
Essa importante casa de espetáculos funcionou até o ano de 2007, após 55 anos ininterruptos, proporcionando alegria à sociedade recifense.
Inaugurada, precisamente, em 6 de setembro de 1952, com o filme “O Falcão dos Mares”, com Gregory Peck, ocupou o térreo do Edifício Duarte Coelho, no local onde anteriormente existiu o “Templo” ou Igrejinha dos Ingleses, de que tratamos há pouco. Possuía a maior sala de projeções da cidade, com mil, duzentas e sessenta poltronas, distribuídas em dois pavimentos. Mostrando a influência europeia nos costumes da época, até a década de sessenta, era obrigatório o uso de roupa formal pelos seus frequentadores. Os homens não podiam entrar sem paletó.
De acordo com o trabalho de pesquisa realizado em 18 de fevereiro de 1999, por Kleber Mendonça Filho, a decoração desse cinema, como destaca o próprio convite da solenidade de inauguração, era a sua parte mais marcante: Na sala de espera, Lula Cardoso Ayres pintou um lindo painel. O ornamento da plateia representa o interior de uma tenda real; vastas tapeçarias suspensas, bordadas com três lírios de França, sobre os quais repousam dezesseis escudos de guerra em lembrança das cruzadas. O teto é como um imenso véu de rede que grossas cordas amarram.
Na frente do palco, os variados ornatos simbolizam as grandes virtudes de Dom Luiz que desceu do trono para subir a um altar; a palma (o prêmio da eterna boa aventurança); a concha (o brasão do peregrino); os besantes (os arautos do valor); a flor de lis (orgulho da Casa de França) e os dois ramos policromados, (o perfume de todas as virtudes), em cujo colorido, os nossos olhos descansam.
Finalmente, as duas colunas esguias e as marquises moldurando a tela cinematográfica indicam, na sua simplicidade técnica, a era arquitetônica moderna e constituem como que uma ligação entre o passado e o presente entre o longínquo século XIII, em que viveu o grande rei e o século XX, em que vivemos, representado, dignamente, pela imagem animada, colorida e sonora.”
*Carlos Bezerra Cavalcanti, presidente emérito da Academia Recifense de Letras
Com o devido pedido de licença ao mestre Carlos Bezerra Cavalcanti, ouso publicar em nosso Portal, na nossa coluna "UM OLHAR SOBRE O RECIFE", esta sua belíssima crônica, publicada no blog opoder.com.br, no dia 11 p. passado, conforme o link abaixo.
https://www.opoder.com.br/noticias/30769/e-findi-cinema-sao-luiz-por-carlos-bezerra-cavalcanti