
No coração do Recife, onde o Rio Capibaribe corta o cenário urbano, resiste uma atividade ancestral: a coleta de mariscos, uma atividade que garante a segurança alimentar de comunidades vulneráveis e, cujos homens e mulheres, que são conhecidos como marisqueiros, enfrentam diariamente as águas do rio.
É do resultado da comercialização do que extraem do rio que eles sustentaaam suas famílias e também se alimentam de parte dessa pesca.
A lama e a maré são os condutores de uma fonte vital de sobrevivência, que vai passando de pai para filho e, daí, paa os netos, envolvendo todos os membros da família.
A rotina começa cedo, ditada pelo ritmo das marés. Sem equipamentos de proteção adequados, os trabalhadores mergulham até o peito. Eles usam as próprias mãos ou ferramentas rudimentares para retirar búzios, unhas-véias e caranguejos.
Com o que pescam, alimentam a si próprios, as suas famílias, e abastece pequenos comércios locais. Os mariscos que vendem são vendidos, também, em grandes mercados populares da Região Metropolitana do Recife, como o próprio Mercado de São José, que depois os revendem.
No entanto, a profissão enfrenta ameaças crescentes que tornam a sobrevivência difícil:
Poluição extrema:
Esgoto doméstico e descarte incorreto de lixo reduzem a fauna aquática.
Riscos à saúde:
O contato direto com a água poluída causa infecções e cortes.
Invisibilidade social:
A falta de apoio do poder público, ou de leis que garantam melhoria de qualidade de vida para esse segmento da sociedade que, por incrível que parece, têm Título de Eleitor e votam.
Falta de uma linha de crédito:
Não existe uma linha de crédito que lhes garantam adquirir melhores equipamentos de pescas, inclusive melhores barcos.
Baixa remuneração:
O preço pago pelo intermediário desvaloriza o esforço físico exaustivo.
Resistência Cultural
Apesar das adversidades, a pesca do marisco no Capibaribe é um símbolo de resistência cultural.
Os marisqueiros não retiram do rio apenas o sustento material.
Eles mantêm viva uma tradição que conecta a identidade do Recife às suas águas originais.
É um clamor urgente por despoluição, dignidade e reconhecimento!