onde o Rio Capibaribe corta o cenário urbano, resiste uma atividade ancestral: a coleta de mariscos, uma atividade que garante a segurança alimentar de comunidades vulneráveis e, cujos homens e mulheres, que são conhecidos como marisqueiros, enfrentam diariamente as águas do rio.

Marisqueiros do Rio Capibaribe - Foto: Genival Viiera Paparazzi

É do resultado da comercialização do que extraem do rio que eles sustentaaam suas famílias e também se alimentam de parte dessa pesca.

A lama e a maré são os condutores de uma fonte vital de sobrevivência, que vai passando de pai para filho e, daí, paa os netos, envolvendo todos os membros da família. 

A rotina começa cedo, ditada pelo ritmo das marés. Sem equipamentos de proteção adequados, os trabalhadores mergulham até o peito. Eles usam as próprias mãos ou ferramentas rudimentares para retirar búzios, unhas-véias e caranguejos. 

Com o que pescam, alimentam a si próprios, as suas famílias, e abastece pequenos comércios locais. Os mariscos que vendem são vendidos, também, em grandes mercados populares da Região Metropolitana do Recife, como o próprio Mercado de São José, que depois os revendem. 

No entanto, a profissão enfrenta ameaças crescentes que tornam a sobrevivência difícil: 

Poluição extrema:

Esgoto doméstico e descarte incorreto de lixo reduzem a fauna aquática.

Riscos à saúde:

O contato direto com a água poluída causa infecções e cortes.

Marisqueiros do Rio Capibaribe - Foto: Genival Viiera Paparazzi

Invisibilidade social:

A falta de apoio do poder público, ou de leis que garantam melhoria de qualidade de vida para esse segmento da sociedade que, por incrível que parece, têm Título de Eleitor e votam. 

Falta de uma linha de crédito:

Não existe uma linha de crédito que lhes garantam adquirir melhores equipamentos de pescas, inclusive melhores barcos.

Baixa remuneração:

O preço pago pelo intermediário desvaloriza o esforço físico exaustivo.

 

 

Marisqueiros do Rio Capibaribe - Foto: Genival Viiera Paparazzi

 

Resistência Cultural

Apesar das adversidades, a pesca do marisco no Capibaribe é um símbolo de resistência cultural.

Os marisqueiros não retiram do rio apenas o sustento material.

Eles mantêm viva uma tradição que conecta a identidade do Recife às suas águas originais.

É um clamor urgente por despoluição, dignidade e reconhecimento!

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