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Estudo com moradores da Região Metropolitana do Recife revela que consumidor continua fiel às tradições da Semana Santa

Mesmo com inflação e endividamento, 66% dos recifenses pretendem comprar chocolates na Páscoa, aponta pesquisa da UniFafire

Marcos Lima
Por: Marcos Lima Fonte: Ascom Unifafire
01/04/2026 às 09h45 Atualizada em 01/04/2026 às 10h45
Estudo com moradores da Região Metropolitana do Recife revela que consumidor continua fiel às tradições da Semana Santa
Crédito: Juliana Medeiros

Do Centro Universitário Frassinetti do Recife (UniFafire) - A UniFafire Inteligência de Mercado realizou uma pesquisa sobre o comportamento de consumo para a Semana Santa em 2026 na Região Metropolitana do Recife (RMR). O levantamento foi realizado entre os dias 10 e 26 de março, com 814 entrevistados, em diversos bairros do Recife e municípios da RMR, como Boa Vista, Casa Forte, Tamarineira, Boa Viagem, Cordeiro e Olinda. O estudo possui nível de confiança de 95% e margem de erro de 3,5 pontos percentuais para mais ou para menos. 

A pesquisa mostra que 65,97% dos entrevistados pretendem comprar chocolates na Páscoa em 2026, número superior ao registrado em 2025 (63,36%). Já 29,98% afirmaram que não irão comprar, enquanto 4,05% ainda não decidiram. Para o professor e economista do Centro Universitário Frassinetti do Recife (UniFafire), Uranilson Carvalho, o aumento ocorre em um cenário contraditório. 

Embora a pesquisa nacional da CNDL/SPC Brasil aponte que 65% dos brasileiros pretendem realizar compras para a data, os dados locais da Fecomércio-PE revelam que a economia pernambucana deve enfrentar uma leve retração de 2,9% na movimentação financeira em relação a 2025, totalizando R$ 410,9 milhões. 

Para Carvalho, esse paradoxo se explica por dois fatores principais: a forte alta nos preços, com o chocolate acumulando aumento de 26,3% nos últimos 12 meses, e o alto nível de endividamento das famílias, que reduz a capacidade de consumo. “Diante disso, o crescimento na intenção de compra, ainda que pequeno, representa mais o desejo de manter a tradição pascal do que um aumento real no volume de compras, com os consumidores locais adotando estratégias de substituição para produtos de chocolate mais acessíveis”, considera. 

A pesquisa revela também um empate técnico entre os que pretendem comprar chocolate: ovos e barras. 31,93% devem optar por ovos de Páscoa contra 29,30% que devem comprar barras de chocolate. Seguidos de 23,33% que irão optar por produtos variados; 12,98% por caixas de chocolate; e 2,46% por outros itens. Segundo o coordenador da UniFafire Inteligência de Mercado, responsável pela pesquisa, João Paulo Nogueira, o empate técnico entre ovos e barras revela uma mudança de comportamento. “O ovo continua simbólico, mas deixou de ser absoluto. A barra passou a ser estratégia de economia. O consumidor está priorizando custo-benefício sem abandonar o significado da data”, comenta. 

Crédito: Luca Henrique

Em relação ao valor que os que pretendem gastar com chocolates entre os segmentos estipulados, foram selecionadas faixas que atendessem as necessidades de todos os públicos. A menor faixa correspondendo a até R$ 50 revela que 21,93% pretendem gastar com chocolates; uma faixa intermediária entre R$ 50 e R$ 100 mostra que 35,44% devem comprar chocolates; os que pretendem gastar entre R$100 e R$200 está na faixa de 23,86%; e a maior faixa para valores maiores que R$ 200 aponta que apenas 8,60% devem comprar o produto. O dado confirma predominância de gasto moderado, com polarização entre quem reduz drasticamente o orçamento e quem mantém um valor intermediário. 

Em síntese, Nogueira observa que a maioria dos recifenses planeja um gasto moderado de até R$ 100, mas a dispersão das respostas mostra que a Páscoa de 2026 será marcada por estratégias heterogêneas de adequação do orçamento familiar. 

A pesquisa revela, ainda, que o pescado é prioridade absoluta entre as famílias recifenses. Se o chocolate passa por racionalização, o peixe permanece como item essencial da Semana Santa. O estudo aponta que 74,32% pretendem consumir pescados, número levemente superior ao de 2025 (73,79%). Para Carvalho, os números revelam um crescimento pequeno, mas significativo porque mostra que a tradição religiosa e cultural continua forte – onde o consumidor pode até cortar o ovo de Páscoa, mas o peixe da semana santa ele não tira. Ele destaca que o percentual dos que não pretendem comprar caiu de 22,14% para 21,25%, indicando que parte daqueles que estavam indecisos ou resistentes acabou migrando para o consumo, possivelmente influenciada por campanhas de incentivo. 

O estudo também buscou identificar quanto a população pretende gastar com o pescado e os resultados indicam que dos 814 entrevistados, 35,95% deve gastar entre R$ 100 e R$ 200; 29,49% entre R$ 50 e R$ 100; 14,66% acima de R$ 200; 9,60% até R$ 50 e 10,30% não sabem. O ticket médio predominante do pescado é superior ao do chocolate, indicando hierarquia clara de consumo. João Paulo Nogueira destaca que, a pesquisa do Procon-PE, divulgada nos últimos dias, identificou variações de até 217% em alguns produtos, reforçando a importância da pesquisa de preços pelo consumidor. 

Feriado mais caseiro em 2026 - A maioria dos entrevistados (72,73%) afirmou que não pretende viajar na Semana Santa, percentual superior ao de 2025 (69,21%). Apenas 22,11% pretendem viajar. Segundo Uranilson Carvalho, o recifense está priorizando manter a tradição dentro de casa e o orçamento está sendo direcionado para a ceia e para os itens típicos. “A Semana Santa na Região Metropolitana do Recife revela um cenário onde tradição e realidade econômica se entrelaçam”, reforça. 

Para os que respoderam que vão viajar os destinos preferidos são praia, com 49,10%, seguido do campo do pouco mais de 30%. Quase 20% dos entrevistados disseram ainda não estarem decididos sobre se irão viajar no período. O dado revela predominância do turismo de proximidade e abre oportunidade para o setor hoteleiro regional captar os indecisos com promoções de última hora. 

Tradição preservada, consumo mais racional - A pesquisa da UniFafire aponta uma Semana Santa marcada por aquilo que os pesquisadores chamam de “racionalidade afetiva”: O consumidor mantém as tradições; Ajusta o orçamento; Substitui produtos mais caros; e prioriza itens culturalmente essenciais. Mesmo com inflação elevada e orçamento pressionado, o recifense demonstra que a tradição continua sendo um valor central — ainda que adaptado à realidade econômica de 2026.

Gráfico Montagem da Unifafire

 

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