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UM OLHAR SOBRE O RECIFE

Por: BIRA TAVARES (*)

Marcos Lima
Por: Marcos Lima Fonte: Redação do Portal Difusão Brasil
08/04/2024 às 08h47 Atualizada em 08/04/2024 às 12h48
UM OLHAR SOBRE O RECIFE
Vista aérea do Palácio do Campo das Princesas, ao entardecer

  

Recife é a cidade que eu amo, a cidade onde eu nasci e nutro o maior interesse em vê-la cada vez mais bela, mais acolhedora, mais aconchegante e mais segura, tanto para nós - seus filhos -, como para aqueles que a visitam, sejam de outros municípios de Pernambuco, de outros Estados do Brasil ou de qualquer parte do resto do mundo. 

Não podemos negar que o atual prefeito, João Campos, realizou algumas obras no intuito de melhorar nossa cidade. Aliás, o mínimo que se faça, numa cidade que parou no tempo e no espaço há mais de 20 anos, é logo notado, porque há muito ela só desce uma ladeira descomunal, a ponto de ser sobrepujada, em vários segmentos, por cidades menores, como Aracaju, Maceió, João Pessoa e Natal. Nem cito Fortaleza e Salvador porque essas, há muito, já deixaram Recife para trás... muitos quilômetros. 

Quanto ao que o atual prefeito fez pela cidade, isso é um fato normal. Afinal, ainda muito jovem, sem qualquer experiência administrativa - e ante a desconfiança de grande número de recifenses, mesmo daqueles que nele votaram -, ele teria que se desdobrar e mostrar serviço. O que virá nos próximos anos, em caso de ele se reeleger - como todos apostam, esquecendo-se que eleição e futebol só se comemora a vitória quando o juiz apita, ou quando se encerra a contagem dos votos - é uma incógnita. Afinal, todos nós esamos vendo que ele ainda não foi reeleito prefeito do recife, mas não tira os olhos do Govenro do Estado, pois em 2026, com toda a certeza, ele irá querer disputar com Raquel. Então, nos próximos 2 anos seu foco será esse e, automaticamente, não reeditará nos próximos 2 anos o que fez na primeir getão, além de não sabermos quem o substituirá, quando ele tiver que renunciar ao cargo de prefeito para se candidatar a governador de Pernambuco. Quem ficará no seu lugar? E quem ficar terá capacidade de resolver os problemas grandiosos, as necessidades abissais do Recife? Vale a pena apostar para ver? 

Como gosto de andar por todos os cantos de nossa cidade, sempre observando tudo que a ela se relaciona, elenco aqui algumas das suas muitas necessidades, para voltar a reiniciar a corrida no intuito de tirar o atraso de duas décadas.

Segurança 

Para uma cidade que quer reconquistar a posição de “porto e porta do Nordeste”, este é um item de extrema importância. Afinal, além da falta de segurança que já impera em todos os quatro cantos da cidade, da Zona Sul à Zona Norte, da Leste à Oeste, vemos aumentar a criminalidade, o número de mendigos espalhados pela cidade, causando uma triste impressão a quem chega e uma sensação de medo e insegurança por todos que têm que se deslocar pela cidade, principalmente pelo centro. São mendigos e precisam de nossa ajuda, da ação de todos em prol da redução das suas grandes necessidades, porém sabemos que no meio deles há infiltrações de um grupo que não é o que procur mostrar ser e cheios de màs intenções. 

Há pouco menos de um ano e meio atrás, no dia 8 de dezembro de 2022, tivemos o triste caso da morte do turista alemão ferido durante assalto, quando passeava com marido no Centro do Recife, perto da Igreja do Carmo. Vítimas, de 68 e 81 anos, chegaram em um cruzeiro e passeavam pela cidade, quando foram atacados e um deles foi morto. 

Não foi o primeiro e nem tampouco foi o último. Antes e depois tivemos outros casos da mesma natureza, inclusive passados pouco mais de 3 meses desse caso do turista alemão, tivemos um caso idêntico e nas mesmas imediações, quando uma turista argentina de 68 anos ficou ferida durante um assalto no dia 16 de março, quando ela e o marido, que também é argentino, foram assaltados após desembarcarem de um cruzeiro turístico, no Porto do Recife. O casal estava passeando no Centro da capital pernambucana quando dois homens abordaram as vítimas na Rua das Flores, no bairro de Santo Antônio. 

Turista Talles do Couto Lemgruber Kropf foi morto
a facadas (Foto Reprodução Instagram)

Recentemente, em pleno período momesco, um turista de 35 anos foi morto a facadas durante um assalto no bairro de Boa Viagem, na Zona Sul do Recife, na madrugada do dia 14/02, quando voltava de uma festa em Olinda. Talles do Couto Lemgruber Kropf, era do Rio de Janeiro e tinha saído da festa Carvalheira na Ladeira. 

Um dos amigos dele, o engenheiro de produção Reinaldo Mendes Júnior, contou que o turista estava com um grupo de amigos no Carvalheira na Ladeira, quando os amigos decidiram voltar para a casa e o turista foi sozinho comer no Bar do Paulinho. 

“A gente vem para se divertir e acontece esse pesadelo”, disse Reinaldo, um amigo do turista. 

"Eu e ele estávamos no Recife desde o domingo (10), porque passamos o começo do carnaval em Salvador. Levaram o celular dele, mas não sabemos quem foi, nem quantas pessoas. Não sabemos de nada, não tem câmera de segurança", disse Reinaldo. 

Casos como esses depõem contra nossa cidade e causam temores aos turistas que pretendem conhecer a capital pernambucana. 

Mendigos 

Entendo o quanto é difícil se administrar uma cidade grande como o Recife, com tantos problemas, com tanto tempo de abandono pelos governantes. Mas há certas coisas que são essenciais e requerem urgência nas suas soluções. 

No mundo inteiro, a situação de mendigos espalhados pelas principais cidades é alarmante, uma prova inconteste de que a fome e a miséria estão por toda parte. Mas não podemos fazer comparações. Recife não merece ficar impassível diante do número crescente de mendigos, vagando pela cidade, a toda hora e a todo momento, pois, nos dias atuais, com a fome e o desemprego aumentando no mundo inteiro, a tendência é aumentar o número de mendigos e desocupados nas ruas, sobretudo nas grandes metrópoles. Mas é necessário que os governantes envidem todos os esforços para solucionar esse problema. 

Obtive informações de que a Prefeitura de Recife criou alguns abrigos na cidade, mas que, na hora de retirar os mendigos das ruas eles não aceitaram ir para um abrigo. Aí, acredito, que deve entrar a lógica: se não quer ir para um abrigo, onde terá apoio, alimentação, cama mais confortável que as calçadas, roupas limpas e outras melhorias, nas ruas também não pode ficar. O que não pode continuar são as principais ruas da cidade ficarem cheias de mendigos, misturados a vândalos, desocupados, marginais, amedrontando, assaltando, ferindo e até matando pessoas. 

Segundo matéria do g1 PE, em setembro de 2023, o Recife tinha 1.806 moradores de rua, um contingente 30% maior do que o que se verificava antes da pandemia. Atualmente o número é bem maior e a maioria desse contingente são homens (75%), adultos (83%), de cor preta ou parda (80%), que nunca voltaram a viver numa residência desde que saíram da casa onde moravam (55%). Além disso, boa parte deles não sabe ler ou escrever (22%), é dependente de álcool e outras drogas (30%) e apresenta algum tipo de deficiência (41%). 

Em Boa Viagem, um dos mais belos pontos turísticos do Recife,
os mendigos são encontrados nas calçadas ou em abrigos improvisados,
a toda hora do dia ou da noite. (Foto: Arquivo do Portal Difusão Brasil)

Ocorre que muitos desses têm moradia. Simples, mas têm. Têm um teto, mas preferem ficar na rua onde, de alguma forma, sempre tem alguém que dá uma esmola, alguns grupos fazem mutirões de ação social e assim eles vão vivendo e - infelizmente -, causando apreensão aos transeuntes, pois nunca se sabe se são mendigos ou bandidos.

Maria José Cavalcanti mora na Praça Dezessete, no Centro do Recife. Ela afirma que prefere dormir na rua a ir para um abrigo noturno da Prefeitura: "Porque no abrigo não vai ser minha família, minha casa. Não vou poder assistir à televisão que eu quero. Assisto sempre no meu celular. É melhor estar na rua", declarou.

 

Vandalismo

Um outro caso que afeta a vida das pessoas, dá prejuízo ao município e ao Estado, e também tira as famílias das ruas, levando-as a ficarem em casa, trancadas, são, sem dúvida, os atos de vandalismo ocorridos na cidade, há muitos anos, sem uma solução mais severa.

 

 

 

Nós vemos uma notícia como esta: Prefeitura do Recife irá recuperar monumentos que foram alvo de vandalismos e furtos. Imediatamente, em publicação nas redes sociais, o prefeito João Campos anunciou brevidade na reposição dos monumentos e os orçamentos foram solicitados aos artesãos. Gastos com manutenção ocasionada por vandalismo ultrapassam R$ 2 milhões anuais.

Apenas o Parque de Esculturas de Brennand recebeu investimentos da ordem de R$ 5,5 milhões

Recentemente, cinco obras emblemáticas da cidade foram alvo de ações criminosas, todas com peças feitas em bronze, e serão repostas com brevidade. Entre elas, o Busto de Frei Caneca, no Bairro de São José. O anúncio foi feito pelo prefeito João Campos: “Eu tô aqui no local ao lado do Forte das Cinco Pontas onde ficava o busto de Frei Caneca, que foi furtado de maneira criminosa neste final de semana. Nós vamos refazer o busto porque jamais deixaremos esquecidos ou negligenciados os heróis que ajudaram a construir o nosso Estado”, ressaltou o prefeito.

Não é o apoio da população que irá acabar com esses atos de vandalismo. Até porque, a população só pode denunciar quando acontece.

Ora, uma conclusão é elementar: sai muito mais barato e seria muito mais eficiente, a prevenção. E como poderia ser feita essa prevenção? Com policiamento, e também buscando a parceria do Governo do Estado para, juntos, evitarem tanto gasto com recuperação de tudo que os vândalos, criminosamente, destroem.

Urge que se unam a Prefeitura do Recife, a Câmara Municipal do Recife e o Governo do Estado para discutirem, deliberarem e resolverem, de uma vez todas, esta situação. E aí a população poderá ver o interesse e o cuidado do Poder Público, sobretudo da Prefeitura do Recife - principal responsável - e também se engajar para denunciar essas ações.

Marisqueiros

Existem algumas localidades em Recife, que vivem sob pleno abandono. As ZEIS, por exemplo, são algumas dessas. O Recife tem, hoje, em torno de 67 áreas ZEIS tipo 1 (ocupações espontâneas, como Brasília Teimosa e Entra Apulso em Boa Viagem) e 7 ZEIS tipo 2 (habitacionais e áreas subutilizadas ou vazias que podem receber residenciais e ter a regularização fundiária).

As ZEIS são Zonas Especiais de Interesse Social, também chamadas de Áreas Especiais de Interesse Social (AEIS), são áreas demarcadas no território de uma cidade, para assentamentos habitacionais de população de baixa renda (existentes ou novos). Devem estar previstas no Plano Diretor e demarcadas na Lei de Zoneamento, quando houver. Podem ser áreas já ocupadas por assentamentos precários, e podem também ser demarcadas sobre terrenos vazios. 

Como diretor da Universo, nos últimos 25 anos eu estive sempre próximo de uma dessas ZEIS, na Imbiribeira. Refiro-me à ZEIS da Ilha de Deus, uma localidade que tem autosufiência, em que eles são responsáveis pela própria sobrevivência e as de todos que ali habitam. em torno de 400 famílias, com aproximadamente 3.000 habitantes.

Há alguns meses atrás, inclusive, eu coloquei um advogado para acompanhá-los no Ministério Público (MPPE) em que eles haviam sido intimidados para responderem sobre a localização dos viveiros, pois alguns haviam colocado os viveiros em locais errados, o que foi solucionado.

Onde eles vivem e cuidam dos viveiros que alimenta diretamente as famílias que lá habitam, ou indiretamente, com o resultado da venda dos mariscos e camarões que eles criam, pescam e vendem, é considerada uma área nobre do Recife, que já sofreu invasões de empresas imobiliárias e já há algumas construções erguidas, indo de encontro o que estabelecem as leis de defesa do Meio Ambiente.

Ali, há necessidade de um olhar da Prefeitura, que se volte para a melhoria da qualidade de vida daquela gente, que necessita de pavimentação das ruas, esgotos sanitários, iluminação e muits coisas que poderão garantir uma vida melhor para todos. O prefeito bem que poderia dar continuidade ao trabalho que seu pai, o saudoso ex-governdor Eduardo Campos (que morreu num desastre aéreo, em 2014), que realizou obras importantes para os ilhéus.

Já tive a oportunidade de solicitar ao ministro André de Paula para estudar uma maneira de ajudar aquela comunidade, e ele ficou de estudar o que fazer.

Agora, neste momento, solicito ao governo do Estado e à Prefeitura do Recife, que estruturem a Ilha de Deus, para qeu seus habitantes possam ter uma vida mais digna, vivendo num ambiente mais saudável e seguro.

 

Recife Antigo

O bairro do Recife Antigo é um local aprazível para se passear, nos finais de semana, tomar uma cerveja, levar os filhos para andarem de bicicleta, de patins e outras coisas mais.

Já foi bem melhor. Na gestão de Jarbas Vasconcelos, nos anos 80, ele promoveu o Plano de Reabilitação do Bairro do Recife, onde a movimentação e a visitação, de nativos e turistas, eram bem superiores. 

O prefeito João Campos não tem realizado ações que façam o Centro do Recife voltar a ser como já foi e como os recifenses gostariam que voltasse a ser. Existem problemas que, certamente, ele não tem ciência nem seus assessores lhe informam. E são muitos. 

Um desses, diz respeito à segurança. Além dos riscos comuns em toda a cidade, quem se aventura a ir de carro ao Recife Antigo, ao chegar lá é perseguido por vários flanelinhas, que incomodam e, muitas vezes, ameaçam os visitantes, tudo sob o olhar complacente da Guarda Municipal e de policiais que por lá transitam. 

Ora, se nos finais de semana os estacionamentos não são cobrados pela prefeitura, então tem que se garantir a utilização livre pela população. E isto, naquele bairro como em vários outros de toda a cidade, só se consegue com policiamento ostensivo. E um policiamento que esteja preparado para coibir cobrnças e ameaças de flanelinhas, que cobram bem acima do preço real, para que se estacione na Zona Azul, porque os motoristas mesmo procurando não encontram onde adquirir créditos desses estacionamentos, nem são orientados que podem fazer pela internet, baixando um simples aplicativo. E essas cobranças os falnelinhas também o fazem nos finais de semana e feriados, em que os estacdionamentos são livres.  

Vale-se ressaltar que, sobretudo nos finais de semana, tudo acontece sob os olhares coniventes da Guarada Municipal, que mesmo se encontrando alipara garantir a segurança e evitar esse tipo de asédio aos turistas e visitantes, fazem vista grossa e deixam "rolar" as cobranças indevidas que, muits vezes, realizam-se pelo medo da população. 

Bairros de Santo Antônio e São José 

 

O abandono a que está relegado o centro da capital pernambucana, principalmente os bairros de Santo Antônio e São José, é algo inacreditável, inaceitável e que depõe contra a história do Recife e afasta as famílias do bairro que já foi especial para passeios, para idas ao cinema, encontros com os amigos em bares como o Bar Savoy, ou o lanche depois da sessão de cinema na Botijinha. 

 

 

Na semana pré-carnavalesca, a Avenida Guararapes formava um corredor com a Avenida Conde da Boa Vista e por elas acontecia o corso, com as pessoas se divertindo e travando “guerras”... de confetes, serpentina e lança-perfume. 

Com certeza, a falta de segurança é um dos fatores que afasta a população até mesmo do hábito anterior de fazer compras no centro do Recife. As pessoas andam pelos bairros de Santo Antônio, pelo circuito vuco vuco do bairro de São José e raramente se defrontam com agentes de segurança, sejam guardas municipais ou da Polícia Militar. Eles até que aparecem, mas isso ocorre quando acontece uma tragédia de grande repercussão, como o assalto que resultou na morte do turista alemão Werner Duysen Gurkasch, 81, abordado e derrubado por marginais, no Pátio do Carmo, em que ele veio a morrer, como já citamos acima.

Assaltos e agressões são constantemente relatados por comerciantes e frequentadores do Centro. 

Até quando essa insegurança irá continuar?

Quantos inocentes precisarão perder a vida para se tomar medidas efetivas e eficazes para que o centro da cidade e os demais bairros voltem a ser lugares seguros?

 

 

 

 

(*) BIRA TAVARES

   é Executivo do segmento da Educação e

   assessor da presidência da Universo

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Angela Maria Marques da Silva Há 2 anos Recife Excelente documentário que retrata a real situação em que vive nossa linda Capital Pernambucana, reportando um passado glorioso, retratando um presente tenebroso e um futuro inseguro. Na apresentação das estatísticas, fica evidente que é possivel encontrar uma solução eficaz e eficiente não somente minimizar e sim solucionar os problemas agindo em suas causas e cessando os efeitos. Ficou bem explícito que depende de vontade política. Que precisamos de governantes comprometidos.
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